22/08/2020 às 14h46min - Atualizada em 22/08/2020 às 14h46min

Golpe do Grupo Infinity Já Soma Mais De R$ 3 Bilhões De Calotes No ES

O Infinity Bio-Energy, companhia listada na bolsa de Londres desde 23 de maio de 2006, construiria duas usinas no Estado

- Paulo César Dutra
O presidente da Infinity, Sérgio Thompson, destaca o aumento da capacidade de moagem de cana, para atingir 1,5 milhão de toneladas.Foto: Divulgação (20.10.2006).
A complicada situação do grupo inglês Infinity Bio-Energy se revela cada vez pior, no Estado do Espírito Santo. Tudo começou em 2006. Já se foram 14 anos de calotes, do grupo, a bancos particulares e oficiais, produtores rurais, comerciantes, empresários, fornecedores e empregados do Infinity que até aos dias de hoje, não receberam ainda nenhum tostão se quer. Até o menino vendedor de picolés, que anotava suas vendas para o Infinity no seu “caderninho” levou calote. 

O Infinity, sediado nas Ilhas Bermudas (conhecida como *paraíso fiscal, muito usada pelos bandidos do Brasil) tinha um ousado plano no Estado: montar um pólo industrial de etanol e de açúcar nas regiões norte e noroeste. O plano foi apresentado ao então governador Paulo Hartung, que sem fazer qualquer investigação do Grupo Golpista, marcou reunião com os representates do Infinity, no dia 9 de março de 2007, na Residencia Oficial do Governo do Espírito Santo, na Praia da Costa, em Vila Velha-ES.

* É uma região que libera os bancos para fazer transações financeiras sem identificar envolvidos e com taxas reduzidas ou até nulas de impostos.  
E no dia 9.03.2007, o então governador Paulo Hartung, recebeu na residência oficial da Praia da Costa, o presidente do Infinity, o ex-diplomata Sérgio Schiller Thompson Flores (que está preso desde 2019, no Rio de Janeiro). E lá estavam também para a reunião,  o então secretário do Desenvolvimento Guilherme Dias, o então vice-governador Ricardo Ferraço e o então presidente da Assembleia Legislativa do Espírito Santo - ALES, Guerino Zanon. Sérgio Flores fez a explanação do ousado plano do Infinity de montar um pólo industrial de etanol e de açúcar nas regiões norte e noroeste, com um investimento milionário.

Por incrível que pareça, Sérgio Flores deixou-os extasiados e hipinotizados, com a explanação do ousado plano. Paulo Hartung, sem fazer qualquer investigação do Grupo Golpista, assinou naquele dia 9 de março, juntamente com Sérgio Flores, Ferraço, Guilherme e Zanon o contrato da liberação de R$ 57 milhões do Banestes para o Infinity!   

O Banestes (que até hoje ninguém entendeu porque o banco ficou de fora da transação que era presidido na ocasião por Roberto Cunha Penedo) não participou da reunião na Residencia Oficial da Praia da Costa.  Quem autorizou o documento do banco que liberou o empréstimo de R$ 57 milhões? O Banestes confirmou, para o redator da coluna, via e-mail que os R$ 57 milhões foram levados do banco no dia 19 de março de 2007, através de sete (7) agencias nos seguintes valores: banco 1- R$ 6.123.565,05; banco 2- R$ 5.5333.587,17; banco 3- R$ 5.607.782,78; banco 4- R$ 5.50.588,67; banco 5- R$ 5.397.958,70; banco 6- R$ 13.539.228,61 e banco 7- R$ 11.941.094,69, sem nenhuma garantia.

 Fiz o contato com o banco através do e-mail faleconosco@banestes.com.br e tive a resposta de imediato: “Agradecemos seu contato. A respeito dos questionamentos feitos,  o Banestes, por meio de seu diretor Comercial Ronaldo Hoffmann, informa: - Há  um processo de recuperação judicial aguardando os prazos legais determinados pela Justiça, para que haja uma Assembléia Geral de Credores.

