06/09/2020 às 07h06min - Atualizada em 06/09/2020 às 07h06min

Plantio de maconha para fins medicinais gera desentendimento entre ruralistas

Presidente da bancada se declarou favorável a discutir o projeto sem preconceitos, mas ala conservadora discorda

Agência Congresso
Após o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), Alceu Moreira (MDB-RS), dizer que estava aberto ao debate, deputados conservadores o repreenderam. Foto: Divulgação

Um projeto que permite o plantio de maconha no país para fins medicinais, em tramitação na Câmara dos Deputados, provocou desentendimento na bancada ruralista.

Nos bastidores, Alceu Moreira vinha defendendo a colegas que se analisasse a proposta, por ser benéfica do ponto de vista do mercado. Na semana passada, ele disse que o ideal seria "ver esse assunto sem preconceito".


— Tudo isso gerou uma confusão grande. Não tem consenso dentro da FPA. Tem que amadurecer mais o debate — diz o deputado Hildo Rocha.Em reunião da diretoria da FPA nesta quinta-feira, ficou decidido que a frente não iria se posicionar sobre o projeto. O encontro contou com a presença do ex-ministro da Cidadania e deputado federal Osmar Terra (MDB-RS), que fez uma exposição contra a proposta. Terra é um ferrenho opositor do uso medicinal da maconha. Em novembro do ano passado, durante a discussão do tema na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Terra chegou a afirmar que uma possível liberação do uso da substância para cura de doenças abriria portas para "legalizar as drogas" no país.

— A decisão nossa é de que não vamos tratar desse assunto — diz Neri Geller (PP-MT), coordenador da frente. — Isso não tem nada a ver com o agronegócio, e a grande maioria é contra. A bancada, a diretoria, todos que estavam na reunião se manifestaram contra o projeto.No ano passado, a Anvisa aprovou o registro de medicamentos à base de maconha no Brasil para uso com fins medicinais. Na mesma ocasião, a agência arquivou a proposta que permitia o plantio da droga para produção de medicamentos. Na época, o argumento foi que o tema deveria ser debatido no Congresso por ser muito complexo.

Então diretor da agência, Antônio Barra, que hoje preside a agência, argumentou que a Anvisa não havia realizado estudos profundos e tampouco consultado adequadamente ministérios e autoridades relacionadas ao tema, tanto na área de Segurança Pública quanto nas áreas da Saúde, Economia e Agricultura. Barra, que foi indicado ao cargo pelo presidente Jair Bolsonaro, votou em consonância com o governo, que defendia manter a restrição do plantio.

 
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