03/08/2021 às 10h48min - Atualizada em 03/08/2021 às 10h48min

A pressão por resultados faz pessoas sãs cometerem loucuras

A Pauta Livre assessorou entidade nacional, afiliada ao Comitê Olímpico Brasileiro

- Peter Falcão
Pauta Livre Assessoria
A pressão por resultados, tão discutida nesta edição da Olimpíada, faz pessoas, aparentemente, sãs cometerem loucuras. Foto: Divulgação.

 
A pressão por resultados, tão discutida nesta edição da Olimpíada, faz pessoas, aparentemente, sãs cometerem loucuras, comprometendo, muitas vezes, reputações e até carreiras profissionais.  
 
Abaixo lembro de caso bem específico, no qual fomos usados sem menor cerimônia. 
 
A Pauta Livre assessorava entidade nacional, afiliada ao Comitê Olímpico Brasileiro (COB), que preparava seu time para a disputa de um dos eventos mais importantes das Américas. 
 
Estávamos no escritório quando recebemos ligação de um dos técnicos da seleção solicitando entrevista, pois, iria, com um dos atletas, desenvolver treinos na altitude do Equador. 
 
A matéria era para postarmos no site da entidade. Colhi as informações e fiz ampla reportagem. Na semana seguinte, ele me enviou e-mail contando como estavam os treinos no país vizinho, repleto de detalhes. Espécie de “diário de bordo”. Fiz mais uma longa matéria. 
 
Após os treinos “na altitude equatoriana”, ele apareceu na sede da entidade com séries de notas fiscais registradas em cidade do interior de São Paulo, na qual moravam seus parentes e onde havia desenvolvido toda a preparação do atleta. 
 
A disputa ocorreria no final de semana próximo. Certamente, apostou na conquista de uma medalha, o que causaria comoção e transformaria a insubordinação em genialidade. 
 
O técnico maluquete quase apanhou do presidente da entidade, mas para não causar imenso escândalo nacional, o caso foi abafado. Até hoje a imprensa não sabe do ocorrido. 
 
O atleta nem chegou ao fim da disputa. Nas primeiras voltas sentiu contusão na coxa. E o técnico foi demitido. Nunca mais ouvi falar dele. E nem recebi mais seus alucinados e-mails.  
 
Com 32 anos de jornalismo esportivo, posso afirmar: os bastidores do esporte de alto nível são repletos de amadorismos e vaidades. E de gente que faz quase tudo por uma medalha. E não precisa nem ser a de ouro.  
 
Gracias, amigos, pela atenção! 
 

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