14/03/2021 às 21h54min - Atualizada em 14/03/2021 às 21h54min

O uso da dialética para se situar no mundo

O início da pandemia já foi marcado por um enorme desencontro de informações

- Everaldo Barreto Moura
Filosofia Na Veia
Quais interesses secundários envolvem a pesquisa científica?.Foto: Ilustração Web


A Filosofia nos traz uma ferramenta eficiente de conhecimento do mundo que se chama dialética, palavra que deriva do grego “dialetiké” do verbo “dialégomai” (dialogar), arte do diálogo, da discussão por meio do logos, da razão.

 partir dela entendemos que a realidade aparente, não revela a concretude da realidade, contraditoriamente, traz essa realidade e a esconde. Isto por que, as coisas nunca significam elas mesmas, apartadas de seus elementos, circunstâncias gerais, utilização prática, etc.

Captar a realidade concreta das coisas é alcançar a história e os sentidos de sua existência, que não estão aparentes, mas no resultado da análise profunda e essencial de seus elementos internos e externos.

Aplicada a realidade social de nossas vidas percebemos, dentre tantas outras, sua utilização para qualificar o esclarecimento da interpretação tanto dos acontecimentos do dia a dia, como da política, bem como das intenções veladas da media, principalmente em suas dimensões repercussivas e publicitárias.

Para um melhor entendimento vamos trabalhar aqui com um exemplo pertinente, atual e necessário ao desvelamento da politicagem que envolve a pandemia do Novo Coronavírus e as ações governamentais contraditórias das esferas mundial, nacional, estadual e municipal, com o objetivo de despertar no leitor o desejo (Eros) do entendimento melhor da ferramenta, diante das vantagens de sua utilização, para romper o mundo de aparências em busca da essencialidade das coisas e da própria vida racional.

Àqueles que se interessarem no aprofundamento do tema indico duas obras: INTRODUÇÃO À DIALÉTICA – Alfredo Llanos e DIALÉTICA DO CONCRETO – Karel Kosik.

O início da pandemia já foi marcado por um enorme desencontro de informações causado pela novidade científica do vírus em si, marcadamente sua origem, efeitos e consequências.

Aqui a própria realidade aparente ainda estava obscura, ou seja, a ciência precisava desvendar a novidade e explicar o que era o vírus em si, suas reações com o organismo humano, dentre outras questões puramente constitucionais dele. Diante do desconhecido, a OMS recomenda o isolamento social como forma de conter sua proliferação enquanto o investigava, bem como as possibilidades de combate-lo.

Imediatamente aquilo que era uma análise científica, teoricamente neutra do problema, passa a afetar outras questões e interesses como a economia e a política, o que retirou a discussão do meio científico.

Naquele momento fundamental, para desvelar a realidade do vírus em si, ou seja, o que é “a coisa”, precaução, prevenção e o foco nas pesquisas, o isolamento se mostravam como única via comportamental eficiente. Contudo, esses outros interesses começaram a mascarar a realidade com o descredenciamento da ciência e a competitividade da vida com a economia, o que em si já pode ser considerado um paradoxo pois, como haveria economia sem vida?

A partir daí passamos a viver divididos nas duas realidades a aparente e a concreta, o que somente por meio de uma análise dialética (com base na razão) pode nos ajudar a discernir uma da outra e orientar a ação própria.

Quais as intenções por traz da polêmica?

Quais interesses secundários envolvem a pesquisa científica? Da vida e da saúde ou do enriquecimento e dependência das indústrias farmoquímicas? Ou os dois em sintonia conveniente?

Quais os interesses dos defensores da economia? A sustentação da vida da população ou a manutenção dos lucros de investidores do mercado financeiro?

Enfim, o fundamental é aprofundar a reflexão para além das aparências, com o objetivo de fugir da versão utilitarista aos interesses alheios no sentido dos fatos e das ações com suas consequências.
 
 
 
  

Link
Tags »
Notícias Relacionadas »
Comentários »

Quais são os piores motoristas de Colatina

46.4%
23.4%
30.2%