06/02/2020 às 09h53min - Atualizada em 06/02/2020 às 09h53min

Nas masmorras do esporte, vi talentos desperdiçados, diz o repórter Peter Falcão

- Peter Falcão
Meninas ligadas ao esportes sem oportunidades ou saída são atiradas na prostituição. Foto Ilustração.
O repórter fotográfico, Ricardo Medeiros e eu fizemos perfil sobre jovem talento capixaba que havia acabado de ser campeã brasileira amadora de modalidade individual.

Nos chamou a atenção sua situação de pobreza. A matéria mereceu foto na primeira página. Empresário me ligou para oferece-la apoio com passagens aéreas.

Tive imensas dificuldades em localiza-la por telefone. O seu técnico teve que ir pessoalmente à sua casa, pelo menos três vezes, até acha-la.

Sua mãe o confessou que a menina passava semanas fora de casa e pouco treinava.

Na editoria que me colocaram em A Gazeta, logo apelidada de “Caça Fantasma”, fui escalado, ao lado de mais dois repórteres, para matéria especial sobre prostituição.

Ao entrar na boate avistei a menina. Foi desconcertante para ambos.

Iniciamos a conversa e ela falou que estava ali por causa do vício em drogas, que começou com a maconha.

Me revelou que outras duas meninas ligadas ao esporte também trabalhavam por ali.

Estas sem vício algum. Somente para ganhar dinheiro e sustentar seus filhos.

Não usei as informações. Nunca tive nada com vida pessoal de atleta, assim como espero que respeitem a minha.

Dez anos depois, voltando de Jacaraípe, passamos de carro por Jardim Limoeiro e a vi maltrapilha, magra, andando trôpega na calçada, com olhar perdido não se sabe onde, jogada nas masmorras do submundo.

Tive exata noção de como os talentos são desperdiçados neste país desleal.
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