14/09/2020 às 07h04min - Atualizada em 14/09/2020 às 07h04min

​No título do DJ, só tive olhos para a namorada do prefeito

Com todo o respeito, estonteante companhia.

- Perter Falcão
Pauta Livre Assessoria
Poucas rivalidades no Brasil de clubes esportivos amadores se igualam a Álvares e Saldanha. Foto: Ilustração.
Poucas rivalidades no Brasil de clubes esportivos amadores se igualam a Álvares e Saldanha. Presenciei isso durante os 15 anos que trabalhei na redação de A Gazeta.

Jamais usava vermelho quando ia ao Álvares e, tão pouco, preto quando fazia reportagem no Saldanha.

É rivalidade centenária que começou com modalidades aquáticas na Baía de Vitória, como o remo e o waterpolo, antes mesmo de o futebol cismar de chegar à capital.

Tive mais amigos no Saldanha, devo confessar. Mas sempre fui muito bem recebido no Álvares e demais clubes amadores da Grande Vitória.

Pois bem. o Álvares disputou a final do Metropolitano de futsal contra o DJ Transportes, no início da década de 1990, no aconchegante Ginásio da Arci, no Ibes, totalmente lotado.

Cobri o jogo da área vip, sentado ao lado do Max Filho e sua, com todo o respeito, estonteante companhia.

Saboreei e guardo até hoje, o sorriso lindo da moça loira ao recolher e jogar, posteriormente, os papéis da torcida que coroavam nossas cabeças.

Ela sentia-se anônima, mas nem sabia que eu desviava o olhar da quadra para admirá-la. 

Que me perdoem os anfitriões, o presidente Djar; o técnico Darci Amaral; e os jogadores Quebra Vasos, Fernando, Dudu, Valci, Delinho, Zé Carlos Cambota, Cacau, Marquinhos Pororô, Franzini, Luizinho, Marcelinho, Marquinhos 50. 


Eu não estava, na verdade, nem aí. Queria mesmo era olhar a loira que acompanhava o Max Filho.

No intervalo, serviram cerveja gelada e churrasquinho. Então, esqueci, durante 15 minutos, a loira estonteante.

Rapidinho, escrevi texto sobre o primeiro tempo no bloquinho, logicamente sem os placares, anunciando o DJ Transportes (que já havia estufado as redes duas vezes e registrado campanha impecável), campeão. 

Pressenti: “Isso vai me facilitar muito a vida na redação”.

DJ venceu e foi realmente campeão. Moradora de Vila Velha, a loira vibrou bastante. Meus olhos, nesta hora, desmancharam a seus pés diante de glamorosa espontaneidade.

Mas acontece que nesta hora o trânsito estava caótico e o motorista que iria me buscar ficou enrolado, cobrindo crime em Terra Vermelha. 

Fui avisado pela galera da TV Gazeta, alertada, por rádio, pelo secretário de redação do jornal, o saudoso Vinícius Seixas, que me sugeriu encontrar carona ou pegar um táxi, algo impossível no meio daquela multidão.


Na comemoração, a cervejinha e o churrasquinho correram soltos. Olhava do lado e a única carona que parecia possível era de dirigente influente do Saldanha e “peixe” meu.

O jornal, pronto para fechar. Pensei: “Ou administro bem a situação, ou, perco o emprego”. 

Sugeri ao amigo do Saldanha que me desse a carona e o alertei sobre minha pressa. É que 20 linhas me esperavam, com chamadinha na primeira página. A foto já estava diagramada desde a primeira etapa da peleja.

Embarcamos. Eu com uma latinha na mão.  Ele rindo à toa com a derrota do Álvares. Cruzamos rapidamente a Terceira Ponte.

Olhei no pulso e o relógio indicava uma hora para o fechamento do jornal.

Chegamos em frente ao ´Álvares e ele freou bruscamente, sem maior explicação.  Pensei: “enfartou de tanta emoção”.

Nada disso. Ele abriu a porta e caminhou até o canteiro central da Mascarenhas de Moraes. Sem cerimônia, com os braços, enviou “bananas” para o coirmão centenário.

Pensei: “Vou atrasar, perder o emprego, e comer bananas para o resto da vida”.

Mas deu tudo certo. Afinal a matéria estava escrita no bloquinho. Bastou colocar o placar final, os gols da segunda etapa e datilografar em três laudas, sem esquecer o papel carbono novinho.

Missão cumprida, fui andando pela Paulino Muller em direção à minha casa em Santa Cecília.

No caminho, ouvi um grito. Era meu amigo saldanhista degustando caranguejos no antigo Bar do Davi e comemorando a vitória do DJ. 

Fiquei por ali mesmo. Até quase amanhecer. Não se abandona amigo em bar impunemente. Concorda?

No outro dia, mesmo com dor de cabeça avassaladora, só pensava nas bananas e, logicamente, na estonteante namorada do prefeito de Vila Velha. Com todo o respeito, é claro.



 
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