11/09/2020 às 15h21min - Atualizada em 11/09/2020 às 15h21min

​Eleição em pandemia

A movimentação dos peões é que define a sorte do reino no tabuleiro

- Everaldo Barreto é professor de Filosofia
Tudo fica muito claro quando, passados dois meses da eleição, antes mesmo da posse dos eleitos, a maioria nem lembra mais em quem votou. Foto: Ilustrativa
Agora em novembro teremos eleições municipais, a primeira eleição depois do início da pandemia.

Momento de extrema importância para nosso pais, de saber o que todo esse movimento dramático que vivemos, pode deixar de aprendizado para que tenhamos chances de evitar novas tragédias e construir uma vida social mais sustentável.

Nesses seis meses de pandemia ficou claro a necessidade de termos representantes sintonizados com um momento de amadurecimento humano para a convivência diversa, harmônica e consciente.  

Percebemos que as diferenças políticas mesquinhas entre os governantes, sem a consciência da necessidade maior e imperiosa da defesa do bem comum, provocam desastres difíceis de mensurar.

A paixão, que se dá na população pelo jogo político, é cultivada e estimulada nas campanhas pelos próprios candidatos, e não deixa de ser uma forma de desviar a necessidade de uma reflexão mais profunda, da seriedade e consequência da escolha naquele momento crucial,devido aos seus reflexos perdurarem por quatro anos na vida desta população.

Não se trata de uma competição do meu time contra o outro, mas percebemos o comportamento de “torcidas organizadas”, voltadas aos candidatos e partidos, em que os componentes dessas torcidas não estão plenamente conscientes da importância de sua ação, mas motivados pela paixão de ter escolhido um lado numa disputa em que: o que está em jogo é ganhar ou perder.

Isto fica muito claro quando, passados dois meses da eleição, antes mesmo da posse dos eleitos, a maioria nem lembra mais em quem votou.

O cultivo da paixão, sublimando a razão, vem beneficiar os piores políticos, no geral sem conteúdos programáticos relevantes, esses impulsionam suas campanhas com chavões, clichês populistas e propostas vazias de condições de implementação, além de cores, símbolos, ritos e mitos, num claro vale-tudo para conquistar adeptos.

Somado a tudo isso temos ainda o fato da eleição municipal estar ligada a relações pessoais, o vereador que podemos chamar de - o verdadeiro detentor do voto - está mais próximo do eleitor, entra em sua casa, faz parte de sua comunidade, em suma, tem relação pessoal com ele, que no momento de escolher não relaciona sua candidatura, seu partido, suas alianças,à questões maiores da vida nacional, à economia, ao meio ambiente, às relações internacionais, e principalmente, à sistemas de governo.

O vereador está mais relacionado à sua rua, a seu bairro e questões ligadas ao serviço da municipalidade. Lamentavelmente às expensas do eleitor, é exatamente ali que se firmam as bases para a política nacional, onde estão os partidos, que uma vez fortalecidos, galgarão estruturas maiores como as Assembleias Legislativas e o Congresso Nacional.

Assim, para uma eleição consciente e consequente, principalmente frente à dificuldade do momento que atravessamos nessa pandemia, é fundamental que o eleitor seja um cidadão pleno, consciente de sua ação política e da importância dela para a vida em comum, que no momento de escolher seus representantes priorize a vida em sociedade,verificando o que seu candidato reflete à partir do conjunto político em que se comprometeu.

É preciso que o eleitor reflita sobre seu papel em toda essa construção, para que possa viver em paz com suas responsabilidades comuns na sociedade em que vive e constrói.

Para tal deixo aqui um bom conselho de Maquiavel:

O primeiro método para estimar a inteligência de um governante é olhar para os homens que tem à sua volta.

Na eleição municipal estaremos compondo esse entorno do governante maior, do nosso estado e do País, pois é da vereança, eleita ou não, que nascem os principais assessores de governança, os grandes cabos eleitorais e são fortalecidas agremiações, vinculadas a ideologias e sistemas políticos, para a hegemonia de governos.
 
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