15/05/2021 às 12h24min - Atualizada em 15/05/2021 às 12h24min

Promover o levante, quebrar a cerca e assumir o próprio destino.

A máquina pública e política serve para manter o gado no curral

- Everaldo Barreto Moura é Pensador e professor de Filosofia
Filosofia na Veia
O político o espelho do povo inclusive, na visão platônica, seu principal educador natural, pelo exemplo, vaticina o pensador colatinense Barreto Moura. Foto: Ilustrativa Web.


 Confesso que na promulgação da Constituição de 1988 acreditei que aquele “brasileiro, profissão esperança” havia se aposentado e que o povo havia aprendido a se fazer respeitar com o fim da ditadura.

Não consigo me conformar em assistir tantos absurdos “deitado em berço esplêndido” e quero refletir com meus leitores sobre esse momento de descrédito moral que estamos vivendo.

Me parece que nossa democracia representativa dá sinais de falência, até pelo comportamento dos próprios representantes eleitos. Isso fica muito claro se analisarmos as relações entre eles, como no "show de horrores" ocorrido durante a seção da CPI da Covid, no último dia 12, quando o senador Renan Calheiros relator da CPI é chamado de “vagabundo” e rebate o outro senador, Flávio Bolsonaro, acusando-o de roubar dinheiro dos servidores na ALERJ. Para piorar, se é que é possível, na mesma seção o presidente da CPI, com motivos para dar ordem de prisão ao depoente que, mente descaradamente em seu testemunho, se esquiva de seu dever com justificativas evasivas, deixando claro que aquele não é mesmo um foro de respeito.

Eu não sei se estou com uma visão distorcida do mundo, mas um senador da república se utilizando em rede nacional dessa linguajem chula, indecorosa e criminosa- já que houve crime de injúria e difamação, a não ser que ambas as acusações sejam verdadeiras, o que me parece provável! -, os dois deveriam, pelo menos, serem acusados de falta de decoro parlamentar.

Um fato dessa magnitude não afeta o brasileiro? Isso não significa um escárnio com a população? (Escárnio= atitude ou manifestação ostensiva de desdém, de menosprezo).

A verdade é que se a política está nesse nível o restante não tem como estar melhor, afinal é o político o espelho do povo inclusive, na visão platônica, seu principal educador natural, pelo exemplo.

Vamos dar uma olhada no contexto geral.

A segurança pública justifica os altos índices de violência com a guerra do tráfico. Se tentarmos entender essa questão: trata-se de traficantes disputando pontos de venda de drogas (proibida pelo Estado) que podem se matar se a polícia não agir. É isso mesmo? A ação da polícia é para dar segurança aos pontos de venda de drogas já estabelecidos?
Enquanto isso o cidadão vive construindo sua própria segurança à mercê da criminalidade, seja o trabalhador constantemente assaltado em pontos de ônibus ou as pequenas empresas sofrendo constantes assaltos, mas também as balas perdidas, a truculência policial, etc.

A saúde pública, a despeito do profissionalismo e empenho dos profissionais do SUS, se mostra refém de uma política de “comadres”, onde o interesse público fica a esmo frente a interesses escusos e à revelia da ciência e da boa diplomacia. A imposição de tratamentos ineficazes, o descaso com a vida no posicionamento em contraste com a realidade,vez que que já ficou claro para todo o mundo a importância da prevenção com o uso de máscaras, higienização constante das mãos e distanciamento social.As altas autoridades, como o presidente da república e seus auxiliares mais leais, negligenciam todas as orientações promovendo aglomerações, falando bobagens e desprezando o uso da máscara.

Novamente achando que não teria como piorar, enfrentamos a irresponsabilidade política do presidente e seus filhos numa provocação infantil à China, que nos distancia ainda mais da vacina.

A educação sofre de abandono em todos os níveis, desde redução de orçamento a tentativas de acabar com seus programas de financiamento. O ensino superior teve uma redução no orçamento para esse ano com corte de 1 Bilhão de reais. Já vindo de sucessivas reduções de investimentos temos como consequência notícias do fechamento de universidades como a UFRJ, anunciado por meio de sua reitora Denise Pires, sem falar da precarização do ensino que nos rodeia.

Em termos de meio ambiente estamos na contramão do mundo, relaxando legislação de licenciamento ambiental, desrespeitando as populações tradicionais e incentivando garimpo, quer dizer: "passando a boiada".

Por último enfrentamos um retardo na modernização do nosso parque industrial, principalmente no que diz respeito aos modais de transporte e energia. Continuamos restritos ao petróleo e ao transporte rodoviário, numa posição burra, onde falta incentivo à energia limpa, falta investimento em outros modais como o ferroviário e marítimo, enquanto nossas vias estão estranguladas no enriquecendo ainda maiordos países mais ricos.

Bem o drama está colocado.

A solução só pode vir do povo, o levante não se dá da noite para o dia, mas na organização popular, no envolvimento de pessoas comuns na discussão dos temas relevantes, na construção de propostas efetivas de participação popular nas decisões governamentais, em suma, no despertamento para a resistência e protagonismo.

Afinal a política tem desenvolvido o papel de amortecedora das solapadas que o poder nos imprime, sem esquecer que o único poder no sistema capitalista é o econômico, e toda a máquina pública e política“no sumo, do sumo do sumo” a ele serve, mantendo o gado no curral.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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