15/03/2022 às 07h42min - Atualizada em 15/03/2022 às 07h42min

Estevão Gasparini: um craque a serviço do futebol de areia e da Medicina

Craque formou-se em Medicina e já se dedica à Pediatria

- Peter Falcão
Pauta Livre Assessoria
O grande atleta começou no futebol de areia aos 14 anos. Fotos de Peter Falcão.
 
 
 
Autor de gols memoráveis, muitos por meio de bikes acrobáticas, Estevão Gasparini é um brinde ao bom futebol de areia, desde as categorias de base do Meninos da Ilha. 

 

Querido por toda a comunidade ligada à modalidade (principalmente por ter defendido diversos clubes da Grande Vitória), Estevão formou-se em Medicina e já se dedica à Pediatria, um novo desafio que espera encarar com humanismo, determinação e, logicamente, a categoria de sempre. 

 

Começo 

 

O grande atleta começou no futebol de areia aos 14 anos, o que para os padrões da época era tarde. “A maioria dos meninos já vinha jogando desde pequeno na base, recebi convite de amigo da escola e foi amor à primeira vista”, disse. 

 

Logo no primeiro dia, segundo ele, sentiu que era onde se encontraria: “Nossa base no Meninos da Ilha era muito forte,  geração muito boa, vencíamos quase todas as competições municipais que disputávamos. Tivemos oportunidades de viajar para jogar contra Botafogo e alguns clubes do Rio em eventos amistosos, mas na época, infelizmente, não havia o campeonato brasileiro”, recordou acrescentando que agradece ao Meninos da Ilha e ao professor Alex Fabiano por tudo que o proporcionaram na época. 

 

Adultos 

 

Estevão recorda que com 15-16 anos alguns da base disputavam competições adultas. “Foi assim naquela famosa segunda divisão do Municipal de Vitória em que nosso time, recheado de garotos, ficou em segundo lugar, vice campeão perdendo para o Atlanta, na época time do Maguinho”, lembrou. 

 

Essa competição e o Brasileiro de 2013 em que o Vilavelhense ficou em segundo, perdendo para o Vasco, foram os momentos que mais marcaram o atleta junto ao Meninos da Ilha.  

 

“Nesse projeto pelo Vila, nosso treinador, Alex juntou jogadores de vários times municipais (Meninos da Ilha, Geração, Juventude, Santa Lucia). Na época, com 16 anos, foi uma honra poder participar, emocionante demais aquele vice-campeonato em Camburi, vencendo clubes como Botafogo e Flamengo”, destacou. 

 

Alguns atletas do Meninos da Ilha, segundo ele, posteriormente, receberam proposta de defender o Rio Branco Beach Soccer, sob o comando do mesmo treinador, Alex Fabiano.  

 

“Na época, o idealizador do projeto era o Bruno Malias. Quem diria que, anos depois de ver o Bruno na televisão, vestindo a amarelinha, brilhando, eu teria a oportunidade de jogar ao lado dele, ali no Rio Branco. Foi baita experiência, os anos no Rio Branco também”, afirmou. 

 

Estevão lembra que quando os atletas do Meninos da Ilha chegaram no Rio Branco constavam atletas bem experientes no elenco, tais como Marquinhos, goleiro e Diogo Malias. 

 

“O elenco era bem forte, alguns caras de outros times municipais ficaram conosco por algum tempo no projeto como Ralson, Maguinho, Alezyr, Erick Lyrio. Nesse projeto conquistamos a vaga para o sonhado Brasileiro naquela famosa Seletiva Centro-Sul-Sudeste”, lembrou. 

 

A Seletiva, realizada no Tancredão, foi eletrizante e Estevão determinante, com gol antológico de bicicleta contra o Botafogo. “Nesta seletiva, perdemos o primeiro jogo, mas conquistamos a vaga contra Botafogo na terceira partida do chaveamento. Vencemos por 6 a 4”, destacou. 

 

“Nesse jogo, realmente, fiz o gol mais emocionante da minha carreira. Nosso time com um a menos, no contra-ataque me vi sozinho, contra dois marcadores, levantei para a bike e marquei... meu pai na torcida, mesmo botafoguense, não se conteve”, lembrou. 

 

Estevão pulou no alambrado para comemorar com a torcida organizada do Brancão, enlouquecida. “É uma das partidas que mais me recordo. E foi marcante porque a partir desse campeonato eu e Leozinho conquistamos mais espaços no time”, acrescentou. 

 

Estadual 

 

Estevão começou cedo a participação nos Estaduais. “Jogo desde a base no Meninos da Ilha, tive oportunidade de atuar ao lado e até contra jogadores que integram ou integraram a seleção brasileira”, recordou. 

 

Curiosamente, o grande evento não faz parte da sua relação de conquistas. “Antigamente vinham muitos jogadores de fora para participar aqui. Infelizmente nunca conquistei, se não me engano já fui vice três vezes e estou em busca do título (risos)”, disse. 

