11/11/2021 às 18h58min - Atualizada em 11/11/2021 às 18h58min

Recebendo migrantes como imigrantes

Acolher e cuidar, identidade humana.

- Everaldo Barreto Moura é Pensador e professor de Filosofia
Filosofia na Veia
A migração se dá na busca por melhores condições de vida. Foto: Ilustração web.


Compreender o processo de imigração e suas nuances nos chama à responsabilidade humanitária. Refletir no porquê alguém deixa seu país e se aventura a viver em terras de estranhos, é fundamental para definir a postura do povo que o recebe.

Mesmo considerando o conceito sartreano de que “O inferno são os outros” é preciso verificar qual efetivamente é a situação desse outro, que deixa sua terra, emigra de seu lugar, de certa forma abandonando sua história para se lançar no desconhecido, sem referência e desamparado. Separar a aventura espontânea da diáspora e se posicionar no contexto humano de si com o outro.

Uma coisa é sair à passeio para outro país ou mesmo mudar os ares para combater o tédio; outra é ser forçado a deixar sua terra por falta de condições objetivas de vida, de liberdade, segurança ou condições mínimas de sobreviver em seu lugar.

Na Europa a imigração é frequente devido às guerras, mas aqui no Brasil ela se dá muito mais pela busca de melhores condições de vida, fuga da pobreza, da fome e da miséria, principalmente proveniente dos territórios de países vizinhos.

Compreender, acolher, socorrer, ambientar e contribuir para a inserção nesta nova vida é questão humanitária. Ajuda muito lembrar que o outro, não me é totalmente estranho, mas efetivamente um outro eu. Trata-seda responsabilidade ética para se ser humano, mais especificamente na letra de Emmanuel Lévinas:  reconhecimento, cuidado, acolhimento e escuta.

O contingente de imigrantes, principalmente vindos da Venezuela, aumenta a cada dia chegando a mais de 30 mil, só no estado de Rondônia por onde estima-se terem passados mais de 600 mil pessoas. Encontram-se espalhados pelas cidades, principalmente Pacaraima, e nos 13 abrigos oficiais. Realidade dramática capaz de sensibilizar para a efetiva ação.

Nosso país, de dimensões continentais, pode acolher dependendo somente do despertamento da população, à revelia do governo de mente miúda e odienta que suportamos, para o combate aos preceitos xenofóbicos e resgate do posicionamento tradicionalmente acolhedor e humanitário do povo brasileiro.

Penso que muitas dificuldades de encontrar mão de obra para tocar negócios podem ser solucionadas com um pouco de ousadia aliada ao senso humanitário. Naturalmente há o risco, mas onde não há?

Também vale ressaltar os quase 14 milhões de brasileiros desempregados aguardando/buscando uma oportunidade, mas na velha máxima de que “o sol nasce para todos”, sempre é possível ser efetivamente humano para descobrir a maior necessidade da ação humana e desempenha-la.

Deixo aqui alguns contatos com abrigos para os possíveis sensibilizados com interesse nesta ação identificadora do humano.

ACNUR, Agência da ONU para Refugiados

https://www.acnur.org/portugues/2020/09/25/conheca-os-abrigos-que-acolhem-refugiados-e-migrantes-no-norte-do-brasil/
 

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