09/06/2021 às 06h58min - Atualizada em 09/06/2021 às 06h58min

Quando caçava fantasmas, fui vaiado por 60 mil pessoas no show do Padre Zezinho

Sem dúvida um dos maiores eventos da Igreja Católica no País

- Peter Falcão
Pauta Livre Assessoria
Os seguranças, sem observar nossos crachás, nos tiraram do palco, sob vaia das 60 mil pessoas, interrompendo novamente o show. Foto: Reprodução Web.
 

 A pior fase da minha vida profissional foi quando cismaram de me “promover”. Já tinha uns sete anos de carreira na Editoria de Esportes de grande jornal da capital e me transportaram para a Editoria de Reportagens Especiais sem benefício algum financeiro, somente com o pagamento das horas extras e a “glória” de fazer parte da “Editoria de Caças Fantasmas”, como rapidamente os integrantes da nova empreitada foram apelidados. 

Fudido financeiramente e com 60 prestações do apartamento para pagar, aceitei a “promoção” e a pica enorme nos orifícios. Até mesmo porque sentia no ar que não tinha outra opção, a não ser bater na porta do jornal concorrente. 

Nesta nova editoria fui pautado para cobrir, em 1996, o Congresso Eucarístico Nacional, sem dúvidas um dos maiores eventos da Igreja Católica no país, que acontece de forma contundente e movimenta vários Estados, tendo sua primeira edição em Salvador, em 1933. 

Durante 15 dias, prezado, cobri umas dez missas. Entrevistei o representante do Papa, na ocasião o Dom Carlo Furno, muito simpático e acessível, ao ponto de me deixar perguntar se pretendia comer a moqueca capixaba, “a melhor do Brasil”.  Vejam só como jovens com o poder da pergunta cometem sacrilégios! 
 
Fiz várias matérias de comportamento, torcendo para as pautas secarem como a água no deserto. Mas, não teve jeito. Um dia caiu no meu colo pautinha complicada: cobrir show do Padre Zezinho. 

E, lá fomos, a repórter fotográfica Helô Santana e eu. Antes de subir ao palco representante da Polícia Militar estimou 60 mil pessoas no evento, ao lado de uma das organizadoras visivelmente pronta para o confronto matemático. Com generosidade (e quietinho), calculei 30 mil. 

O Padre Zezinho entrou no palco.  Logo dezenas de convidados invadiram a frente da Helô Santana, dentre eles freis e seminaristas frenéticos com máquinas “Xeretas”, na moda naqueles tempos, e gritos de explodir os tímpanos, de tão estridentes. 

Os seguranças “arrastaram” todos para um canto do palco, com especial truculência com Helô e o gordinho aqui. O show desenrolou. Tentamos novamente a foto. Os seguranças, sem observar nossos crachás, nos tiraram do palco, sob vaia das 60 mil pessoas, interrompendo novamente o show. Mas, pelo menos, tínhamos as fotos. Três chapinhas providenciais. 

Fui escrevendo o texto dentro do carro. Helô, no banco da frente, feliz com as fotos. Chegamos na redação, luzes apagadas. A edição já havia sido fechada. 

Sem tostão no bolso e com todos os carros da empresa na rua, fui para o ponto de ônibus esperar bacurau. Cheguei tranquilo em casa e com uma convicção.

Jamais irei novamente a show do Padre Zezinho. E nesta toada estou até hoje, 25 anos depois. Desde já agradeço a cortesia de quem não me convidou. 

E, de antemão, aos que não pretendem me convidar. 

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