Porém, a presidência do Banestes se negou atender um requerimento do redator da coluna, que baseado na lei Lei nº 12.527 (direito constitucional de acesso dos cidadãos às informações públicas)  solicitava uma cópia do contrato de empréstimo assinado entre Infinity Bio-Energy e Banestes .
 
Início do Golpe
 
Em 10/10/2006 a Comunicação oficial do ES divulgou no setor da Agricultura, matéria publicada no Jornal Valor Econômico, assinada pelas jornalistas Bettina Barros e Mônica Scaramuzzo que: ‘Espírito Santo atrai usinas, e Vale escoa álcool por Vitória’.

O Espírito Santo começa a despontar para o segmento sucroalcooleiro, com investimentos em novas usinas e no porto de Vitória, que já surge como alternativa para escoar açúcar e álcool e desafogar o "tráfego" de Santos (SP), o maior porto da América Latina. O Infinity Bio-Energy, fundo criado por investidores americanos e britânicos, anunciou que fará investimentos de US$ 240 milhões na construção de duas novas  usinas no Estado. E um novo terminal da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) escoaria  álcool do Triângulo Mineiro e de Goiás via Vitória.

Sem tradição em cana, as seis usinas instaladas no Estado, todas de pequeno porte, moinham cerca de 4 milhões de toneladas por safra, ou quase 1% da produção nacional - em torno de 420 milhões de toneladas. Mas, a boa demanda sobretudo por álcool, nos mercados interno e externo estava estimulando a produção em regiões com pouca tradição.

O Infinity Bio-Energy, companhia listada na bolsa de Londres desde 23 de maio de 2006, construiria duas usinas no Estado e deveria utilizar a estrutura portuária de Vitória, como base exportadora de álcool, segundo o CEO Sérgio Thompson-Flores. Segundo ele, a empresa também tem planos para investir em novas usinas no Mato Grosso do Sul. Hoje (2006) o grupo também controlava a Coopernavi, de Naviraí (MS) e a Cridasa, em Pedro Canário (ES).

Segundo Flores, o Infinity entrou no Brasil este ano (2006) por meio do fundo americano Evergreen. Este fundo comprou a usina Alcana, de Nanuque (MG), e Coopernavi, de Naviraí (MS). "O Infinity incorporou o Evergreen e assumiu 100% do controle da Alcana e 51% da Cridasa", disse Flores.

As duas novas usinas do Infinity ainda aguardavam a liberação da licença ambiental e deveria moer 3 milhões de toneladas cada unidade em sua fase final de projeto.

A produção de cana deveria aumentar no médio prazo. As usinas capixabas planejavam ampliar de 60 mil hectares para 100 mil hectares a área de cana plantada no Estado, segundo a Secretaria de Agricultura do Estado. Algumas unidades também já estudavam incrementar as suas capacidades industriais instaladas.

No âmbito logístico, o porto de Vitória preparava-se para absorver a chegada da cana. A principal notícia referia-se à construção de um novo terminal da CVRD. O projeto estava sendo desenvolvido, em parceria, com o Oiltanking, a segunda maior operadora do mundo de terminais para granéis líquidos. Ela seria responsável pelo aporte estimado de US$ 12 milhões em tancagem.

Em entrevista ao Valor, o gerente de projetos da Oiltanking no Brasil, Peter Van Wessel, afirmou que o terminal escoaria a produção de álcool do Triângulo Mineiro – na ocasião feita integralmente por Santos - e Goiás via Vitória. Em menor volume, o álcool produzido por usinas do norte do Espírito Santo também seriam direcionadas ao novo terminal. "É importante lembrar que os custos serão mais competitivos em relação a Santos, que está mais longe", disse na época Van Wessel.

A Oiltanking informava ainda, na edição de agosto de 2006, de sua revista institucional, que a capacidade inicial do terminal seria de 34 milhões de litros de álcool, mas que o volume anual poderia subir para cerca de 1 bilhão de litros.

O projeto, que segundo Van Wessel, estava na fase de licenciamento ambiental, deveria começar já no início de 2007 e a estimativa é que o terminal operaria a partir de maio de 2008. Procurada pelo Valor, a CVRD respondeu que "não comenta o assunto".

