25/09/2020 às 08h20min - Atualizada em 25/09/2020 às 08h20min

O dia em que Gratz atrasou feijoada no 38º BI do Exército

No universo profissional me dei bem com maioria dos comandantes

- Perter Falcão
Aguardamos o convidado especial, durante mais de uma hora, para a primeira garfada na feijoada: o presidente da Assembleia Legislativa, José Carlos Gratz.Foto Arquivo TV Gazeta

A ideia de servir ao Exército me atormentava. Aos 17 anos, gostava mesmo era de rock, cerveja, caipirinha e jogar pelada na rua, repleta de paralelepípedos, que dispúnhamos. 


Torcia pela redemocratização do país e comemorava a aprovação das Diretas Já. Era sedentário e tinha muitos pesos extras.  

  
A apresentação foi um dia depois do lançamento do livro do Sergio Blank, “Estilo de Ser Assim, Tampouco”, em 1984. Curti o coquetel, na Cidade Alta, meio preocupado.  

  

Morava em Santa Cecília e peguei o busão lotado, no Terminal Dom Bosco.  

 

Meu primeiro constrangimento do dia foi passar pela roleta, que esmagou minha pança, para delírio da rapaziada.  

  

No ginásio do 38º Batalhão de Infantaria ficávamos de um lado da arquibancada. Do outro nos aguardavam os cadastradores.  

  

Quando gritavam nossos nomes tínhamos que correr cerca de 50 metros até o outro lado.

Ao chegar minha vez, gargalharam um bocado. Foram minutos dolorosos.  E de fadiga intensa. Suei à força o vinho ingerido no lançamento do livro do saudoso poeta.  

  

O médico pediu para eu subir na balança. Pesei 113 quilos. Ele, gentilmente, me liberou do Exército, alegando que eu tinha “pé chato”.  

  

Olhando o médico, durante dez segundos, foi a única vez na minha vida que pensei em ser veado.  

  

Do meu lado, rapazes choraram ao serem dispensados. O salário e a vida militar era tudo o que precisavam naquela idade.   

  

Naquele momento entendi um pouco mais da vida.  

  

Mas o fato é que eu salvei minha pele no primeiro grande desafio da minha existência. No último: aposentar antes de morrer, acho difícil. Pressinto que não conseguirei nem com reza brava.  

  

Quando trabalhava em A Gazeta cobri umas dez edições do Triathlon do Exército. Assessorando a Confederação Brasileira de Triathlon (CBTri), mais 11.  

  

No universo profissional me dei bem com maioria dos comandantes do 38º BI.  Algo que não posso dizer dos atletas e seus egos inflados.   

  

Um dia, Carlos Fróes, principal responsável pela realização de, pelo menos, 28 edições da prova, me convidou para almoço no 38º BI. Meti até um blazer, mal encaixado no corpo que, desta vez, comportava 120 quilos.  

  

Quase derreti de calor.   

  
Famintos e meio sem graça, todos (incluindo o comandante e seus mais próximos subordinados de alta patente), aguardamos o convidado especial, durante mais de uma hora, para a primeira garfada na feijoada: o presidente da Assembleia Legislativa, José Carlos Gratz.  



 
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