24/04/2024 às 10h42min - Atualizada em 14/05/2024 às 17h59min

Fonoaudiologia e nutrição: como ocorre a intervenção interdisciplinar a pacientes disfágicos

É fundamental que a equipe multiprofissional tenha sensibilidade para entender as necessidades do paciente e trabalhe em conjunto com outras disciplinas

Alessandra Siegel
Divulgação


Realizar alterações na consistência alimentar é uma estratégia fundamental utilizada no tratamento dos distúrbios da deglutição. Alimentos líquidos como a água, por exemplo, por fluírem rapidamente, podem ocasionar escape prematuro para a faringe em pacientes disfágicos, comprometendo a segurança da deglutição.

Já os líquidos viscosos e os alimentos sólidos requerem maior força de propulsão da língua. Caso isso não ocorra, existe o risco de permanência de resíduos em recessos faríngeos após a deglutição. Para garantir uma alimentação segura, o fonoaudiólogo orienta os pacientes a ingerirem os alimentos nas consistências mais adequadas para cada caso. Além disso, em companhia da nutricionista, é criado um cardápio específico. 

“O maior desafio na fonoaudiologia, relacionado ao paciente disfágico, é proporcionar de forma segura a alimentação por via oral, ainda que seja adaptada, mas fazer com que remeta à memória afetiva, desde a apresentação do prato, estimulando outros sentidos, como visão, olfato, que nada mais é, o que chamamos de fase antecipatória da deglutição, até a deglutição propriamente dita”, esclarece Aline Ferreira Santos, fonoaudióloga da YUNA.
 
No caso da paciente V.L.C.G.S., devido à sua patologia de base, ELA (Esclerose Lateral Amiotrófica), DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica) e AVC (Acidente Vascular Cerebral) alguns processos da deglutição foram impactados, fazendo com que a dieta mais segura fosse na consistência pastosa e líquidos mel, devido ao alto risco de broncoaspiração, já constatado em exames.

Segundo a fonoaudióloga, para atender o desejo da paciente em comer uma massa, foi realizado o acompanhamento com exercícios específicos e treinos de deglutição, por meio de alimentos macios para preparar a musculatura da paciente. Juntamente com a nutricionista foram analisadas maneiras para proporcionar este alimento, sem trazer riscos, algo bem cozido, com molho e cremoso.

“O resultado foi maravilhoso, ofertei a massa que ela queria, macarrão de massa curta, bem cozido e com bastante molho, além de canelone com recheio de ricota. Hoje, a paciente mantém uma dieta pastosa e líquidos espessados na consistência de mel porém, duas vezes por semana recebe sua massa, de maneira que possa se alimentar com segurança e feliz”, completa a profissional.

Por isso é tão importante que a equipe multiprofissional tenha essa sensibilidade e trabalho em conjunto.

O desempenho da Nutrição

No caso relatado, o desafio da nutrição foi a adaptação de consistência do alimento que remetia à memória afetiva para a paciente. “Foi discutido com a fonoaudióloga os riscos e os benefícios que essa oferta traria. Realizamos testes com diversos tipos de massas (curtas e longas), diferentes molhos (branco, ao sugo, bolonhesa) até chegarmos a uma preparação com massa curta bem cozida ao molho sugo e canelone de ricota. A paciente segue com dieta pastosa, mas consegue desfrutar das preparações de massas adaptadas para o caso dela”, esclarece Izabella Campos, Nutricionista Clínica da YUNA.

O trabalho em conjunto entre a nutricionista e a fonoaudióloga foi fundamental para que a paciente realizasse seu desejo com segurança, sem prejudicar seu quadro clínico.

Sobre a YUNA

A YUNA, especializada em transição de cuidados, oferece suporte completo para pacientes de reabilitação, cuidados paliativos e continuados, atendimento individualizado e assistência transdisciplinar. Mais informações no telefone (11) 3087-3800 ou no site  https://yuna.com.br/.


 

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ALESSANDRA LANCHOTI SIEGEL
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