Além do terminal da Vale, o porto de Vitória estudava também criar outro terminal para escoar o álcool das usinas capixabas. Na semana passada (em 2006), o porto realizou uma operação inédita ao embarcar 5,4 milhões de litros de álcool da Lasa - situada no norte do Espírito Santo - para a Nigéria.

Segundo Danilo Queiroz, diretor de comercialização e fiscalização da Codesa (Companhia Docas do Espírito Santo), apesar de ter sido experimental, a operação  gerou um novo nicho de mercado no porto. "Esse tipo de embarque é o ponto de partida para a implantação de um terminal especializado para a movimentação de álcool a granel pelo Porto de Vitória, uma importante mercadoria para o comércio internacional brasileiro", disse.

Conforme a Secretaria da Agricultura do Estado do Espírito Santo, a cana respondia  por quase 5% do agronegócio (2006). O Estado é o maior produtor de café robusta do país, e também cultiva cereais, olerícolas, frutas e leite. O setor sucroalcooleiro movimenta por ano cerca de R$ 300 milhões na economia local e gera aproximadamente 10 mil empregos diretos (informações de 2006).
 
Um sonho
 
O novo presidente da Cridasa, Ricardo Moura, disse em 20/10/2006, que a expectativa é de investir, nos próximos três anos, aproximadamente R$ 60 milhões.
Aconteceu nesta semana (em outubro de 2006) no Distrito de Cristal do Norte, em Pedro Canário, a posse oficial da nova diretoria da Cristal Destilaria Autônoma de Álcool S. A (Cridasa), que possuia uma capacidade de processar 750 mil toneladas de cana-de-açúcar anualmente e passa a ser administrada pelo grupo Infinity Bio Energy.

A cerimônia foi acompanhada por cerca de 600 pessoas e contou com a presença do governador em exercício, Lelo Coimbra, do  deputado federal Renato Casagrande, do vice-governador eleito Ricardo Ferraço, lideranças políticas da região, da antiga diretoria da usina, do presidente da Infinity, Sérgio Thompson Flores, e de Ricardo Moura, novo presidente da Cridasa.

Segundo Sérgio Thompson, a primeira etapa desta nova fase da Cridasa seria o investimento no aumento da capacidade de moagem de cana-de-açúcar, para atingir 1,5 milhão de toneladas. “Vamos fazer, em parceria com os cooperados e fornecedores, os investimentos necessários para acabar de implantar uma unidade industrial e atingir essa capacidade, ajudando na expansão e no plantio de cana”
.
Até o final do ano(2006) serão aplicados R$ 4 milhões no plantio, e outros R$ 6 milhões já estão destinados para essa mesma finalidade no ano de 2007. Para a segunda etapa o objetivo da Infinity era buscar oportunidades para desenvolver novas usinas na região. Até o final deste ano (2006) deverá ser definida mais uma usina na região.

Eudes Bahia e Aldevar Borgo, ex-diretores da Cridasa, passaram a integrar em 2006, a direção da Cooperativa dos Produtores Rurais de Cristal do Norte (Cristalcoop) que seria a fornecedora de matéria prima para a Cridasa. A nova composição acionária da empresa passaria a ser 51% da Infinity, 42% da Cristalcoop e %7 de pequenos acionistas.

De acordo com Ricardo Moura, em 2006, a expectativa é que nos próximos três  (2007, 2008 e 2009) sejam investidos, aproximadamente, R$ 60 milhões. Outros destaques da nova direção estão relacionados aos investimentos na responsabilidade social e meio ambiente.
“O ser humano e o meio ambiente são pontos fundamentais no ponto de vista do grupo. Sem isso não conseguimos atrair investidores, nem se consegue participar do mercado livre”, disse Ricardo Moura.

