17/05/2019 às 13h18min - Atualizada em 17/05/2019 às 13h18min

Pátio da Delegacia de Colatina com 200 motos acumuladas

Audiência comprovou que falta de ambulância para os Bombeiros

- Rafael Moura de Sá /Assessoria Parlamentar
Assembléia Legislativa do Espírito Santo - Ales
Vereador Charles Luppi
Delegacia com 200 motos acumuladas e veículos sendo criadouros para o mosquito da dengue, baixo efetivo para atendimento no Serviço Médico Legal (SML) e apenas uma ambulância de resgate do Corpo de Bombeiros para atender Colatina e mais outros 10 municípios.

Esses foram alguns dos problemas apontados por autoridades e por cidadãos durante audiência pública da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Assembleia Legislativa, presidida pelo deputado Delegado Danilo Bahiense (PSL), realizada na Câmara de Vereadores colatinense, na noite desta quinta-feira (17).

A audiência contou com a presença de representantes da Polícia Civil, da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros, da Prefeitura de Colatina, da Câmara de Vereadores, além do Ministério Público. Danilo Bahiense conduziu os trabalhos na Casa de Leis municipal. O deputado considerou a reunião como positiva.

“Ouvimos o que a população tinha a dizer e vamos poder efetuar os nossos trabalhos na Comissão de Segurança. Infelizmente, muitos dos problemas não me surpreendem e agora vamos atuar pela Assembleia Legislativa para ser uma voz junto ao governo do Estado”, afirmou Danilo Bahiense.

A reunião

Com população de cerca de 120 mil habitantes, Colatina registrou até o momento neste ano um total de três homicídios, sendo dois em março e um em abril. De acordo com a Polícia Civil, todos os crimes foram elucidados e seus autores foram presos. O indicador de homicídios pode estar até baixo, no entanto está elevados os problemas com relação à estrutura.

Exemplo é a 15ª Delegacia Regional de Colatina. O vereador Charles Luppi apresentou fotos que mostravam as condições degradadas da unidade, com acúmulo de 200 motos pelo pátio, carros quebrados e que vêm sendo criadouros para os mosquitos que transmitem a dengue, além de arquivos mortos espalhados pelo corredor.

“Também há na frente da delegacia uns 25, 30 carros na rua. E pessoas em situação de rua vão ficar na região também”, pontuou o vereador.

O superintendente de Polícia Regional Noroeste, delegado Landulpho Lintz, reconheceu a existência dos problemas. “Atendemos 300 pessoas por dia. E a prefeitura tem dado apoio para que tenhamos pessoal suficiente para atender à população”, disse Landulpho, emendando que é vergonhosa a situação estrutural da delegacia.

Também foi trazido à tona o problema de efetivo no Serviço Médico Legal colatinense. Foi destacado que o volume de médicos é insuficiente, bem como de peritos oficiais criminais, motoristas, entre outros. Danilo Bahiense lembrou que houve casos em que a população tinha de buscar os serviços ou em Linhares ou em Vitória. E que tem havido trabalhos de reivindicação de mais médicos e de equiparação dos salários entre os médicos legistas e os da Secretaria de Estado da Saúde. Enquanto um médico legista tem salário base de R$ 5.103,84, profissionais da Sesa têm subsídios que podem chegar até o dobro do valor do funcionário vinculado à Polícia Civil.

O chefe das Promotorias de Justiça de Colatina, promotor Marcelo Ferraz Volpato, fez uma análise da situação do município e realizou uma leitura de todos os problemas estruturais. Afirmou que o Ministério Público ingressou com ações civis públicas requerendo reformas para a Delegacia Regional de Colatina e também de atenção especial para o SML. Outro ponto que preocupa é a quantidade de ambulâncias de resgate do Corpo de Bombeiros para a 3ª Cia Independente (Colatina), que engloba Colatina, Alto Rio Novo, Baixo Guandu, Governador Lindenberg, Itarana, Itaguaçu, Mantenópolis, Marilândia, Pancas, São Domingos do Norte e São Roque do Canaã.

“É somente uma ambulância de resgate do Corpo de Bombeiros para atender uma população de cerca de 400 mil moradores e que muitas vezes é usada para outros fins”, frisou o promotor.

Finalizando o discurso, Volpato lembrou da condição de Colatina ser uma “cidade-presídio”. São quatro unidades da Secretaria de Estado da Justiça (Sejus), que comportam uma população de 2 mil internos. Uma delas, a Penitenciária Semiaberta Masculina de Colatina, que fica instalada na avenida Beira-Rio, às margens do Rio Doce, cartão-postal do município.

“Precisamos ter um carinho especial nisso, realizando políticas públicas que não façam o apenado retornar ao sistema prisional por cometer um outro delito. Empresas podem ser incentivadas a contratar essas pessoas, o que vai ajudar até na questão da segurança”.

Danilo Bahiense concordou com as posições do promotor e finalizou a reunião lembrando que a Comissão de Segurança tem realizado inspeções nos presídios, verificando as condições deles e se estão superlotados.



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