21/08/2020 às 07h14min - Atualizada em 21/08/2020 às 07h14min

Pertinho de mim, Zeca Pagodinho tocou fogo no Barracão

Sambista encanta até hoje várias gerações

- Perter Falcão
PautaLivre Assessoria
Devorei o Zeca em sua fase inicial. Visitava meu tio e compadre José Leandro e ouvia seus discos até sair fumaça da vitrola. - Foto: divulgação
 
Não posso reclamar da generosidade do pessoal do Caderno Dois de A Gazeta.  

 

Petulante, ainda no curso de Comunicação, aos 21 anos, substituí o grande Amilton de Almeida durante um mês, indicado pelo Edgard Rebouças, nas críticas de cinema. 

  

Fui especialmente elogiado pelas mal traçadas linhas quando detonei “Super Xuxa Contra o Baixo Astral”.  Defendi tese, lembro bem, que Xuxa antecipava a sexualidade das crianças. Não me arrependo.

  

Já na Editoria de Esportes, me pediam, de vez em quando, críticas de discos. Não somente para mim, é bem verdade. 

 

Um dia caiu no meu colo o “Samba Pras Moças”, do Zeca Pagodinho, que, acreditem, estava em baixa, fazendo a transição da fase, mais, digamos, despretensiosa para a de grande estrela. 

 

Devorei o Zeca em sua fase inicial. Visitava meu tio e compadre José Leandro e ouvia seus discos até sair fumaça da vitrola. Logicamente jogando para dentro muitas cervejas. 

 

Para quem havia trabalhado, aos 15 anos, em escritório de advocacia, ganhando o equivalente a uma coxinha de galinha e uma Coca Cola por semana (e 12 horas em banca de revista no famoso Beco do Mijo, no centro nervoso de Vitória), escrever crítica de disco soava aprazível no tímpano.  

 

O Zeca faria show alusivo ao disco no “Barracão”, em Coqueiral de Itaparica, que se fosse o “de Zinco”, de Luiz Antônio e Oldemar Magalhães, já teria caído.  

 

Lá o “couro comia”, prezado. 

 

Fiz a crítica, a diagramação caprichou. Os parças gostaram. No outro dia, o promotor do show foi na redação. Cara mala. Deu-me dois ingressos, mas queria que eu fizesse matéria após o show.  

 

Quase devolvi os ingressos, mas resisti. Pensei: “Barracão, Zeca e brejas têm tudo a ver”. Mas, matéria depois do show, nem fudendo parceiro. 

 

Depois que o produtor foi embora, sobrou ingressos no Caderno Dois. A galera não estava muito animada para ir ao Barracão. Ganhei mais dois. Fui com a minha namorada; com a irmã dela e amiga da Rede Gazeta. 

 

Após duas horinhas de espera veio o primeiro acorde. Puro deleite. Zeca todo de branco, com gomalina no cabelo, garantindo o pão no Barracão. Mal sabia, imagino, que meses depois estaria rico. 

 

O show foi rápido. Não mais do que 45 minutos. Meio canastrão. Nada comparado ao de Sarajane, dois meses depois, no Recreio dos Olhos, em Tabuazeiro, que durou 25. 

 

Mas as músicas “desceram redondas”. Embora ainda desconhecidas, nos fizeram bem. 

 

“Samba Pras Moças” vendeu milhões de copias. E encanta até hoje gerações. 

 

Obrigado galera do Caderno Dois e, especialmente, ao meu tio e compadre, José Leandro que me ensinou que “camarão que dorme a onda leva” e que não se deve jamais devolver ingressos de um show do Zeca. 

 

Afinal, brincadeira tem hora. 

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