Para consolidar esses pontos, Ricardo Moura afirmou que uma das primeiras medidas seria a adequação da empresa a todas as regras ambientais do plano de conduta do Espírito Santo. “Após essa fase se passa para uma nova evolução no que diz respeito ao ser humano. Todos os projetos sociais da comunidade local serão analisados e aqueles que tiverem consistência vão ser encampados pela Cridasa”, afirmou Ricardo Moura, em 2006.
Produção competitiva

O potencial da região, a capacidade que tem de produzir de forma competitiva, potencial agrícola e a logística para o porto de Vitória, aliado ao trabalho realizado pela Cristalcoop, foram pontos relevantes para que a Infinity procurasse a parceria. “Sem dúvida nenhuma o Estado se constitui num pólo potencial relevante em nível nacional para esse setor. Temos uma base de apoio do Governo do Estado, que é fundamental para qualquer indústria que pretende instalar-se e desenvolver-se no Estado”, finalizou Sérgio Thompson.

Ricardo Ferraço exaltou a parceria como forma de desenvolvimento. “Esse é um dia, muito relevante, para todos nós capixabas e com certeza esse passo que se dá aqui, além de contribuir no desenvolvimento econômico e social do Estado, também dará uma importante contribuição nacional no negócio do álcool e do açúcar. Com boas parcerias estamos colhendo resultados fantásticos. Temos uma visão muito clara que essa região irá se transformar num pólo sucroalcooleiro muito estratégico”, disse ele em 2006.

Eudes Bahia ressaltou em 2006, que a parceria definiu a área de ação da cooperativa no campo, que será o plantio da cana, ficando a gestão da Cridasa para a nova parceira. “A grande vantagem é a cooperativa ter capital para investir em plantio. Na negociação com a Infinity ficou definido que eles teria que fomentar o plantio de cana dos cooperados. O modelo proposto é um grande avanço”.

Como ex-presidente da Cidasa, Aldevar Borgo disse que a expectativa era a melhor possível pelo poder aquisitivo do novo grupo e a boa fase em que vive o pró-álcool. "Essa parceria só foi possível porque houve trabalho de base da diretoria e porque tratamos o associado, do menor ao maior, de forma igualitária".   

No encerramento da cerimônia, o governador em exercício, Lelo Coimbra, afirmou que a parceria representava a maturidade da cooperativa de Cristal com um grupo que quer  fazer investimento. ”Isso mostra a maturidade dessa aliança, mas, acima de tudo, a possibilidade de que essa aliança seja feita num Estado em que as pessoas respeitam e que sabem que vão ter no Governo Estadual um estimulador, um parceiro para que uma ação desse tipo se fortaleça. É uma iniciativa que vai duplicar a capacidade de produção. Com certeza teremos no Espírito Santo um projeto respeitado nacionalmente”.  
Informações adicionais:  Assessoria de Comunicação da Seag-Arthur Wernersnach Neves-3132-1425/ 1468/ 9932-2657- Texto: Waldson Menezes-
(27) 9992-0061.

Mel-na-boca
 
No dia 09/03/2007, uma matéria oficial divulgada pela Comunicação anunciava  uma das Ações de Governo com o seguinte título:Expansão do pólo sucroalcooleiro vai gerar mais de 15 mil empregos no Norte.

E no intertítulo “Queremos criar uma base econômica que vá além da indústria do petróleo e do gás natural", afirmou Hartung, ao lado de autoridades, aquele dia.
A produção de açúcar e álcool no Espírito Santo irá dobrar nos próximos anos, consolidando a Região Norte como Pólo Sucroalcooleiro do Estado. Na manhã desta sexta-feira (09), foram anunciados novos investimentos para o setor, durante solenidade realizada na Residência Oficial do Governo do Estado, em Vila Velha. Na ocasião, foi formalizado o acordo de joint-venture entre a Infinity Bio-Energy e a Disa, o que possibilita a criação de um complexo industrial com capacidade de moagem de 3,3 milhões de toneladas de cana-de-açúcar.

Os números se referem à atual produção da Disa, de 1,5 milhão de tonelada e à produção da nova usina Montasa, no município de Montanha, de 1,8 milhão de tonelada. A 1ª fase desta usina deverá entrar em operação em julho do próximo ano (2008). Em uma segunda etapa, a produção deve saltar para 3 milhões de toneladas. Os investimentos da ordem de R$ 350 milhões neste novo complexo agroindustrial vão possibilitar a geração de 17 mil empregos nos próximos três anos (2008, 2009 e 2010).

