14/09/2020 às 16h21min - Atualizada em 14/09/2020 às 16h21min

Cientistas encontram possível evidência de vida extraterrestre em Vênus.

Presença de gás fosfina, produzido por bactérias que vivem em ambientes inóspitos, na atmosfera do planeta foi descoberta por equipe internacional

Ciência Todo Dia
A hipótese de vida em Vênus é antiga e já foi levantada por diferentes astrônomos como Carl Sagan, morto em 1996. Foto: Ilustração
Cientistas anunciaram nesta segunda-feira a descoberta de gás fosfina em Vênus, um forte indicador da presença de vida no planeta. As evidências foram publicadas no periódico científico Nature Astronomy. Na Terra, o composto químico é produzido por bactérias que vivem em ambientes com escassez de oxigênio, como é o caso da atmosfera venusiana.
 

— Eu fiquei muito surpresa. Estupefata, na verdade —  afirmou a astrônoma e professora da Universidade de Cardiff, no País de Gales, Jane Greaves, que liderou os trabalhos.

A existência de vida extraterreste é um dos maiores questionamentos da ciência. A descoberta do gás fosfina em Vênus foi feita por um time internacional de cientistas no Telescópio James Clerk Maxwell, no Havaí, e confirmado por meio do rádiotelescópio Alma, no Chile. Esta é a primeira vez que este composto é descoberto em um planeta telúrico do Sistema Solar, com exceção da Terra. 

O gás, formado pela combinação de fosfato com três átomos de hidrogênio, é considerado altamente tóxico para seres humanos. A concentração encontrada na atmosfera de Vênus é de 20 partes por bilhão.Jane explica que os pesquisadores avaliaram possíveis fontes não biológicas, como atividade vulcânica, meteoritos e diversas reações químicas, mas nenhuma pareceu viável.

As pesquisas continuarão com o intuito de confirmar a presença de vida no planeta ou encontrar uma explicação alternativa.— Com base no que sabemos sobre Vênus, a explicação mais plausível para a presença do gás fosfina, por mais fantástica que pareça, é a presença de vida — disse Clara Sousa-Silva, co-autora e astrofísica molecular do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (EUA).

— É preciso enfatizar, no entanto, que a hipótese de vida (extraterrestre) deve ser encarada como o último recurso. A descoberta é importante porque, se for o caso, isso significa que não estamos sozinhos e que a vida por si só pode ser muito comum. Pode haver vários outros planetas habitados em nossa galáxia.Vênus é o planeta mais próximo da Terra. É similar em estrutura, embora ligeiramente menor, e é o segundo planeta mais próximo do Sol, enquanto a Terra é o terceiro. A atmosfera venusiana é tóxica e densa e retém o calor. A temperatura na superfície chega a 471°C, o suficiente para derreter chumbo. A pressão atmosférica é 90 vezes maior do que a terrestre.

— Nenhuma forma de vida poderia sobreviver na superfície de Vênus, que é completamente inóspita, até mesmo para bioquímicas completamente diferentes das nossas. Mas o planeta pode ter tido vida há muito tempo atrás, antes do efeito de gás estufa deixar a maior parte da superfície completamente inabitável — completou Clara.

A hipótese de vida em Vênus é antiga e já foi levantada por diferentes astrônomos como Carl Sagan, morto em 1996. No entanto, a maioria dos cientistas se concentrou em outros planetas, como Marte, e luas como Europa (Júpiter) e Encélado (Saturno). Embora tenha enviado sondas ao planeta batizado com o nome da deusa grega da beleza, a Nasa, a agência espacial dos Estados Unidos, deu bem menos atenção ao astro.
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