12/07/2021 às 11h41min - Atualizada em 12/07/2021 às 11h41min

O homem em construção é e não é, tentando ser

A construção do ser é uma constante

- Everaldo Barreto Moura é Pensador e professor de Filosofia
Filosofia na Veia
A beleza da filosofia está também em sua possibilidade de atravessar abismos temporais, diz o pensador colatinense Everaldo Barreto Moura. Foto: Ilustração Web.

A grande questão filosófica do “ser” perdura toda a história da Filosofia e continua nos incomodando. Desde Heráclito, Séc. VI/V a.C. a dúvida, se podemos conhecer aquilo que está em constante mudança nos apavora, pois tira toda a certeza dos conhecimentos acumulados.

A beleza da filosofia está também em sua possibilidade de atravessar abismos temporais como o dos clássicos Heráclito, Sócrates e Platão para a contemporaneidade. Sabemos conviver com a necessidade de busca da verdade e sempre podemos “beber” nesses clássicos,as primeiras abordagens e dificuldades de um tema.

A visão socrática afirma a impossibilidade de ensinar, uma vez que o conhecimento já está naquele que o procura, as angustias e dores dabusca são um sinal de sua “gravidez”. Evento em que se baseia Sócrates para se dizer parteiro de conhecimento.

Quando falo da pesquisa filosófica no cárcere compreendo a necessidade da dúvida socrática evidenciada no diálogo platônico Mênon: É possível ensinar a virtude? O que é a virtude?

 A tarefa não é simples nem de respostas conclusivas e absolutas, mas em nosso tempo encontro eco ainda na construção do Estado e no exercício da vida cidadã para a possibilidade de se ensinar, não a verdade, mas instrumentos seguros para sua busca.

Se procurarmos a base legal para o ensino de Filosofia na Educação Básica as palavras marcantes serão cidadania e humanidade.

A construção do ser é uma constante pelo fato d’ele ser inacabado por natureza. Ela se dá no espaço/tempo de sua atuação, por isso, muitas vezes, temos construções em bases inseguras como da opinião, que nem sempre é formada por argumentos, mas pelo contrário, forma-seno senso comum, ingênuo e eivado de preconceitos e pré-juízos.

Ao “ser” construído sem a educação fundamental, aquela que no entender de Hannah Arendt não pode prescindir da autoridade e responsabilidade do educador, autoridade naquilo que ensina e responsabilidade pelo mundo que entrega a seu educando, falta a base principal à própria construção, o que novamente podemos retornar aos clássicos na afirmação socrática “conhece-te a ti mesmo”.

Conhecer a si mesmo é saber de suas origens, da história de sua construção étnica, das regras de seu mundo e seu tempo, daquilo que poderíamos chamar “espírito”.

Para se construir em harmonia com a sociedade, sem que isso signifique conformismo, é fundamental a educação para a liberdade, cidadania e protagonismo, para “tornar-se o que se é”.

Tarefa de todos, onde se faz necessário reconhecer a moral de seu espaço/tempo e autoconstruir-se, em processo de “autossuperação” constante,que se dá num movimento circular de perspectividade na compreensão dos fatos e acontecimentos que possibilitam a formação/revisão de opinião em bases seguras.

Todo esse cuidado na autoconstrução efetivamente ajuda o ser a se construir com a segurança de não se enganar quanto aos valores próprios de seu tempo, não se precipitar com a primeira impressão e considerar sempre a possibilidade de estar errado e poder rever suas posições para “tornar-se o que se é”.
 
 
 
 
 

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