Diversificação econômica

Na época, o governador Paulo Hartung afirmou que o anúncio dos novos investimentos vai gerar impactos altamente positivos para a economia da Região Norte do Estado. "Esses investimentos vão ao encontro do projeto do Governo de desenvolver todas as regiões capixabas, a partir da vocação econômica de cada uma delas. Apesar de já sermos o segundo maior produtor de petróleo do País - a Petrobras acaba de anunciar que nossa produção chegou aos 106 mil barris por dia -, queremos criar uma base econômica que vá além da indústria do petróleo e do gás natural", afirmou Hartung.

Ele disse ainda que a diversificação da economia capixaba faz parte do Planejamento Estratégico do Governo e contribui para consolidar uma base econômica forte e duradoura. O governador ressaltou que dentro desse contexto é fundamental que haja também a diversificação da agricultura. "Nossos produtores precisam diversificar a produção. O pólo sucroalcooleiro contribui para que isso aconteça, à medida que substitui pastagens, muitas vezes subaproveitadas, pelas plantações de cana. Além disso, o Governo vem investindo em pesquisas para aumentar a produtividade, melhorar a qualidade e desenvolver novas culturas no Estado", disse ele.

Ambiente favorável

O golpista travestido de executivo Sérgio Thompson-Flores, da Infinity Bio-Energy, destacou em 2007,  que encontrou no Espírito Santo um ambiente fértil para a realização de investimentos. "Aqui encontramos vantagens competitivas e um Governo local com seriedade e competência, que possibilita a concretização desse empreendimento, com responsabilidade social e ambiental", afirmou.

Sérgio Thompson-Flores afirmou, também, que o grupo ia trabalhar para conquistar novos mercados. "O crescimento sustentável é o que traz desenvolvimento social, progresso e qualidade de vida. Em função disso, é extremamente positivo que o Brasil seja fornecedor de álcool para o mundo. Temos que ter segurança de que este setor irá se desenvolver, pois o País vive um momento único no setor de açúcar e álcool", disse Paulo. 

O vice-governador, Ricardo Ferraço (2007-2010), destacou alguns benefícios econômicos e ambientais de se investir na cultura da cana, como a redução na emissão de gases que comprometem a camada de ozônio, o custo menor do álcool derivado da cana em comparação ao derivado do milho, e a produtividade maior da cana em relação ao milho.

Além desses benefícios, Ferraço lembrou que o álcool não compete com a produção de alimentos, diferentemente do milho. "O foco do Governo nos próximos anos será a inclusão social, e a interiorização dos investimentos públicos e privados é fundamental para a geração de emprego e renda em todas as regiões do Estado, proporcionando assim melhor qualidade de vida", ressaltou Ferraço em 2007.

O secretário de Desenvolvimento Econômico e do Turismo, Guilherme Dias, também destacou a importância dos investimentos no interior. Ele enfatizou que o Governo está articulando o desenvolvimento  de uma logística capaz de escoar a produção do álcool da região. "O Governo tem capacidade e credibilidade para mobilizar outros atores importantes, de forma a dinamizar o mercado de álcool no Espírito Santo", disse ele em 2007.

A solenidade que marcou o anúncio dos novos investimentos contou com a participação do governador Paulo Hartung; do vice-governador Ricardo Ferraço; do secretário de Desenvolvimento Econômico e Turismo, Guilherme Dias; dos sócios e diretores da Infinity e da Disa; além dos prefeitos de Ponto Belo, Mucurici, Montanha, Pinheiros, São Mateus, Conceição da Barra e Pedro Canário, municípios que serão diretamente beneficiados pelos investimentos.

Informações adicionais: Assessoria de Imprensa do Governo do Estado- Daniel Simões  Tels.: 3321 3692/ 9941 3723 - Assessoria de Comunicação da Vice-Governadoria-Arthur Wernersbach -Tel.: 9932-2657. Foi o maior mel-na-boca dos produtores rurais que acreditavam no Paulo Hartung e seus assessores que foram usados por Flores para aplicar o maior golpe economico da história do Estado.
 
