04/02/2021 às 18h28min - Atualizada em 04/02/2021 às 18h28min

Trânsito mata 14 por dia em rodovias federais;

90% dos acidentes são causados por fator humano, segundo o médico Coimbra

- Adriano Kirche Moneta /Assessor de Imprensa
Segundo o Painel, 81,8% das vítimas do trânsito são homens e mais da metade dos acidentes aconteceu nos fins de semana (54,8%). Foto: doutor Alysson Coimbra. Divulgação


Pesquisa do Painel de Acidentes Rodoviários da Confederação Nacional do Transporte (CNT) revelou que 5.287 pessoas morreram em 63.447 acidentes nas rodovias federais do Brasil em 2020, uma média de 14 óbitos por dia. 

O levantamento, que utiliza dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF), revelou que Minas Gerais foi o estado com o maior número de acidentes e mortes. No ano passado, foram registrados 8.363 acidentes, que provocaram 717 mortes.

Segundo o Painel, 81,8% das vítimas do trânsito são homens e mais da metade dos acidentes aconteceu nos fins de semana (54,8%). 

“No Brasil, os que mais têm maior probabilidade de morrer em um acidente de trânsito são os homens jovens, condutores de motocicletas. O fator humano continua sendo responsável por 90% dos acidentes, cujas causas principais são a falta de atenção; desobediência às regras de trânsito; velocidade incompatível com o limite da pista e o consumo de álcool”, completa o coordenador da Mobilização Nacional dos Médicos e Psicólogos Especialistas em Trânsito e diretor da Associação Mineira de Medicina do Tráfego (AMMETRA), Alysson Coimbra.


Segundo Coimbra, esses dados mostram que a maioria das mortes poderia ter sido evitada. A fiscalização da PRF nessas rodovias revela que os hábitos dos brasileiros ao volante ainda estão distantes de garantir um trânsito seguro para todos. “As principais infrações foram embriaguez; falta do cinto de segurança; ultrapassagem indevida e uso do celular. É urgente a elaboração de uma política pública voltada para a segurança viária e que trate a violência no trânsito como um problema de saúde pública”, completa Coimbra.

Na avaliação do especialista em Medicina do Tráfego, alguns fatores contribuem para Minas Gerais ser a campeã de acidentes e mortes. “Faltam investimentos em engenharia de trânsito. Precisamos investir em sinalização, fiscalização e alterações estruturais de trechos com altos índices de acidentes. Nossa principal malha rodoviária possui mais de 50 anos de uso e a maioria não passou por transformações para se readequar à nova realidade de circulação. Elas não foram projetadas para comportar o tráfego existente hoje e o resultado vemos nos altos índices de acidentes e mortes. Em Minas, uma pesquisa recente revelou que quase 60% da extensão das rodovias está em precárias condições de conservação”, observa Coimbra.

Para o especialista, a combinação entre estradas ruins, imprudência, piora da saúde dos motoristas e queda no número de fiscalizações nas rodovias emperram a redução do número de acidentes. “Não temos investimentos suficientes em melhorias nas estradas, nem em políticas educativas para conscientização no trânsito e o resultado é catastrófico”, finaliza.

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