18/08/2021 às 15h30min - Atualizada em 18/08/2021 às 15h30min

Cantor sertanejo mirim quebrou minhas pernas em feira de artesanato

A feira funcionou vários anos no meu bairro

- Peter Falcão
Pauta Livre Assessoria
Só pequena parcela comercializa produtos industrializados na feira. Foto Divulgação

 

 

Durante seis anos seguidos assessoramos no Estado grande feira internacional de artesanato, uma das três maiores do Brasil. 

  

Como em alguns anos ela “pousou” em Vitória mais de uma vez, acho que estivemos por trás da divulgação de, pelo menos, uma dezena de edições. 

 

Aprendi muito deste rico universo. A começar que quase a totalidade dos expositores nasceram em outros países, mas, residem no Brasil há meses ou anos.  

 

Alguns não são artesãos, nem nasceram fora do Brasil, mas comercializam produtos fabricados em grande escala no país, que lembram a cultura dos seus antepassados.  

 

São produtos de todos os preços e possuem o carimbo da “Industria Brasileira”. Quem compra sabe que não são, digamos, originais. 

 

O trabalho de assessoria de imprensa é fundamental. Uma edição desta traz gente de todo o Brasil, que gasta bastante, sobretudo com transporte, alimentação e hospedagem para montar seus estandes. 

 

A torcida geral é para que alguns fatos não ocorram. Greve de ônibus é o principal deles. Final de semana com muito sol também não é bem-vindo. Eventos marcantes que desviem a atenção da imprensa, nem pensar nestes, habitualmente, dez dias de exposição. 

 

Um dia estava em casa, prontinho para dormir, e vi na televisão chamada sobre ”princípio de incêndio em feira internacional”. Pulei da cama e corri lá. Cheguei rapidinho, pois, a feira funcionou vários anos no meu bairro, por incrível sorte nossa. 

 

A diretora da feira estava serena. Alguém ligou para a imprensa informando o “furo”, que foi divulgado sem a necessária checagem. As lonas são 100% antichamas. “Única coisa que danificou aqui hoje à noite foi uma unha minha”, me disse a experiente profissional. 

 

Feiras são imprevisíveis. Se a imprensa não tiver interesse em divulgar, esqueça. Mesmo se a organização investir bom dinheiro na área comercial do veículo de comunicação. Se a redação não “abraçar a causa”, pode apostar no fracasso. E os expositores amargam grandes prejuízos, pois gastam também com o aluguel dos estandes. 

 

Para a venda fluir bem, os detalhes por mais “irrelevantes” que sejam devem ser bem estudados. A exposição dos produtos é um dos principais. É importante também saber se comunicar e ter peças que despertem a atenção, independente do material trabalhado, que vai desde palha a barro, madeira, plástico, tecido ou ferro, dentre outros. 

 

É bom ter astro global em algum estande. Mas isso fica somente nos boatos delirantes dos corredores do evento. 

 

Amiga minha é fera na dança do ventre e queria se apresentar na feira. Fui falar, confiante, com a diretora, logo no primeiro dia. 

 

_ “Ela é bonita, competente?”, me indagou. 


_ “Linda. Fez cursos em São Paulo e já se apresentou em diversos palcos com imenso sucesso”, respondi solícito e com demasiado exagero. 


_ “Quanto tempo dura o show?”. 


_ “Uma hora”, respondi. 


_ “Esqueça. Imagine sua amiga desviando durante uma hora a atenção dos estandes. Os expositores me
matam”, encerrou o papo. 

 

Mas não teve jeito. Na mesma edição, no sábado, dia nobre da feira, mãe comprou ingresso e entrou com o filho cantor mirim sertanejo.  

 

Assim que o “Ao Vivo”, de grande emissora de televisão, começou o moleque soltou o vozeirão e “roubou a cena”. 

 

Os expositores ficaram enfurecidos. E a diretora, transtornada, descontou em quem aqui vos escreve. São coisas da vida. Hoje morro de rir. 

 

“Gracias pela atenção amigos!” 

 

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