Golpe dos 57 milhões
 
 No dia 9.03.2007, o presidente do Infinity, o ex-diplomata Sérgio Schiller Thompson Flores (que está preso desde 2019, no Rio de Janeiro), não perdeu a sua ida  na Residencia Oficial do Governo da Praia da Costa. Ele levou na sua pasta secreta cinco cópias do contrato de empréstimo do Infinity junto ao Banestes. Sem qualquer  revisão o documento foi assinado autorizando para a liberação de R$ 57 milhões do Banestes para o Infinity!
           
No dia 19.03.2007, a Assessoria de Comunicação do Banestes divulgou na sua rede social que o aquecimento do setor sucroalcooleiro estava se intensificando no Estado e o Banestes participava dessa ebulição, por meio da concessão de linhas de financiamento para produtores ligados à Infinity Bio-Energy. Informou ainda, que um dos primeiros grupos de investidores estrangeiros a chegarem ao País, o Infinity Bio-Energy possuia importantes investimentos não só no Espírito Santo, mas também em Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.

Segundo a divulgação do Banco, o Infinity Bio-Energy buscou no Banestes financiamento para plantio de cana-de-açúcar para as destilarias ligadas ao grupo – Cristal Destilaria Autônoma de Álcool (Cridasa), Destilaria Itaúnas (Disa) e Acúcar e Álcool (Alcana). O Banestes também estava analisando projeto semelhante, a ser fechado com a Cia. de Álcool de Conceição da Barra (Alcon), e já fazia negócios com a Usina Paineiras. Do início deste ano (2007) até meados de março, o Banestes contabilizava, nas linhas de crédito destinadas ao setor sucroalcooleiro, 88 operações, que alcançaram a cifra de R$  8,45 milhões, dizia a divulgação. Além das linhas de financiamento com recursos próprios, o Banestes disponibilizava, para empreendimentos de maior porte, recursos do BNDES específicos para a atividade.  Esta e outras matérias estavam no site www.es.gov.br
 
Falência
 
E no final de 2008, após anunciar a falência, o Grupo Infinity Bio-Energy, que havia comprado tudo  “fiado” , inclusive as usinas Disa e Cridasa no Espírito Santo e não tinha dinheiro para pagar “nem o garoto do picolé”, tentou entrar com pedido de recuperação judicial, para apresentar o seu plano de recuperação. Revelou que a partir da aprovação do plano em Assembleia Geral dos Credores, os pagamentos seriam devidamente equacionados.

Como o Espírito Santo tinha naquela ocasião, como governador Paulo Hartung, os representantes do Grupo Infinity, foram impedidos de dar entrada no pedido de recuperação judicial aqui na Justiça e foram expulsos do Estado, porque poderia respigar no governo capixaba.

Ninguém até a presente data soube explicar juridicamente, porque o Infinity, que cometeu os crimes aqui no Estado, foi impedido de dar entrada no pedido de recuperação judicial na justiça capíxaba? Porque o  Grupo Infinity teve que dar entrada em São Paulo com o pedido de recuperação judicial e para apresentar o seu plano de recuperação? O caso está na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central da Comarca de São Paulo. Queria saber como “o garoto do picolé”, vai receber do Infinity? Nem o STF pode explicar!
 
 Me engana
             
A situação dos 252 produtores capixabas de cana que forneceram o produto para as usinas do grupo Infinity "é dramática". Mas o Estado não tem condições de fazer muito mais do que já foi feito. Não fez nada! O Banestes quer é o pagamento do débito   que eles (produtores) têm com o banco. O débito é resultado dos financiamentos feitos pelos produtores, que foram orientados pelo governador Paulo Hartung  e cia, para investir nas lavouras de cana para vender para as usinas entre 2006 e 2007.  A dívida de R$ 12 milhões (valor de 20012) referente à cana fornecida e não paga pelo Infinity, deve estar em torno de  R$ 200 milhões em 2020.

