07/08/2020 às 07h10min - Atualizada em 07/08/2020 às 07h10min

Revelo, neste exato momento, meu segredo de 20 anos com o Arildo Ratão

Ratão era a essência do atacante batalhador

- Peter Falcão
Pauta Livre Assessoria
Conto hoje, 20 anos depois, esta história, já pedindo desculpas, ao “Terror dos Cruzeirenses”. Perdão, matador. Perdão! Foto>> Rio Branco / Divulgação


Na época, a cerveja era somente diversão. Não essa necessidade diária do capeta! Então pude me equilibrar facilmente no barranco do Kleber Andrade em 1986, quando Rio Branco venceu o Vasco por 1 a 0, gol do Márcio Fernandes, no jogo dos 40 mil torcedores. 

Sempre gostei de atacante com cara de povo. Se possível, de açougueiro. 

Tenho tese que não abro mão: Boxeador e atacante só dão certo se tiverem passado dificuldades na infância. E quando olham o oponente ou a bola como pratos de comida, fazendo de tudo para saciar a fome. 

Por isso sempre gostei mais do Arildo Ratão do que, por exemplo, o Caio Ribeiro. Ratão era a essência do atacante batalhador, este que está em 99% das estatísticas. A bola tem que entrar. Entra. Não importa (e nem se sabe) como. Mas, entra. 

Pois, um dia na Editoria de Esportes de A Gazeta, Arildo Ratão me telefonou. Sugeriu pauta sobre a escolinha que coordenava, se não me engano, do Atlético Mineiro, na Serra. Marcamos a data da matéria. 

Voltando para casa, no ônibus, fiquei imaginando o primeiro parágrafo e o título da matéria. ""Ratão ensina aos meninos os atalhos para o gol". 

Se caprichasse no texto poderia render até primeira página, pensei, obcecado como sempre. 

Separei a roupa que usava habitualmente em ocasiões especiais para o encontro com o “matador”.  Tirei da cartela Prestobarba novinho. Molhei o dedo no Alfazema e passei atrás das orelhas. Tudo para impressionar.

Fomos na sua escolinha, na Serra. Lá de longe observamos a cena. Arildo pulando tentando encaixar as argolas de náilon da rede, nos ganchos de ferro da trave.  

Na terceira tentativa, a sua aliança ficou presa em um gancho da trave e amputou um dos dedos.  

Arildo pegou o pedaço do dedo no chão e saiu correndo, o segurando, cuidadosamente, com as duas mãos. Como hóstia. 

Passou por nós (ao lado de parceiro com a chave do carro na mão e olhos espantados) e gritou: “Meu dedo, meu dedo”. 

Foi longo o caminho até a redação. O suficiente para decidir. “Este será segredo eterno com o Arildo Ratão”.  

Até hoje, sejamos sinceros, ídolos capixabas, de variadas gerações, vivem implorando, sem menor êxito, notinhas nas redações.  

Por qual motivo, então, exporia um dos maiores atacantes capas-pretas, dos tempos modernos, em situação tão delicada?  

Para vender mais jornais ou ganhar perfumados elogios? Nem fudendo, parceiro. 

Conto hoje, 20 anos depois, esta história, já pedindo desculpas, ao “Terror dos Cruzeirenses”. Perdão, matador. Perdão! 

 



 
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