19/07/2021 às 11h10min - Atualizada em 19/07/2021 às 11h10min

Filosofia, razão, cosmo e caos

Às vezes a dúvida invade a razão pela falta de razoabilidade ética da mesma

- Everaldo Barreto Moura é Pensador e professor de Filosofia
Às vezes, observando a natureza e os outros seres vivos, penso como é tudo tão equilibrado, diz o pensador colatinense Everaldo Barreto Moura.

A Filosofia, desde sua origem na Grécia antiga, vive a tentativa da razão de compreensão do mundo e da vida.No início, podemos dizer até que se confundiu com a religião, uma vez que ajudou o mundo ocidental no rompimento com o universo mitológico grego, buscando a origem do mundo material, a arché.

A era socrática estabeleceu a educação para virtudes como uma função divina e o destino do homem, o do aperfeiçoamento contínuo para um “ideal”.

Platão, em seu constructo racional, traz o mundo perfeito, estável e verdadeiro - o inteligível - e tem a alma como o verdadeiro ser, mesmo que por participação. Esse ser inteligível, só por estar presa ao corpo físico, e ter sido remetido ao mundo, não se lembra da verdade, ao retornar ao mundo material ou sensível, preso ao corpo, não consegue enxergar, diretamente, a verdade ou o Bem, razão e origem de todas as virtudes. Essa visão, o Filósofo expõe admiravelmente em sua obra A República com “O Mito de Er” e O Mito da Caverna.

Durante a idade média existiu um grande esforço por parte dos filósofos cristãos de faze-la auxiliar da fé. Agostinho de Hipona conformou o platonismo ao cristianismo, assimilando o sensível e o inteligível platônico, à cidade dos homens e a cidade de Deus, mais à frente Tomás de Aquino conformou o aristotelismo assimilando o Motor imóvel a Deus.

Com a proximidade da modernidade e já naiminência da razão retomar as rédeas por meiodas ciências, o pensamento medieval,ainda que moribundo,ameaça calar as grandes descobertas,mas a persistência de René Descartesretorna para o trono a razão, mesmo que para isso tenha precisado travesti-la de Deus (ou deusa).

Em seguida o existencialismo “rasga o verbo”. O homem está no deserto, sem razão para a existência, sem essência de qualquer matiz, sem Deus.

Esse pensamento existencialista, refletido em Nietzsche que impondo ao homem avançar para o “além do homem”, ou o super-homem de algumas traduções, de alguma forma, resultou em duas grandes guerras...

Depois de toda essa volta, também marcada pela ousadia do colunista, vamos à reflexão: pensar e repensar o pensamento.
Será que é mesmo a razão, essa nossa especificidade, o fiel da balança?

A autoridade segura para a explicação da vida, do cosmos tem mesmo que ser a racionalidade?

Às vezes, observando a natureza e os outros seres vivos, penso que é tudo tão equilibrado, concatenado e harmônico...
Enquanto isso, a raça humana traz tanto desequilíbrio, tanta desarmonia, tanto conflito.

Observo os animais, sempre tão harmonizados com seus habitats, com um fantástico controle, inclusive populacional, capacidade de adaptação e interação com o clima, enfim,vivendo sempre de forma colaborativa com a natureza da qual é parte... E sem razão!

Enquanto exatamente os racionais desequilibram, com uma produção de lixo insuportável para sua casa, mesmo sendo ela do tamanho do planeta, desrespeitando o equilíbrio natural para adaptar os habitats às suas exigências, aquecendo onde está frio, refrigerando onde é quente e tratando a natureza, da qual também é parte, como recurso de enriquecimento que, no fundo é uma coisa estranha ao cosmo.

Represando as águas naturalmente correntes para gerar energia, ainda mais estranho além de tantos outros estranhamentos que produzimos...

Enfim, se observarmos pelo ponto de vista da natureza, não será, exatamente a razão que produz todo o caos desse cosmo?

Enfim, se observarmos pelo ponto de vista da natureza, não será, exatamente a razão que produz todo o caos desse cosmo?

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