30/01/2021 às 11h14min - Atualizada em 30/01/2021 às 11h14min

Paidéia ou “Paidégua”?

Quando a administração pública se submete aos interesses menores promove a falência do Estado

- Everaldo Barreto Moura
educação é somente mais um negócio, lucrativo e rentável, disponível a qualquer aventureiro do mercado de investimentos. Foto:Ilustração..

A Grécia, berço cultural do ocidente, tinha a educação integral como o objetivo maior para a formação do homem.

A partir de Sócrates a preocupação com a educação ultrapassa o limite individual do homem e mira a formação do cidadão, o homem de estado ou a ”ideia de homem”.

lém disso a visão filosófica totalizadora grega ainda via na construção integral desse homem a orientação da organização da cidade, ou seja, a cidade passa a ser moldada pelos homens identificados pôr suas vocações “naturais”.

Platão descrevia a alma humana dividida em três partes: racional, irascível e concupiscente e entendia que cada pessoa tinha uma dessas três partes predominando em seu caráter. Assim para aqueles em que a parte concupiscente predominava cabia o abastecimento da cidade, aos irascíveis sua defesa e aos racionais a administração.

Com as pessoas certas nos lugares certos estava aí a cidade educada para ser ideal, vale a leitura de A República.

Foi a partir da importância da educação pública e responsável que projetamos nosso mundo. Depois, esses conceitos foram se degenerando e chegamos, na atualidade, a um mundo em que a educação é somente mais um negócio, lucrativo e rentável, disponível a qualquer aventureiro do mercado de investimentos.

A consequência dessa degeneração é desastrosa para o cidadão e para a cidade. A inserção de interesseiros em lucro, numa atividade prioritariamente pública, aumenta as desigualdades e expõe a incompetência do Estado, além de desfigurar completamente a cidade com a criação de castas privilegiadas e dominadoras, não por suas elevadas qualidades de caráter, mas sim pôr sua posição financeira privilegiada que lhe possibilita “comprar” uma educação melhor que a oferecida pelo Estado.

Além disso, com a viciação dos governantes, e suas consequências na cidade, passa a acontecer uma espécie de submissão do interesse público pelo privado na administração do fator mais importante da cidade que é a formação de seu cidadão.

Nesse momento que o mundo atravessa, com a pandemia do Novo Coronavírus e, mais recentemente, com as variações do vírus aumentando seu contágio, o que exige ainda mais distanciamento social, podemos assistir a uma importante consequência dessa privatização da educação. Tomada por grandes empresas, afiliadas a grupos econômicos poderosos ávidos pela multiplicação de seus lucros, a educação enquanto negócio passa a ter a capacidade de imprensar o Estado, entre a defesa da vida de seu cidadão e a responsabilização pelas consequências financeiras da pandemia aos seus investimentos.

As vacinas estão chegando e sabemos que é só uma questão de tempo para podermos respirar mais aliviados e retomar a normalidade possível da vida. O contágio está mais acelerado que nunca e as mortes aumentando tanto que já atingiram os níveis do pico da pandemia. Além disso, as férias de verão trouxeram multidões para nossas praias gerando aglomerações que acontecem a todo momento e em todo lugar.

Para uma educação presencial que ficou 7 meses completamente paralisada e sem perspectivas, aguardar mais o tempo necessário para a vacinação do setor, agora que ela já existe é só uma questão de prudência e priorização da vida e saúde da população.
 
 O retorno às aulas presenciais traz um risco muito maior que a exposição da sala de aula em si. Embora o ambiente da sala de aula seja considerado seguro dentro do cumprimento dos protocolos,  sabemos que frente às instalações das escolas públicas, é uma falácia o cumprimento de protocolos frente a precariedade que assistimos no cumprimento desses protocolos
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