24/06/2021 às 17h34min - Atualizada em 24/06/2021 às 17h34min

Nos anos 90, mulheres eram proibidas de cobrir treinos de homens no Dom Bosco

A Helô Santana não conseguiu sequer tirar sua Nikon da bolsa

- Peter Falcão
Pauta Livre Assessoria
A Helô não conseguiu sequer tirar sua Nikon da bolsa. Funcionários a expulsaram do Dom Bosco. Foto:Ilustração reprodução da Internet


Nunca tive nada contra padres. A alguns sou até grato. No Ludovico Pavoni me passaram de ano, na oitava série, fazendo desaparecer, milagrosamente, as notas vermelhas de Matemática da caderneta.  

 
Alegaram que eu era “comunicativo demais” para reprovar e perder um ano. Adorei, embora meu lombo já estivesse preparado para as chibatadas. 

 
Quando filmava casamentos, vários deles elogiaram os olhos azuis do Gladson Dalmonech, meu sócio, em gesto de acolhedora simpatia.  

 
Com alguns tomamos até vinhozinho antes da cerimônia. Vinho de padre, acredite, é sempre gostoso. Não me pergunte por quê. 

 
Mas duas ocasiões intrigam. Preciso confessar. Fui fazer matéria sobre testes físicos de árbitros na pista de atletismo do Colégio Salesiano e marquei com professora querida, da época da Ufes, Silvia Chiabai, de nos encontrarmos. Não nos víamos há quatro estações. 

  
Na arquibancada da quadra externa, o encontro não durou um minuto. Ao observarem nosso abraço fraterno, funcionários nos expulsaram, como aves em milharal. 

 
Ao sairmos observamos os árbitros comemorando talvez a aprovação com algumas dezenas de cervejas. Nada contra. Muito pelo contrário. Só achamos engraçada a cena. 

 
A conversa foi na mureta da Beira-Mar, com navios ao fundo. Nada mal. 

 
Já tinha quase esquecido a desfeita dos padres do Colégio Salesiano, quando sugeri ao Álvaro Silva, meu editor, matéria sobre o DJ Transportes que disputaria a Taça Brasil de Futsal. 

 
Fomos lá, o motorista Daniel; a repórter fotográfica, Helô Santana e eu. A Helô não conseguiu sequer tirar sua Nikon da bolsa. Funcionários a expulsaram do Dom Bosco. Mulher não podia estar em ginásio durante treino de homens. 

 
Voltamos para a redação de mãos vazias. Não existe sacrilégio maior para repórteres. O Álvaro Silva (metralhando as teclas da máquina de datilografar com o melhor texto do jornalismo capixaba) tratou do tema em sua coluna no dia seguinte. 

 
De certa forma, amenizou minha fúria. Mas, até hoje, 30 anos depois, vivo intrigado: O que aqueles padres tinham contra mim, cacete? 

 

 

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