05/12/2020 às 13h38min - Atualizada em 05/12/2020 às 13h38min

A distante educação à distância

Educar à distância é, mais ou menos, como abraço virtual, só teoria.

- Everaldo Barreto Moura é Pensador e professor de Filosofia
Filosofia na Veia
​A realidade é que a única solução é mesmo a vacina que todos aguardamos ansiosamente. Foto: Ilustração Web
Nesse ano de 2020 temos aprendido, por conta da pandemia do Novo Corona Vírus, muitas novas formas de nos relacionar e de viver. Muitas delas se tornarão permanentes, outras precisamos nos livrarurgentemente.

As reuniões burocráticas por exemplo ficaram muito mais simples, baratas e funcionais com o uso das tecnologias, os eventos artísticos e culturais descobriram uma forma de atingir muito mais pessoas unindo as presenças físicas com as virtuais e até atendimentos psíquicos e clínicos se apropriaram muito bem dessa nova ferramenta de trabalho e forma de relacionamento.

Também vale citar a questão do trabalho em casa, adotado como necessário e depois percebido como conveniente pelas empresas e profissionais.

Já para a educação o que estamos percebendo é que uma tendência anterior à pandemia tem se aproveitado do momento para se estabelecer cada vez mais como verdade.

A modalidade de ensino à distância, que vinha sendo apropriada por empresas do ramo que, muito mais que educar, enquanto empresas, no fundo visam lucro, encontraram aíuma substancial redução de custos levando à competitividade frente a concorrência do mercado.

Mas se formos buscar nos estudos mais comuns dessa área veremos que educar não se resume a entregar conteúdos, que é fundamental a empatia, a provocação do desejo de aprender, o exemplo e a percepção pelos educadores da realidade de cada educando em sua particularidade existencial, que jamais será exposta numa relação virtual, uma vez que necessita de uma leitura integral da linguagem desse educando, de uma percepção de sua realidade, dentre outras percepções.

Devido a prorrogação, ainda por tempo indefinido, da necessidade de distanciamento social para evitar o contágio, já é muito comum a expressão “estou cansado disso” e a resposta: “pena que o Vírus ainda não se cansou” e, a triste verdade de que “ele nunca vai se cansar”.

A realidade é que a única solução é mesmo a vacina que todos aguardamos ansiosamente, mesmo sem saber se depois dela não chegará um “super novo” para substituir o Novo Corona Vírus ou outro vírus qualquer.

Numa visão fora do pensamento cartesiano podemos entender que a natureza, a que fazemos parte nós e os Vírus, chama a nossa responsabilidade para a necessidade de equilíbrio na convivência de todos os seres do universo, e que a razão humana se tornou seu maior adversário, seja por nossa forma de viver explorando o meio ambiente em todas as suas dimensões ou a maneira irresponsável que descartamos nossos resíduos que são produtos extraídos da natureza e modificados, impondo grande dificuldades para suas reabsorções por ela.

Assim, aliado a ansiedade de “retorno” a vida comum, ao exercício latino de misturar nossos corpos em abraços e deliciosas aglomerações, está a incompreensão do “recado essencial” da natureza sobre a possibilidade da vida harmônica e equilibrada, sem a visão egoísta de domínio e exploração pela humanidade, atudo que nos cerca.

Para isso a educação se faz fundamental, mas não uma educação produto comercial, educação comprometida com o ser em sua vida, no sentido de aprimorar sua visão de mundo e de si mesmo, além da capacidade crítica de análise da sociedade em que vive e seus valores, nem sempre naturais e apropriados ao equilíbrio e harmonia necessários à felicidade comum.

Educação para viver melhor e não utilitária ao funcionamento da sociedade.

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