 

“Na última edição, jogando por Vitória, eu marquei o gol mais bonito nesses meus anos de beach soccer, contra Vila Velha. Um gol de bicicleta numa jogada de mano a mano contra um ex-companheiro, Ralson. No gol estava Marcelão, junto ao qual estive recentemente também no projeto BSVV. Inclusive, pelo BSVV fui campeão do Metropolitano, um dos meus melhores campeonatos, individualmente falando”, acrescentou. 

 

O atleta teve intensa participação em clubes, fazendo incontáveis amizades. “Eu já rodei quase todos aqui por Vitória. Já disputei Municipais com Juventude, Santa Lúcia. Já joguei Estadual com o Craques da Praia. Recentemente tive a oportunidade de jogar a Seletiva para o Brasileiro com o River, em Anchieta. O ganho como ser humano é inimaginável, sempre crescendo como pessoa, criando vínculos”, afirmou. 

 

Estevão revela que sempre valorizou demais o esporte e que o beach soccer lhe permitiu aliar os estudos e a dedicação à atividade esportiva.  

 

“Meu pai sempre me deu muito apoio, sempre incentivou, sempre me mostrava que dava pra conciliar, que valia a pena seguir. Até hoje ele acha que eu poderia ter ido mais longe mesmo fazendo Medicina (risos)”, comentou. 

 

“Eu quem decidi seguir só por aqui mesmo: chega um ponto em que treinar diariamente e viajar para jogar fora fica inviável. No segundo ano do ensino médio eu decidi parar no campo para focar nos estudos, mas me mantive no beach soccer, quando entrei na UFES eu conseguia treinar semanalmente, mantendo o foco na faculdade de Medicina”, revelou. 

 

 Ele ingressou na  UFES em 2015 e lá disputava os campeonatos internos, enquanto seguia treinando no Meninos da Ilha e depois no Rio Branco.  

 

“No Rio Branco eu treinava quase todos os dias pela manhã de 5h40 às 7h e depois seguia para a faculdade. Era uma rotina puxada, mas que eu valorizava muito”, destacou 

 

Quando começou no “internato” tudo ficou mais difícil para Estevão. “Tínhamos que cumprir carga horária de plantão e, muitas vezes, eu precisava chegar bem cedo na faculdade. Acabou que eu segui no beach soccer por minha conta: eu jogava no time da faculdade (tenho um amor enorme pelo vínculo que criei com nossa atlética - Medufes), mantinha sempre a parte física com treinos que eu mesmo projetava (sejam funcionais ou corridas mais longas) e, assim mesmo, depois que o projeto do Rio Branco acabou, segui recebendo propostas para disputar os campeonatos locais”, lembrou. 

 

O craque recebeu convites na ocasião para disputar o Brasileiro da modalidade, mas teve que recusar pela rotina que a Medicina exige. 

 

“Depois do internato treino por minha conta e quando surgem os campeonatos, participo de alguns treinos nas vésperas do início e vou com tudo”, comentou acrescentando que obviamente não tem a mesma velocidade e resistência de quando treinava todos os dias, mas ainda consegue se manter bem. 

 

Pediatria 

 

Estêvão Gasparini se formou em fevereiro de 2021 e está há quase um ano como residente de Pediatria no Hospital Infantil Nossa Senhora da Glória.  

 

“Ali realmente tenho crescido muito como médico, pessoa e tenho aprendido muito. Espero muito me tornar um ótimo pediatra, não só em relação a conhecimento, mas em saber me comunicar com as pessoas, ter um olhar mais ampliado, que vai além da doença”, relatou. 

 

Seus maiores parceiros no futebol de areia são aqueles com quem jogou na base do Meninos da Ilha: Leozinho, Cedri, Sonaldo, Nicolas. 

 

“Sempre tive uma ótima relação também com nosso técnico Alex Fabiano e com Bruno Malias que foi o idealizador do projeto do Rio Branco”, revelou. 

 

Seus ídolos no futebol de areia são aqueles que tem a característica que mais gosta nos jogadores, os que arriscam, os mais ousados e os que tem o “um contra um” como ponto forte. 

 

“Atualmente gosto muito do Zé Lucas, do Felipe (que tem atuado muito por Anchieta), do Mauricinho. Não encaixa no meu estilo de jogo por ser pivô, mas acho o Rodrigo, da seleção, também um baita jogador”, disse. 

 

Futuro 

 

Segundo Estevão seu futuro no esporte é incerto. “Atualmente, infelizmente, não vejo tantas perspectivas em relação ao meu futuro no futebol de areia, não vislumbro muito além do que tenho. Eu gosto muito de jogar, mas minha profissão e os estudos não me permitem pensar em viagens e campeonatos maiores”, destacou. 

 

“Não tenho condição de dedicar mais tempo do que dedico ao esporte no momento, me mantenho bem fisicamente para jogar os campeonatos regionais e enquanto estiver bem pra isso seguirei firme jogando, espero que por muito tempo (risos)”, comentou acrescentando que pode acontecer de ter que ir para São Paulo ou Rio depois que terminar os três anos de residência, visando a buscar uma especialização dentro da Pediatria. 

 

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