14/04/2021 às 16h19min - Atualizada em 14/04/2021 às 16h19min

Pet, juro: nunca fui tão piranha!

A bola caiu, fogosa, fazendo barulhinho delicioso na rede

- Peter Falcão
Pauta Livre Assessoria
Ao Mengão restava vencer por dois gols de diferença para ser tricampeão carioca. Foto: Julio Cesar Guimaraes/Lancepress - Divulgação Pauta Livre


O flamenguista sente quando o time está, digamos, “ligado". Quando isso acontece, dificilmente é batido. O Vasco era favorito, pois havia vencido o primeiro confronto por 2 a 1. 

Tinha elenco qualificado, com mais jogadores com passagens pela seleção brasileira, e, além disso, Edilson e Petkovic não escondiam o dissabor da convivência.  
 Para piorar, os salários estavam atrasados. 

 Ao Mengão restava vencer por dois gols de diferença para ser tricampeão carioca pela terceira vez na história. 

 Aquele 27 de maio de 2001 começou nublado. Mas logo abriu o sol. Pensei: ótimo prenúncio. 

 Flamenguista é assim, se apega a tudo em dia de decisão. 

Vasco entrou em campo sem o Romário, contundido. Outro ótimo prenúncio.  Aos dez minutos, 1 a 0 para o Flamengo com Edilson cobrando penalidade.

Júlio César, vale lembrar, fez duas defesas inacreditáveis, mas o Vasco empatou aos 41, com Juninho Paulista. 

 No segundo tempo, Edilson fez, de cabeça, 2 a 1, em cruzamento do Pet, a quem amava odiar.  

 Jogo ficou bem tenso. Até que veio o momento mágico, a cobrança de falta de Petkovic, aos 43. 

 Quando o Gringo chutou, o tempo parou, anestesiado. Foi o silêncio mais profundo que contemplei na minha existência. 

 A bola caiu, fogosa, fazendo barulhinho delicioso na rede. 

Peter Parker não a alcançaria. Nem com a Mary Jane desnuda o esperando no ângulo da trave. 

 Sensação boa. Queria sonhar com aquele lance todos os dias da minha vida. 

 Saí pelas ruas, perdido. Só querendo sentir a brisa no rosto, para considerar que eu era, de fato, gente.  

 Antes disso, preciso recordar. Na época trabalhava na redação de grande jornal de Vitória e tinha editor e também companheiro da Editoria de Esportes, vascaínos.  

 O companheiro desdenha tanto do Flamengo, até hoje, que me remete, imediatamente, ao clássico “A Raposa e as Uvas”, de Jean de La Fontaine. 

 Tinha tomado muitas brejas e resolvi zoar para desopilar fígado.  

Era plantão dos dois. Peguei o telefone, pedi à telefonista para ligar no ramal do repórter, meu chegado.  

 Coloquei toalha na boca e, ao ouvir sua voz, gritei alto. “Aqui é Flamengo, porra!”. Gargalhei e desliguei, imediatamente. 

 Sequei mais uma gelada e pensei: “Agora vou pegar o outro”. 

Repeti o procedimento.  

 Pet, juro: nunca fui tão piranha! 

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