14/02/2024 às 10h49min - Atualizada em 14/02/2024 às 10h49min

Brasil pode perder até 40% da sua disponibilidade de água até 2040, diz ANA

Agência Brasil
Foto: Ilustração web.

 

Um estudo realizado pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) destacou que o Brasil pode perder cerca de 40% da sua disponibilidade de água até 2040, durante a abertura da Jornada da Água de 2024.

Segundo a ANA, o Norte, o Nordeste e parte do Centro-Oeste serão as regiões mais afetadas pelas mudanças climáticas nos próximos anos, dessa forma devem sofrer consequências mais severas sobre uma possível diminuição do nível das águas.

O relatório alerta que “O risco de escassez de água deverá aumentar devido a reduções na disponibilidade dessas regiões, notadamente nas áreas semiáridas, afetando o abastecimento de água nas cidades, a geração de energia hidroelétrica e com impactos particularmente para a agricultura de subsistência”. Além disso, o estudo destaca a necessidade de conter as emissões de gases de efeito estufa para assim evitar uma estiagem em três das cinco regiões do Brasil, tendo em vista que a estimativa considera um futuro de altas emissões de carbono e mais de 4,5°C de aquecimento. Contudo, mesmo em cenários mais otimistas e um planeta não tão quente, ainda foram observadas diminuições de 20% nos níveis de água.

Esse ano, o tema da jornada foi “A água nos une, o clima nos move”. O lema visa não só sensibilizar as lideranças, mas também a sociedade sobre a necessidade de cuidarmos dos nossos recursos hídricos. O Brasil enfrenta grandes desafios provocados pelo El Niño e La Niña. Afinal, em 2023 tivemos 2.123 municípios vivendo em estado de emergência, tivemos secas históricas e ainda casos de inundações que agravaram ainda mais a situação.

De acordo com a pesquisa denominada de “Impacto da Mudança Climática nos Recursos Hídricos do Brasil” estima-se um aumento substancial no número de trechos de rios intermitentes no nordeste, ou seja, de rios que secam de forma temporária. Dessa forma, a região deve ter reduções significativas sobre seus volumes de chuva, de modo a intensificar a seca no semiárido e na faixa litorânea. Assim, o quadro pode trazer situações críticas semelhantes às ocorridas no ano passado, durante a seca histórica na Amazônia.
Na região Sul, por outro lado, a tendência é de um aumento de, em média, 5% da disponibilidade hídrica até 2040, no entanto, verificou-se também o crescimento de imprevisibilidade climática desse indicador, relacionada a eventos de secas, cheias e inundações. Ou seja, mesmo que possa haver mais água, a sua ocorrência ainda é inconstante e associada a eventos climáticos extremos, em sua maioria. Para o norte, o estudo aponta perspectivas de secas cada vez mais frequentes e intensas, além da redução nas vazões dos rios e nos volumes médios das chuvas.

Com relação ao Sudeste e ao Centro-Oeste, ainda há uma maior incerteza quanto à ocorrência de chuvas nos modelos climáticos utilizados. Dessa forma, as mudanças não são tão claras quanto no restante do país. Embora a ocorrência de cenários mais secos tenha predominância, com tendência a uma redução das vazões em função das mudanças climáticas. Assim, foram produzidos cenários sobre três horizontes: de 2015 a 2040, de 2041 a 2070, e de 2071 a 2100. Isto é, sob critérios como níveis de precipitação, evapotranspiração, disponibilidade hídrica e variação da vazão.

 
 
 

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