25/12/2021 às 13h30min - Atualizada em 25/12/2021 às 13h30min

Consertar as pessoas

A ilusão de construir a perfeição no outro é uma constante sombra de verdade

- Everaldo Barreto Moura é Pensador e professor de Filosofia
Filosofia na Veia
Raul Seixas inspirador: o novo Aeon e a sociedade alternativa é possível? : Ilustração Web.


O que é a realidade? A liberdade? A verdade? O bom e o belo? 

As verdades colocadas em nossa sociedade, são construções ideológicas e sempre relativas, principalmente à cultura de um lugar, um tempo, um povo ou nação.

Trata-se da chamada construção do “ethos”, uma “casa” dos hábitos, costumes, valores, relações. Aquilo que é considerado ético, moral, coerente e até de “bom senso”.

Afastado daí tudo é mal visto, condenável, punível, enfim motivo de exclusão.

Podemos considerar que desde sempre, ou que do surgimento da Filosofia na Grécia antiga e até mesmo a consagração pelo nascimento da psicologia na modernidade, o imaginário humano vaga entre o ser existente e o ser que “deveria existir”, frente ao modelo social ideal para o pensamento do momento.

Isso traz grandes polêmicas, cuja mais conhecida talvez seja a famigerada “cura gay”, ou seja: existe um modelo de prazer sexual que possamos considerar “legal, moral, ideal, regular, aceitável” ou qualquer outra adjetivação possível?

É possível, ou preciso, a adaptação do sujeito, ao nível de seu prazer sexual, aos modelos comportamentais da vida em sociedade?

O ser aparece e vai se moldando numa gama de influências desde o tempo e local que nasce, família, envolvimentos diversos e muitas outras coisas fundantes de sua estrutura de vida.

As alterações de percurso serão sempre valoradas pela estrutura formada e a não ser que venha por um processo de catarse, que provoque a ruptura nessas estruturas e force o sujeito a um recomeço, como nos processos religiosos de conversão, essas estruturas sempre guiarão o sujeito em suas ações.

Os valores morais de uma sociedade se fortalecem por meio da educação responsável, pela entrega do mundo ao educando, com a responsabilidade própria dos educadores que, segundo Hannah Arendt entregam um mundo a que amam e se responsabilizam por ele, mas também se preocupam em entrega-lo para alguém que terá como papel social promover as inevitáveis mudanças inerentes à chegada do novo.

Considerando que a educação formal não atinge a todos os sujeitos, aparecem “ethos” diferenciados, em realidades distintas, comumente formados em territórios de exclusão, mas também noutras circunstâncias, em que a educação formal não acontece no tempo de formação dos sujeitos, ou até mesmo em nenhum outro tempo, e então trazem a construção de outra realidade, alterando os conceitos de liberdade, verdade, bondade, beleza, etc. quando então a sociedade que construiu o “ethos” hegemônico passa a “policiar” para “enquadrar” todos os sujeitos àquele seu “ethos”.

Dessa forma essa sociedade estrutura suas “oficinas de conserto dos seres”, sempre fadadas ao fracasso, à exemplo dos cárceres, reformatórios, manicômios, hospitais psiquiátricos, clínicas de recuperação etc. sem desprezar até mesmo as uniões matrimoniais e familiares desgastadas pela mesma tentativa.

Nessa reflexão, o que ficará para conclusão do leitor interessado é: a dialética do ser e o ser ideal para a vida em sociedade, que preserve, no sentido mais concreto, os conceitos fundamentais de verdade, liberdade e justiça.

Para contribuir deixo a provocação inspirada pelo cantor popular e visionário Raul Seixas: o novo Aeon e a sociedade alternativa é possível?     




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