20/01/2021 às 10h41min - Atualizada em 20/01/2021 às 10h41min

Vanuza Ferreira: caso de amor incondicional com o esporte

As atividades da Vanuza foram desenvolvidas por pura abnegação

- Peter Falcão
Pauta Livre Assessoria
Vanuza com a tocha olímpica em Vila Velha (ES). Fotos: Álbum Familiar. Reprodução - Peter Falcão
 
Vanuza desde muito cedo se conectou com atividades esportivas, algo que ocorreu também na adolescência e na fase de estudante universitária.  

Na idade adulta, Vanuza treinou equipes nos mais variados pisos, conquistou títulos, revelou talentos e revolucionou: foi a primeira mulher a treinar e dirigir seleção no tradicional Campeonato Estadual de Futebol de Areia, em 2011. 

Quase todas as atividades da Vanuza foram desenvolvidas por pura abnegação. O amor ao esporte a fez também participar como voluntária de alguns dos maiores eventos do planeta, como as Olimpíadas e as Paraolimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016. 

Vanuza tem muito a nos falar, nestes tempos tão pouco solidários. Vamos conferir na entrevista abaixo? 

Entrevista: 


*Como a senhora começou no esporte? 

- Fiz parte de uma equipe de voleibol em Guaçuí já perto de eu vir para Vitória cursar Educação Física na UFES. Futebol jogava nas ruas de paralelepípedo na frente de casa com meus irmãos e vizinhos, brincávamos muito. Mas competir mesmo só no voleibol.
Na semana de eu vir para Vitória montaram uma equipe feminina de futebol de campo, mas não tive como participar, já estava embarcando. 

*E na UFES? 

- Na Ufes eu joguei de tudo um pouco para participar dos JUNES, inclusive, tênis de mesa. Nos anos de 1990 fui convidada para fazer parte da equipe feminina, com professor Raphael, do Santo Antônio Futebol Clube. Com o tempo essa equipe passou a ser chamada ECSA (Esporte Clube Santo Antônio) e de “jogadora” passei a ser preparadora física e logo a frente psicóloga e treinadora, acumulei funções. 

*Quais eram as atividades da equipe? 

- Disputávamos campeonatos de futebol de campo, areia e quadra. Tendo ênfase na areia, onde obtivemos vários títulos tanto no campeonato de verão da PMV quanto nos promovidos pela federação. 

*E depois? 

- Fui convidada em 2005, creio eu, a ser técnica da equipe do Pegasus nosso maior rival, mas que sempre tivemos muito carinho e respeito, tanto que recebi o convite. Participamos do primeiro Circuito Banco Popular do Brasil de Futebol de Areia, creio que foi o único. Nos moldes dos circuitos de vôlei de praia, etapas regionais, até a nacional, sendo a final, e fomos campeãs Brasileira. 

 
*Que bacana... 

- Depois, fui técnica das equipes feminina e masculina da Escola de Craques Bruno Malias, tendo obtido o segundo lugar no Campeonato da Divisão Especial da Prefeitura de Vitória. Campeonato esse em que participavam a nata do beach soccer brasileiro, pois aqui era e será sempre um celeiro. 


*História rica... 

- Daí, chegamos em 2011, eu treinando os Meninos da Vila, aquela garotada maravilhosa e talentosa da curva de Itapuã, procurei a Prefeitura de Vila Velha para tentar montar uma equipe para disputar o Estadual, nem me ouviram mesmo sendo funcionária da Instituição, faz parte né!  

*Como surgiu Guaçuí? 

- Se a cidade onde moro e treino não nos aceitou, corri para onde nasci, Guaçuí, e recebi o direito de usar o nome e os uniformes, com ajuda de Camila (treinadora e professora de Educação Física da cidade) em contato com a prefeitura. Guaçuí se classificou na primeira seletiva e Vila Velha na segunda, mas acabou campeã do Estadual.

Guaçuí ficou em sexto lugar, no evento que contou com oito seleções e duas seletivas, com mais de 15 times. Fui única mulher até o momento a treinar e dirigir seleção no estadual de futebol de areia, que já tem 23 edições. 

*Foi sua única vez no Estadual... 

- Resolvi me desligar, muito feliz pelos resultados, mas chateada com o descaso. Com uma vida pela frente, graças a Deus, passei em concurso público de outras instituições. Com tempo curto, não assumi mais nenhuma equipe. Muitos alunos me pedem para voltar, mas o tempo fica apertado, pois, trabalho em duas instituições de ensino, quem sabe depois que me aposentar, está perto! 

