13/07/2021 às 06h13min - Atualizada em 13/07/2021 às 06h13min

Carta Aberta ao Seu Perly

Sei que o senhor luta há seis décadas pelos direitos humanos e pela justiça social

- Peter Falcão
Pauta Livre Assessoria
Seu Perly, eu sou aquele mesmo que antes de te fotografar nas manifestações peço, respeitosamente, permissão. Foto: Peter Falcão.

 

Eu nem o conheço pessoalmente. Nunca fomos apresentados, mas preciso confessar que te acompanho há, pelo menos, quatro décadas.  

Quero te pedir para não se assustar com as mal traçadas linhas, mas sinto que tenho que dizer o quanto te admiro. 

 Eu sou aquele mesmo que antes de te fotografar nas manifestações peço, respeitosamente, permissão.  

E o senhor autoriza com sorriso nos olhos. 

É que, para mim, a sua imagem é sagrada e quem a registra, nos dias atuais (discreta, com a bandeira vermelha sobre o ombro), compartilha da história. 

O senhor fica por ali, sem querer protagonismo, em Atos que reúnem 20 ou 20 mil pessoas, sem distinção, com mesma postura altiva, com o inconfundível brilho nos olhos, encarnando o sentimento de liberdade. 

Sei que o senhor luta há seis décadas pelos direitos humanos, pela justiça social; que teve ceifada sua juventude, seus melhores anos, por mais de dez anos de prisões arbitrárias.  

Sei também que foi torturado e que teve que morar fora do país para não tirarem sua vida, como fizeram com milhares de brasileiros. 

Preciso dizer que toda vez que te fotografo escondo os meus olhos nublados e que em todas as eleições nas quais se candidatou, votei no senhor. E também que sofri muito quanto aquele acidente de carro queimou parte do seu corpo. 

Preciso agradecer por tudo o que o senhor fez pelas variadas gerações. E pelo exemplo que sua presença transmite nestes dias de necessária luta pela redemocratização. 

O senhor que nasceu na acolhedora Aimorés (MG) é cidadão de várias cidades brasileiras, com imenso merecimento.  

A sua história transcenderá gerações. Isso é nítido, transparente como as primeiras águas do rio ao amanhecer. 

Gostaria de deixar a timidez de lado e te dar um abraço no dia 24, deste mês, lá na Ufes, onde, certamente, estaremos novamente juntos.  

O senhor com sua maravilhosa história. E eu com minhas inquietações ainda juvenis. 

Talvez desta forma encerraríamos um ciclo e eu tomasse coragem para deixar de lado alguns temores burgueses. 

Abraço companheiro Perly. Saudações camarada Cipriano. 

 


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