14/02/2021 às 09h52min - Atualizada em 14/02/2021 às 09h52min

​Pandemia, política, corrupção e vacina

A arte da política necrófila de tirar proveito do caos

- Everaldo Barreto Moura
Mora Na Filosofia
Nessa estratégia a vacina se põe no centro da cena, a grande salvadora da pátria, ou das pátrias, a ciência. Foto: Ilustração.

Gripezinha, resfriadinho, falta de ar, internação, falta de vagas, ventilação, UTI, cura, alta, sequelas, morte sem velório, VACINA, ... Palavras incorporadas às nossas rotinas em 2020.

Estamos todos, à exceção dos que estão enriquecendo ainda mais com a tragédia, (que aliás são os mesmos que enriquecem em todos os eventos bons ou maus) ameaçados, amedrontados e reféns, sem nem saber mesmo do que ou de quem.

Diante de tantas ameaças e incertezas o povo simples e humilde continua um joguete nas mãos dos poderosos e oportunistas, como uma manada guiada por maus pastores, negligentes e perversos, preocupados exclusivamente em manter a “obediência” e a “funcionalidade” para o sucesso próprio em seu trabalho de conduzi-los.

No princípio foi estabelecido o “pânico”, nem tanto pelo receio da doença em si, quanto pelos desdobramentos que esses “estados de emergência” proporcionariam às administrações públicas, frente à calamidade. Acima de tudo uma justificativa para gastos sem o devido controle, para muitos “uma festa”.

A consequência tem sido revelada na quantidade de investigações e processos de improbidade na administração do caos, compra sem licitação, às vezes de coisas que não existem, de medicamentos sem eficácia, estruturas caras e ineficientes, equipamentos fraudados, dentre tantas outras formas oportunistas de se aproveitar da situação, useiros e vezeiros que são, os políticos sujos, dessas oportunidades, inclusive já revelados em antigos processos encalhados na justiça ”madrasta do povo”, que seguem aguardando a prescrição.

Esse sistema de submissão à autoridade quando ela “não se dá ao respeito” apresenta um sério risco de “estouro da boiada” pois, como conhece a sabedoria popular, quando se aperta muito a mão, foge pelos dedos.

A população percebeu muito claramente o jogo sujo da ação representativa no jogo de poder, onde seus interesses ficaram secundários na concatenação da pandemia com a politicagem suja, principalmente aqui no Brasil, à princípio na tentativa de resgate da classe política por meio do legislativo, encima das asneiras do presidente, e depois, na troca de cadeiras daquele poder, contemplando o governo federal e deixando um “melzinho” na boca da oposição.

Também ficou muito claro à população o jogo do “auxílio emergencial”, enquanto na mão do pobre, necessitado de tudo, virou comida, se tornou lucro para supermercadistas, agronegócio e o próprio governo que mantém alta a tributação dos alimentos.

Além disso ainda prestou para idolatrar velhos tiranos, num trabalho de engenharia política de construção imagética deles, principalmente frente às asneiras do presidente.  Aquela velha máxima da terra de cegos.

Na utilização reflexiva do velho Maquiavel na política, a população continua recebendo os impactos negativos de uma vez e os positivos em doses homeopáticas, para possibilitar o surgimento de “heróis” e garantir o deguste por seus protagonistas.

Nessa estratégia a vacina se põe no centro da cena, a grande salvadora da pátria, ou das pátrias, a ciência, as farmoquímicas, só elas, operadas pelos mesmos interesses mesquinhos citados, poderão nos liberar para viver. Contudo, imediatamente à chegada delas é introduzida uma nova palavra no rebanho: “Cepas”, ou seja, novidades para movimentar o mercado de “salvação da pátria”, ou das pátrias.

O que virá?

Num palpite: mais do mesmo!
 
 

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