07/10/2020 às 07h37min - Atualizada em 07/10/2020 às 07h37min

Nos meus 5 anos com o descobridor da Gisele, o arroz nunca valeu ouro

A agência do Dilson é considerada uma das melhores do mundo

- Perter Falcão
Pauta Livre Assessoria
Gisele Bündchen e Dilson Stein. Foto: Divulgação

Durante cinco anos assessoramos, no Espírito Santo, os eventos do Dilson Stein, o “descobridor” da Gisele Bundchen. Aprendemos muito com o cara de projeção internacional.  

Soubemos rapidinho que a Gisele não deve ser chamada de “modelo”. O correto é Ubermodel. Para que acrescentamos isso ao nosso conhecimento, sinceramente, não sei, parceiro. Mas, “faz parte”. 

Alguns fatos ficaram desta convivência. Um dia estávamos no escritório, em Jardim Camburi, e chegou carro dos Correios para nos entregar três caixas enormes com camisas, cadernos, agendas, canetas e mochilas, sem sequer sabermos quem nos havia remetido. 

Achamos estranho para caramba, mas horas depois veio a ligação que deveríamos deixar as caixas no hotel do representante do Dilson.  

Putz, pensamos: o que seria, então, da “Convenção de Modelos” se não estivéssemos ali? Foi sorte pura. 

Na época assessorávamos também a Desportiva, a Confederação Brasileira de Triathlon e a Federação de Beach Soccer e, portanto, pouco parávamos no escritório.

Este pessoal do mundo da moda é muito veloz. Pode crer.  Geralmente, em outra cidade, nos pedia para comprar chip de celular e enviar pelos Correios.

De lá fazia as contratações necessárias para o evento.

A “Convenção de Modelos” é, mais ou menos, assim: o pai ou a mãe levam, na inscrição, cinco quilos de arroz, que são doados, e a modelo é avaliada. 

O representante do Dilson faz a transmissão daqui e ele observa lá em Curitiba. Mas ele também seleciona pessoalmente. Conosco ocorreu uma vez, em Vila Velha. 

Se passar no teste regional, é encaminhada para as maiores agências do país.  

Se for aprovada, após observações rigorosas, é contratada. E pode atuar, futuramente, nas principais agências do planeta.  

A agência do Dilson é considerada uma das melhores do mundo neste aspecto. Com a crise financeira não sei como anda hoje. A moda foi afetada de forma determinante é o que tenho lido.

Assessoramos quatro convenções em Vitória, uma em Vila Velha, Cachoeiro e Linhares. 

Em uma edição meu telefone celular entrou junto da matéria para contatos. Recebi dezenas de ligações naquele final de semana e minha vida virou um inferno. 

 Algumas ligações bem sugestivas de mamães afoitas. Mal sabiam que, pobre de mim,  só sei selecionar, mais ou menos, a marca da cerveja.

Teve edições que avaliaram mais de 2 mil candidatas a modelo. Imagine o quanto arrecadaram de arroz?  

 Os sacos ficavam em sala do hotel que sediava o evento. E a Kombi da instituição de caridade tinha que dar, às vezes, três viagens. 

 Naquela época, arroz não custava ouro. E a galera doava sem problemas.

Só podiam participar meninas e meninos com mais de 13 anos, mas as mamães forçavam a barra, levando gente de oito, nove e dez anos.  

 Alegavam que as meninas “levavam jeito e sonhavam em ser modelos desde que nasceram”. Deus do céu! 

 Olhando bem, algumas nem sabiam o que faziam ali. 

 Apareciam nas convenções gente de todo o Espírito Santo e também de cidades vizinhas de outros Estados.

Era fácil observar que o que buscava a equipe do Dilson era meninas altas e magras e com rosto diferente, expressivo.  

 Baixinha só se tivesse rosto absurdamente lindo.

Acontece que mais de 99% das meninas que apareciam lá não tinham nenhum dos requisitos.  

 Resultado: das sete edições que trabalhamos, o número de meninas aprovadas não chegou nem ao dos dedos das mãos.  

 Mas pelo menos arrecadou-se muito arroz. Se acontecesse nos dias atuais, as instituições filantrópicas teriam pequenas fortunas em suas dispensas. Não é verdade? 

 Um dia o ator Sidney Sampaio de Souza, com quem Dilson tinha parceria, esteve em Vitória para ministrar palestra. O Dilson ficou chateado porque não “cobrimos” o evento, que aconteceu em um final de semana “daqueles” repleto de violência, praia e notícias a cada esquina. Entendi o lado dele. 

 Mas, não fomos pautados. E nem combinamos o “cascalho”. Perdi a conta, mas preservei o bom senso. Até hoje duvido se emplacaria em algum lugar matéria com o ator Sidney Sampaio de Souza. 

 E a vida seguiu. Não sou muito bom para o mundo fashion. Não precisam nem me dizer.  

Mas, de modo geral, foi bom estar perto do descobridor da Gisele. Sujeito visionário que, mesmo sem arco-íris, sabe onde está o pote de ouro. 

 

  

 




 

 
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