17/03/2021 às 09h47min - Atualizada em 17/03/2021 às 09h47min

Popó socou meu fígado, combalido após as férias

Tinha uma capacidade fora do comum para resistir, persistir e vencer

- Peter Falcão
Pauta Livre Assessoria
A manchete foi “Popó garante: boxe é como jogo de xadrez”. Foi parar na primeira página. Foto: Divulgação.

 

Eu assistia às lutas do Éder Jofre, bem novinho, ao lado do meu pai. Só quando cresci, compreendi que se tratava de ser humano e não de super herói. Mais do que bater, Jofre aguentava pancada.  


Depois, admirei Adilson Maguila muito em função da sua história de vida. Sabia que seu queixo era de vidro, sua técnica limitada e seus parceiros obcecados por grana. 


Ao assistir Acelino Freitas, o Popó, percebi que ele encarnava, de forma contundente, o brasileiro de talento iluminado para o esporte. Jamais seria o Eder Jofre, como não o foi. Mas, com certeza, também não o Maguila.  


Seria ele mesmo: um grande campeão, com pegada nos golpes bem mais potente do que o normal para o seu peso. E capacidade fora do comum para resistir, persistir e vencer.  


Voltava das férias. Já tinha uns 14 anos de estrada no jornal A Gazeta. E minha primeira pauta era cercar o Popó antes de ele entrar no ar, no Globo Esporte, da TV Gazeta. Como tinha planejado voltar para casa cedo, madruguei na redação do jornal. Escrevi duas materinhas factuais e fiquei aguardando o grande boxer. 


Assim que ele chegou, fiz umas seis perguntas. Ele estava tretado com Maguila, que, mal orientado, andou o criticando.  

 

A galera da TV Gazeta nos filmou nos corredores. Vi no dia seguinte. Prezado, eu estava explodindo de gordo. Que férias terríveis para minha lataria já fraquinha! 

 

Com fígado prejudicado pela birita, escrevi, rapidinho, a matéria, liguei para a Coopertaxi e desci para esperar o motorista no portão do jornal.  

 

Popó estava lá. Puxei conversa e brinquei, infantilmente. “Acho hilárias as entrevistas do Luciano Todo Duro e do Reginaldo Holyfield” (a maior rivalidade do boxe brasileiro). 

 

Ele me perguntou o motivo e eu fui ainda mais vacilão. “Acho que eles falam muitas bobagens”, soltei. 

 

Popó foi gentil, mas decisivo. “Eles até falam, mas não duvide da inteligência deles. Boxeador burro não chega a lugar nenhum. Boxe se equivale a jogo de xadrez: um golpe prepara outro, decisivo, que vem logo após outros dois”. 

 

Fiquei sem graça. Foi porrada certeira que nocauteou meu preconceito.  

 

Veio o taxista. Pedi desculpas e o dispensei. No mesmo momento que Popó “embarcou” no carrão do (ex) senador Magno Malta. Subi e reescrevi a matéria, com novo lead. 

 

A manchete foi “Popó garante: boxe é como jogo de xadrez”. Foi parar na primeira página. 

 

Em casa, bebi umas dez latinhas, só para “rebater” o ‘figueiredo” muito maltratado nas férias.  E, de certa forma, brindar ao Popó por ter nocauteado, sem piedade, meu preconceito.


Gracias pela atenção amigos! 


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