17/02/2020 às 08h39min - Atualizada em 17/02/2020 às 08h39min

Campeã da São Silvestre viveu dia de cão em Terra Vermelha, antes das dez Milhas

- Peter Falcão
Foto Peter Falcão
Uma das atletas que mais amei conhecer foi a fundista mineira, Maria Zeferina Baldaia.

No auge da carreira, veio disputar a Dez Milhas Garoto e fui escalado para ouvi-la no hotel, na orla da Praia da Costa, em Vila Velha.

Tivemos boa química instantânea. Fui com o dever de casa muito bem feito.

Ela havia acabado de ganhar a São Silvestre (2001) e a Volta da Pampulha (2002) e estava vivendo momento de intensa reverência, com pleno merecimento.

Simpática, atenciosa, sem qualquer estrelismo, respondeu perguntas durante 20 minutos, entre gole e outro de café, bem cedinho.

Já no calçadão, alongou para treinar e trotou firme no sentido Guarapari.

Tive pressentimento estranho ao vê-la partir.

No final da tarde, soube que dois caras, logo depois da Barra do Jucu, mais ou menos em Terra Vermelha, tentaram roubá-la, munidos de facas.

Queriam, provavelmente, os tênis importados e os óculos. Ela conseguiu se livrar. Ainda bem. Mas sua prova no outro dia não foi legal. Elegante, evitou falar mal do Estado pelo ocorrido.

Cinco anos depois, assessorando pela Pauta Livre, a primeira edição da Meia Maratona Volta da Ilha de Vitória a reencontrei no Aeroporto, para mais uma entrevista.

Lembrei do ocorrido e ela me revelou como se safou.

“Pulei do calçadão na areia fofa e corri forte em direção ao hotel. Sabia que naquele piso jamais me alcançariam. Mas não desejo a ninguém passar o que passei”.

Nos despedimos, com dois respeitosos beijinhos, e seguimos nossas vidas. Nunca mais a vi. Sei que todas as vezes que voltou para disputar as Dez Milhas Garoto treinou para o lado oposto. O que termina no Clube Libanês.

Link
Tags »
Notícias Relacionadas »
Comentários »

Quais são os piores motoristas de Colatina

45.7%
23.9%
30.3%