23/11/2021 às 13h04min - Atualizada em 23/11/2021 às 13h04min

Brasil: um golpe financeiro a cada seis segundos

Celulares são usados nos golpes do limpa-conta explodem e causam prejuízos a usuários

Agência Público
Foto: Ilustração.

 

A cada seis segundos, um golpe financeiro é aplicado no Brasil, em 2021. Segundo a especialista em cibersegurança PSafe, mais de 400 golpes financeiros aconteceram por hora no país somente neste ano.

A todo momento, somos bombardeados por tentativas de golpes. O golpe da moda, no entanto, extrapola o mundo virtual: quadrilhas especializadas furtam e roubam celulares para limpar a conta das vítimas se aproveitando de falhas de segurança. O comerciante Rafael Mustacchi, de 29 anos, foi uma dessas vítimas.

Ele perdeu cerca de R$ 240 mil após ter seu celular furtado em um restaurante no Centro de São Paulo. Além do prejuízo financeiro, que o impediu de manter sua loja on-line funcionando por falta de capital, Rafael passou a sofrer de depressão. “Parei de trabalhar em minha loja on-line, em parte por falta de capital, mas principalmente por não acreditar mais que vou conseguir ter estabilidade financeira”, diz.

Segundo Rafael, os criminosos aproveitaram-se de uma falha de segurança do PicPay na hora de realizar a autenticação de um cliente e, por meio do ‘Esqueci minha senha’, apenas informando o CPF e solicitando um SMS, conseguiram alterar a senha, acessar a conta corrente e realizar mais de 20 operações. “O sistema de recuperação de senha e a validação em duas etapas da empresa precisam ser revistos. Isso só aumenta a facilidade para que golpistas tenham sucesso”, avaliou o advogado especializado em fraude bancária, Alexandre Berthe Pinto.

Além da facilidade de alterar a senha da conta, o advogado destacou a falta de segurança do próprio sistema. “Foram feitas diversas movimentações expressivas, em horários atípicos e a empresa sequer suspeitou de que algo poderia estar errado. Bastava realizar comparações com o histórico de uso para desconfiar que estava ocorrendo algum golpe e bloquear as ações até que fosse realizado contato com o cliente”, pontuou.

 
A vítima agora move processo judicial contra o Picpay pelas falhas de segurança que facilitaram a ação dos criminosos. “Eu os cobrei no mesmo dia em que descobri o desvio e me disseram que iriam analisar o caso. Depois, passei uns 45 dias mandando e-mail e ligando umas 3 vezes por semana, mas a resposta era sempre que ainda estavam analisando”, disse Rafael. “No fim, recusaram-se a devolver o dinheiro e disseram que não identificaram nenhuma falha de segurança. Durante esses 45 dias, ainda acionei o Procon, o Banco Central e outras instituições, mas eles também receberam justificativas bem esquivas”, completou.

Segundo o advogado Alexandre Berthe, nesta ação alega-se que o Picpay apresentou uma falha na prestação de serviço ao não fornecer a segurança devida. “Há diversos artigos do Código de Defesa do Consumidor que contextualizam essa situação. A empresa está sendo processada por danos morais na mesma ação em que se exige a devolução de todo o dinheiro desviado”, explica. Decisões recentes de tribunais, acrescenta Berthe, confirmam que há possibilidade da ação ser vitoriosa. No âmbito digital, continua, há muitos exemplos de falhas de segurança que estão sendo identificadas e corrigidas, como no sistema PIX, que sofreu recentemente alterações de cunho restritivo para diminuir a quantidade de golpes, completa.


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