*Como avalia a fase no futebol e outras modalidades... 

-Toda trajetória no futebol foi enriquecedora, empolgante e de muito aprendizado, inclusive, do que acontece fora das quatro linhas e que fogem do nosso alcance. Hoje sigo a trajetória de sucesso e uz de Gabriela Zanotti, com privilégio de assistir aos seus jogos e vê-la passando a bola com a maestria de jogadas que nos abrilhantava na areia, vide um lance de gol na final desse ano. Gabi jogou no ECSA tanto campo, quanto areia, e era e é admirada pelo seu talento e simpatia, ela e toda família aliás, bate saudades. 

 

*Como foi nos Jogos Olímpicos Rio 2016? 

- Em 2009, quando Brasil foi selecionado para sediar as Olimpíadas e Paralimpíadas eu comecei a pesquisar como ser voluntária, fiz todas as inscrições e passei por todas avaliações que enviavam na época. Assim como quando lançaram a Campanha de Seleção de Condutores da Tocha Olímpica me inscrevi também e fui selecionada para os três.  

*Que bacana... 

- Algo indescritível todos os e-mails que recebi me comunicando que eu havia sido selecionada. Conduzi a Chama Olímpica aqui na orla da Praia de Coqueiral de Itaparica, com muita felicidade e gratidão, possuo a minha como recordação desse momento. 

*E na Olimpíada? 

Fui voluntária olímpica na Arena de Treinamento do Taekwondo, logo, fiquei mais tempo lá pois fui desde a chegada da primeira delegação e voltei no final das Olimpíadas com a medalha de Ouro no futebol masculino. Na arena de treinamento do taekwondo, tinham treinos de outras modalidades como boxe, esgrima e levantamento de peso. Mais à frente tínhamos as competições de tênis de Mesa e badminton. Assisti um pouco de cada um mais o mais emocionante foi a final do Boxe em que o Brasil foi ouro com Robson Conceição, momento ímpar da arena lotada gritando “é campeão!”. 

*Emocionante! 

- Eu estava na minha arena de treino, finalizando meu plantão e ouvi os gritos, corri para a arena de competição do boxe no Riocentro, quando cheguei lá estava no final, foi choro para todos os lados, inclusive o meu. 

*A senhora conferiu de perto muitos eventos... 

- Recebíamos da chefia direta alguns ingressos, porque, mesmo sendo voluntária, só podíamos entrar em eventos dentro das arenas que trabalhávamos, as outras só com ingresso. Ganhávamos alguns e tive oportunidade de assistir esportes que eu nunca assisti ao vivo como Nado Sincronizado, Polo Aquático, Tênis de Mesa, Levantamento de Peso e Boxe. 

*E nas Paralimpíadas? 

- Nas Paralimpíadas trabalhei no velódromo, esse sim, divino! Algo de elevar a alma de que ama esporte. A palavra que representa é super ação. São super heróis e heroínas. A precisão e talento são algo que não vemos em alguns atletas, mas eles são muitos mais, uma percepção que me encanta. 

*E as disputas? 

- Lá assisti várias competições no velódromo onde trabalhei, natação e me encantei com a Bocha Paralímpica. Assisti às medalhas de prata no BC4 e de ouro no BC3, encantador e sem palavras. 

*Quais são seus planos para o futuro? 

- Tenho orientado algumas alunas(os) que me procuram, quem sabe assim que me aposentar ... retorno! Mas hoje minha paixão, além da minha profissão de professora de Educação Física, é cuidar das minhas cachorrinhas, com desejo de estender esse amor e cuidado a outros que precisam de ajuda. 

*Valeu à pena? 

- Quando olho para o espelho vejo em cada ruga, em cada traço, marcas de tudo que vivi e vivo abençoadamente e o que me vem são lágrimas de felicidade e, principalmente, de gratidão por tudo que vivi e que posso ter a oportunidade de dar continuidade no momento certo. 

*Interessante... 

 -Agradeço a tudo que meu amor pelo esporte me ofereceu e oferece. 

Se tive algum talento, foi de ter sempre ao meu lado pessoas talentosas. Quantos treinos com sol ou chuva, de noite e ao meio dia, porque, muitas vezes nossos jogos eram no sol escaldante de meio dia, e estávamos ali na labuta com sorriso no rosto e alegria de praticar futebol. Creio que a Secretaria de Esportes da Prefeitura de Vitória deva ter em seus arquivos nosso histórico de participação nos campeonatos promovidos pela mesma, seja campo e areia. Assim como a Federação de Beach Soccer. 


 
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