06/02/2021 às 07h22min - Atualizada em 06/02/2021 às 07h22min

Com Parreira, elogie; depois pergunte

Parreira encantou-me pela gentileza. Cordial como vendedora ávida pela comissão

- Peter Falcão
Pauta Livre Assessoria

 

 

Pelo belo trabalho no Fluminense, time do meu pai, admirei Carlos Alberto Parreira que chegou ao título brasileiro, conduzido pelo espetacular Romerito, o maior jogador paraguaio de todos os tempos. Sinônimo de luta do povo massacrado covardemente por três países.  

 

O carinho cresceu quando ele sacou o Raí (pede para sair) na Copa de 1994. 

 

Mas devo confessar que a paquera, veio bem antes. No Congresso Brasileiro de Cronistas Esportivos, sediado no Espírito Santo. 

 

Fui pautado para entrevistá-lo, na ocasião técnico da seleção brasileira. Se possível de forma exclusiva. Cheguei cedo ao Aeroporto e tive a ajuda do Janc, principal organizador do evento, que, gentilmente me deixou ir com Parreira, no carro oficial, já fazendo algumas perguntas.  

 

No Hotel Senac, ao lado da piscina, encerramos nossa conversa e Parreira encantou-me pela gentileza. Cordial como vendedora ávida pela comissão. 

 

Foi uma bela página de domingo. Parreira elogiou bastante o timaço do Vasco. Para alegria dos meus parceiros da família “Guimarães Correa” com quem bebi umas cervejas no domingão mais quente que o inferno, no bairro Santa Cecília. 

 

O segundo encontro com o Parreira, foi meio estranho. Ele treinava o Fluminense. Minha missão era, outra vez, entrevistá-lo, se possível sem ninguém de A Tribuna ter a mesma ideia. 

 

Fui da sede de A Gazeta até o Hostess, em Vila Velha, pensando o quão difícil seria. Tinha somente a pauta, que veio sem sequer desejo de “boa sorte”. 

 

Chegando ao hotel, surpreendentemente, ele estava sentado confortavelmente em uma cadeira de palha, no térreo. Mas o local estava entupido de gente.  

 

Um torcedor me chamou a atenção. Trouxe, pelo menos, oito exemplares dos livros do projeto “Escritos de Vitória”, destes ganhos gratuitamente, e os ofereceu ao Parreira em troca da camisa oficial do Fluminense.  

 

Parreira, educadamente descartou. Olhou para membro da comissão técnica e disse: “Nem trouxemos camisas extras, né? Perdão”.
E o cara catou os livros, equilibrou nos braços e foi embora. 

 

Outro torcedor o pediu para ir lá fora fotografar ao lado de sua mãe, que estava dentro do carro. Parreira foi. Na volta, coçou o saco, e sentou-se novamente na cadeira. Eu via tudo em pé. Demasiadamente conformado. 

 

O atendimento aos fãs demorou. Quando o último se foi, Parreira me olhou e disse. “E você, o que quer?”. Eu disse que queria uma entrevista. 

 

E ele, mostrando irritação, falou. “Então por que não disse, cacete, fica parado aí, em pé, igual a um dois de paus!”. 

 

Fiquei puto, mas com 72 prestações do apartamento da Inocoops para pagar, engoli a seco. 

 

Foi vacilo do Parreira, com sua nítida pressa, me deixar sentar ao seu lado. Dez elogios (sendo cinco até sinceros) foram suficientes para domar a fera, que conversou comigo durante uma hora. 

 

No final deste segundo encontro agradeci e voltei para a redação com uma página de entrevista. Chico Guedes com um fotão de primeira página. 

 

Aos que estão começando, uma dica: elogie, com toda sua força. Depois pergunte. É infalível. 


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