27/07/2021 às 12h02min - Atualizada em 27/07/2021 às 12h02min

Heróis paralímpicos, 21 anos depois, não beijam atrizes globais

​O esporte paralímpico nacional é respeitado em todo o mundo,

- Peter Falcão
Pauta Livre Assessoria
Parque Aquático de Sydney, Austrália, na Paralimpíada de 2000. Foto Peter Falcão.
 

Quando desembarcamos no Aeroporto Internacional de São Paulo, após voo dos mais cansativos (com direito a escala na África do Sul), tínhamos certeza de que mudança significativa aconteceria com os portadores de deficiência, após aquela linda Paralimpíada de Sydney, em 2000.       

Afinal, o Brasil havia conquistado a melhor participação de sua história, 24º lugar, com 22 medalhas, sendo seis de ouro.     

Como o Comitê Paralimpico Brasileiro, em enorme esforço, levou, em sua delegação, um jornalista de cada Estado, o feito do Time Brasil teve grande repercussão, principalmente pela participação dos olímpicos (fiasco estrondoso), sem sequer uma medalha de ouro.     

Os atletas paralímpicos, durante aquele período, mereceram destaques nos noticiários no horário nobre pela primeira vez em suas histórias.     

Vinte e um anos depois, o Brasil tornou-se potência paralímpica, a ponto de conquistar a oitava colocação geral na Paralimpíada do Rio 2016, com expressivas 72 medalhas, sendo 14 de ouro.     

O esporte paralímpico nacional é respeitado em todo o mundo, mas estávamos enganados quando desembarcamos cheios de esperança.       Vivemos em país intolerante, preconceituoso e sem empatia pelas diferenças.

Nem os “super atletas“ paralímpicos contam com a aceitação merecida.       Você conhece algum que tem patrocinadores equivalentes aos olímpicos? Salários próximos aos deles ou aos dos jogadores de futebol de algum destaque?     

O esporte paralímpico cresceu, com apoio de inúmeras entidades espalhadas pelo Brasil e do Comitê Paralímpico Brasileiro (embora seja órgão bastante contestado), mas o deficiente vive ainda em mundo à parte da sociedade, mesmo pagando impostos, consumindo e votando.      Sejamos sinceros: o deficiente, assim como em 2000 (com raras exceções), é transparente para a maior parte de quem comanda o poder público.     

Basta abrirmos os portões para percebermos: calçadas não adaptadas, transporte público humilhante, desrespeito nos estacionamentos, imensa dificuldade para ingressar no mercado de trabalho, falta de projetos para evitar o sedentarismo (problema dos mais graves para este segmento) e dificílimo acesso ao lazer em ginásios, teatros, bares, restaurantes e cinemas.     

Nossa delegação pensou, naquele outubro de 2000, enquanto bebíamos chopps no Aeroporto (esperando as conexões), que, um dia, portador de deficiência beijaria, pelo menos na novela, a protagonista de novela global.

Quanta ingenuidade!      O Brasil vai brilhar na Paralimpíada do Japão. Será um dos 15 primeiros, mas a luta diária pela inclusão dos deficientes terá que continuar intensa. Jamais inglória. Tenho certeza! 

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