Na região produtora de cana, no extremo Norte do Estado, onde estão os fornecedores da Cridasa e de outras usinas, praticamente não há diversificação agrícola. Quem não planta cana cria gado. Ou desenvolve as duas atividades. Poucos produtores plantam eucalipto. E alguns poucos começaram a apostar nos plantios de goiaba.  A dívida que o grupo Infinity tem com a Associação Regional dos Plantadores de Cana do Norte do Espírito Santo (Arplancanes) inviabilizou a assistência médica, hospitalar e famacêutica que era prestada aos 120 associados, todos moradores do distrito de Cristal do Norte.
           
CPI, onde?
 
O deputado estadual Marcelo Santos, em 2009, levantou a hipótese de propor uma CPI na Assembleia Legislativa do Espírito Santo-ALES para apurar as dívidas deixadas pelo grupo inglês Infinity Bio-Energy na região norte do Estado. Durante a sessão ordinária o deputado propôs a realização de uma audiência pública em Pedro Canário, onde fica sediada uma das usinas do grupo, para discutir a situação dos produtores capixabas e de regiões vizinhas de Minas Gerais e Bahia.  Entre os problemas apontados pelo deputado figurava o grau de endividamento dos produtores rurais dos municípios de Conceição da Barra, São Mateus, Montanha, Pedro Canário, Mucuri, que contraíram empréstimos para investir na produção da cana e estavam endividados com os bancos. “O desastre de grandes proporções está nas ruas: desemprego, produtores rurais descapitalizados e endividados”. Até hoje, em agosto de 2020, não foi apresentada a proposta de uma CPI.
 
 Eldorado da cana
 
Quem acreditou no ex-governador Paulo Hartung, que as regiões norte e noroeste, seriam um “eldorado da cana”, nunca poderia imaginar que estava sendo a vítima, de um golpe sujo, praticado pelo preso da Justiça do Rio de Janeiro, o ex-diplomata Sérgio Flores! Quem investiu, entre 2006 e 2007, no etanol nas regiões norte e noroeste  “deu com os burros na água”, perdeu tudo e ainda deve ao Banestes, que emprestou com uma mão e tomou com a outra! O reflexo da crise se alastrou nas regiões norte e noroeste. E para piorar,  a crise saiu do campo e chegou às zonas urbanas. A pobreza é geral! Sem a continuidade da produção, o cidadão deixa de fornecer a matéria-prima e não tem condição de arcar com as dívidas. Enquanto o comércio local sofre com a falta de demanda dos produtores rurais. Uma lógica devastadora no que antes se anunciara um “eldorado da cana”.
 
            Esperança
 
Aqueles que acreditam em ‘Papai Noel’, ‘Mula-Sem-Cabeça’ e ‘Saci-Perere’ precisam saber ou já sabem, que as três usinas só apresentaram resultados negativos. O tema é alvo de debates no campo e até na Assembleia Legislativa do Espírito Santo-ALES, onde uma comissão tentou – sem sucesso – intervir no pagamento dos débitos que variam entre milhares de reais com dezenas de produtores rurais (então fornecedores de matéria-prima) de financiamentos em aberto com o Banestes. O Banco só responde “eu quero o meu, com juros e correções monetárias”.
 Houve a expectativa de que com a venda do grupo Infinity para o grupo brasileiro Bertin, do Mato Grosso do Sul, ainda no decorrer de 2010,  as dívidas seriam pagas, porém o tempo passou e nada aconteceu, até oje, 21.08.2020.
 
Dados recentes
 
No dia 23 de julho deste ano, o site novaCana.com, publicou a seguite matéria:  A usina Alcana, localizada em Nanuque (MG), pode voltar a moer cana-de-açúcar depois de anos parada. Isso porque a Cia. De Álcool Conceição da Barra (Alcon), de propriedade de Nerzy Dalla Bernardina, arrematou a unidade em um leilão virtual, encerrado dia 17.07.2020.  A usina, com área de 48,40 há, pertencia à massa falida da Infinity Bio-Energia e foi arrematada por R$ 12,92 milhões.  O leilão autorizado pela 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central da Comarca de São Paulo.
De acordo com dados de especialistas economicos, as dividas do Infinity Bio-Energy só no Espírito Santo, somam mais de R$ 3 bilhões. De quem é a culpa?
 
 
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