07/01/2021 às 06h08min - Atualizada em 07/01/2021 às 06h08min

Paulo Valle: "Inspiro-me na vida, observando-a e vivenciando as coisas"

O compositor completou 80 anos atravessa gerações compondo grandes canções

- Peter Falcão
Pauta Livre Assessoria
Espirito Santo é um dos estados que eu mais gosto do Brasil, afirma Paulo Valle autor de sucessos inesquecíveis da MPB. Foto: Divulgação

 

 

Sua canção “Samba de Verão”, feita em parceria com o irmão, Marcos Valle, é uma das três mais executadas fora do Brasil, juntamente com “Garota de Ipanema” e “Aquarela do Brasil”.  

Para se ter ideia, esta música teve mais de 80 gravações nos Estados Unidos e até hoje é ouvida em várias partes do planeta. 

Paulo Sergio Valle, que completou, em agosto último, 80 anos, atravessa gerações compondo grandes canções, como ”Preciso Aprender a Ser Só”,  “Viola Enluarada”, também com o irmão Marcos Valle; e “Se Eu Não Te Amasse Tanto Assim” e “A Lua Que Te Dei”, com Herbert Vianna, somente para citar algumas. 

Com inspiração transbordante, faz jingles, músicas para aberturas de programas, trilhas para novelas e até hino para clube de futebol (Goiás).

São mais de 1000 canções em sua carreira, que começou na época da Bossa Nova. 

O grande artista também tem sete livros publicados e preside atualmente a UBC (União Brasileira de Compositores). 

Paulo sempre teve forte ligação com o esporte. Foi um dos primeiros surfistas do Brasil e integrou a primeira geração de triatletas. Até hoje, diariamente, faz questão de pedalar, nadar e correr toda manhã. 

Curiosamente, conheceu o Espírito Santo quando pilotava avião. E depois voltou de ultra leve. Na entrevista abaixo, ele nos fala de tudo um pouco. E deixa escapar grande carinho pelo Estado e, especialmente, pelo seu povo. Vamos conferir? 

Entrevista: 

 

*O senhor sempre teve grande ligação com esportes conectados à natureza... 

- Verdade. Fui um dos primeiros surfistas do Brasil. Corri sete maratonas. Participei de várias travessias aquáticas desde a primeira Travessia de Copacabana. 


*Foi também um dos primeiros a praticar triathlon no país... 

- Passei 15 anos competindo em triathlon. Fiz várias viagens de bicicleta pelo Brasil, pela Europa e África. Essas viagens de bicicleta sempre com minha mulher Malena, com quem estou junto há 50 anos, que também é ciclista. E outras atividades que nem me lembro mais... 


*Praticar triathlon naquela época não devia ser simples... 

Era uma verdadeira aventura, porque até mesmo faltava um pouco de conhecimento dos treinamentos. Era tudo meio no peito e na raça. 


*Como se inspirou para tantas canções de grande relevância na música brasileira? 

Inspirei-me na vida: observando-a e vivenciando as coisas. 

*E “Samba de Verão”, a terceira música brasileira mais tocada lá fora. Como foi o processo de criação? 

Marcos Valle, meu irmão, e eu, morávamos juntos à época que fizemos essa canção. Ainda me lembro bem do Marcos sentado ao piano e eu ao lado com papel e caneta escrevendo a letra. Mexe daqui, mexe dali, saiu uma canção que parece ter emocionado muita gente. 

*Nos fale, por gentileza, sobre direitos autorais... 

- Sempre recebi meus direitos autorais. Nada tenho a reclamar do ECAD ou da União Brasileira de Compositores. Aliás, eu sou atualmente o presidente dessa grande sociedade (UBC), que auxilia atualmente compositores afetados pela Covid, ao lado de parceiros. 


*O senhor tem alguma ligação com o Espírito Santo? 

- Estive muitas vezes no estado do Espirito Santo. Eu fui piloto comercial da Cruzeiro do Sul e tínhamos uma linha de voos para Vitória. Bem mais tarde, fiz vários voos de ultra leve do Rio para Guarapari e Vila Velha. 


*Muitos reclamam da falta de grandes composições na atualidade... 

- Eu acho que cada geração tem sua trilha sonora. Atualmente, a música está um pouco pobre, mas ainda é possível ouvir grandes clássicos da MPB. 


*A mídia boicota de certa forma? 

- Creio que não. Hoje em dia toca-se de tudo e o acesso à música é até mais fácil. Eu mesmo sou grato à mídia pelo sucesso de duas das minhas mais recentes músicas: Se Eu Não te Amasse Tanto Assim (parceria com Herbert Vianna) e Evidências (parceria com José Augusto). 


*Como é sua rotina atualmente? 

- Pela manhã corro, pedalo e nado. Na parte da tarde, escrevo (tenho sete livros publicados), componho (se vier alguma ideia) e leio. 


*Por favor, seu recado final aos capixabas... 

- Do fundo do coração, o Espirito Santo é um dos estados que eu mais gosto do Brasil. O povo capixaba é muito gentil e eu sempre fui muito bem tratado no vosso Estado. Em breve voltarei a Vila Velha e Vitória. 


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