22/09/2020 às 20h18min - Atualizada em 22/09/2020 às 20h18min

​Assassino de John Lennon pede desculpa, 40 anos depois

Mark matou o ex-Beatles em 1980 por "raiva e ciúmes" e pede desculpa a Yoko pelo ato "desprezível"

Diário de Notícias
O crime, que a 8 de dezembro completa 40 anos, ocorreu em Nova Iorque com Chapman a atingir Lennon com vários tiros, enquanto Yoko Ono, companheira do ex-Beatles, estava ao lado. Foto: Ilustração
Mark David Chapman, o homem que matou John Lennon em 1980, viu a liberdade condicional ser negada pela 11ª vez durante uma audiência no mês passado na qual pediu desculpas a Yoko Ono e disse que disparou sobre o cantor dos Beatles para alcançar "glória", de acordo com uma transcrição da audiência citada pela televisão ABC. 

Na audiência, Chapman justificou o homicídio com o facto de estar "zangado e com ciúmes" com a forma como John Lennon vivia.

O crime, que a 8 de dezembro completa 40 anos, ocorreu em Nova Iorque com Chapman a atingir Lennon com vários tiros, enquanto Yoko Ono, companheira do ex-Beatles, estava ao lado. 

Minutos antes Lennon tinha dado um autógrafo ao homem que o viria a matar. 

Agora, o condenado pede perdão a Ono pelo ato que classificou como "desprezível".

"Só quero que ela saiba que conheceu o marido como ninguém e sabe o tipo de homem que ele era. Eu não. Eu julguei-o por um livro e matei-o. Sinto muito pela dor que causei. Penso nisso o tempo todo"; disse na audiência.

Isso não foi suficiente para convencer os agentes da liberdade condicional que consideraram que a sua "libertação é incompatível com o bem-estar da sociedade." Além disso, criticaram as palavras de Chapman: "A sua declaração é perturbadora. As suas ações representaram um ato perverso. O facto de hoje, quase 40 anos depois, ainda falar do que fez como algo que considerou positivo, e que na sua mente trouxe 'glória', é perturbador para este painel."

Mark David Chapman já passou mais anos de vida preso do que em liberdade. Tinha 25 anos quando cometeu o crime e cumpre uma pena de prisão perpétua, com a opção de pedir a liberdade condicional ao fim de 20 anos. Já pediu por 11 vezes e foi sempre negada.


Nesta audiência, relata a ABC, Chapman mostrou-se arrependido e procurou justificar o seu ato:

"Na época, pensava que Lennon tinha todo aquele dinheiro, morava num lindo apartamento e vivia da música. Era uma vida generosa", disse Chapman aos comissários da condicional.

"Isso deixou-me com raiva e ciúmes em comparação com a maneira como eu vivia na época. Matei-o porque ele era muito, muito famoso e essa é a única razão. Eu procurava a glória pessoal, fui muito egoísta."

"Só quero reiterar que lamento o meu crime", disse Chapman ao conselho de liberdade condicional do Centro Wende, em Nova Iorque. "Não tenho desculpa. Acho que o pior crime que pode haver é fazer isto a uma pessoa inocente", acrescentou.

Mark David Chapman, agora com 65 anos e casado, nasceu em 1955 no Texas, filho de um militar e de uma enfermeira.

A infância foi marcada por abusos sexuais e psicológicos, e durante a juventude tentou cometer suicídio. Em 1980, comprou a arma três meses antes do homicídio e deixou a sua mulher no Havai para ir para Nova Iorque.

Convenceu-a que precisava de "um tempo para se encontrar" mas confessa agora que tinha já decidido que iria matar. Se não fosse Lennon, escolheria outra pessoa famosa. Daqui a dois anos pode novamente pedir a liberdade condicional.


 
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