04/03/2021 às 14h53min - Atualizada em 04/03/2021 às 14h53min

Na Feira Internacional, amigo turco acreditou no amor em tempos de fome

Logo chegaram duas moças amigas brasileiras, conhecidas um dia antes

- Peter Falcão
Pauta Livre Assessoria
Durante seis anos a Pauta Livre assessorou grande feira internacional de artesanato no ES. Foto: Ilustração. Reprodução Peter Falcão

 


Durante seis anos assessoramos grande feira internacional de artesanato no Estado. É assim que acontece em todo o Brasil: quase a totalidade dos estrangeiros expositores reside no país e passa o ano exibindo os seus produtos em variadas feiras internacionais.  
 

Alguns são artesãos. A imensa maioria só comercializa o artesanato. E boa parte se veste, canta ou dança mostrando alguma característica do seu país para chamar a atenção e vender melhor seu produto. 
 

Logicamente, alguém estreia, se determinada feira contar com a sorte. Neste caso, o realizador da feira tem belo trunfo nas mãos. Pode divulgar que o expositor veio diretamente do país para a sua feira. Mas, ninguém, obviamente, vem para expor em uma feira e voltar para casa. O prejuízo seria terrível.
 

O expositor vem para passar, no mínimo, um ano no país. Depois segue para outro, até juntar dinheiro e retornar para casa, se possível com algum trocado extra no bolso.
 

Nós da Pauta Livre demos sorte danada. Das oito edições que assessoramos em seis anos (algumas feiras tiveram duas edições em uma só temporada), quatro ocorreram em Jardim Camburi, onde moramos. 
 

Caminhando, antes da feira ser aberta, conheci Osman, lá na Rodovia Norte Sul, no terreno onde a feira estava sendo erguida. Ele e o seu empregado Zeki estavam perdidos em busca do hotel oficial, no cruzamento da Dante Micheline com a Adalberto Simão Nader. 
 

Andei um bocado com os dois, mobilizei algumas pessoas que estavam na calçada e consegui embarca-los em táxi. O taxista veio com papinho furado de passar pelo Bairro de Fátima e reta do Aeroporto, pois, segundo ele, a Dante Micheline estava com trânsito engarrafado.  
 

Abordaram o cara errado. O impedi de trocar trajeto de cinco quilômetros por outro de 12. E lá se foram, o chefe Osman e seu ajudante, o Zeki. 
 

No outro dia os vi na abertura do evento. Eu só ia na abertura e no fechamento da feira. A Lorena, minha sócia, fazia plantão todos os dias para receber a imprensa e aguentar a diretora do evento, mala no volume máximo. 
 

Um dia antes do encerramento fui beber umas cervejas com o amigo Luiz Vital e vi o Osman em boteco de responsa, raiz total, que fica na esquina daqui de casa, o Bar do Luíz. Ele sentou conosco e tivemos “conversa” hilária, sem Osman falar português e nem eu e Vital falarmos turco ou inglês. Osman era fã do Alex, jogador brasileiro semideus na Turquia. O que facilitou muito. 
 

Vital foi embora e eu resolvi ficar um pouco mais. Lá pelas 15 horas, lembrei ao Osman sobre a feira. Ele disse que curtia a sua folga. Zeki seguraria a onda. Meia hora depois chegaram duas moças, suas amigas brasileiras, conhecidas um dia antes. 
 

Fui ao banheiro e de longe avistei o meu amigo turco deliciando selinhos, hora para cá, hora para lá. Pensei. “Alguém vai se fuder hoje. Espero que não seja eu”.
 

Paguei minha parte da conta, apertei a mão do Osman e das duas garotas, e fui embora. Contei o ocorrido para minha mulher que não fez muita questão de acreditar e me lançou olhar frio “daqueles”. 
 

No outro dia tive que marcar presença na feira, já que era, o muito bem vindo, encerramento. Fui lá visitar o Osman. Ele estava com ressaca danada, de birita e de moral. Havia “perdido” todo o lucro dos dez dias de feira não sabe onde. O seu ajudante Zeki, ao ouvir suas queixas, só balançava a cabeça. Louco para rir. E eu também.  
 

Pobre Osman que acreditou no amor em tempos de fome.  

 

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