20/02/2020 às 07h37min - Atualizada em 20/02/2020 às 07h37min

Preciso beijar-lhe os pés para, agora, quem sabe, entrar no céu!

- Peter Falcão
Getty Images
Uma das lembranças que tenho da infância é a briga pela posse da televisão colorida, no domingão, com minha irmã Daniela. É que eu queria muito ver Ele.

Vê-lo preenchia a alma durante uma semana, 15 dias, sei lá: até Ele voltar a aparecer na telinha e estufar redes.

Com Ele em campo, um gol estava garantido a cada jogo. Nada mal, convenhamos.


Quando algum paspalhão da Escelsa fazia faltar luz, antes das 17 horas, era quase infarto para gentes de 14 anos.


Luz voltava e gritaria ecoava nos céus reluzentes dos milhares de bairros Brasil afora.


Longe de querer cometer sacrilégio, mas ninguém jamais teve coxas tão grossas como Ele. As conheci quando Tio Antônio e Tia Jane me levaram no Engenheiro Araripe.


No mesmo dia tive primeiro contato com o Chicabom, descobri cedo o que vinha a ser amor à primeira vista.


Repórter, tive com Ele, cara a cara, duas vezes. Na primeira, era Secretário Nacional de Esporte do Governo Fernando Collor.


Para A Gazeta, o entrevistei em evento paradesportivo, realizado no auditório da antiga Escola Técnica Federal, hoje IFES.


Os microfones estavam abertos e quando perguntei algo diferente das questões relativas aos portadores de deficiência, ouvi estrondosas vaias.


Ainda bem que não rolaram mágoas, de nenhuma das partes, e, seis anos depois, cobri a Paralimpíada de Sydney.


No outro encontro, o entrevistei antes de evento de esporte da TV Gazeta, realizado no sabadão de manhã, no qual jogou vôlei e futevôlei, com a pancinha saliente, estufando a blusa colorida.


São ossos do ofício. Mas, sacrilégio maior, convenhamos, não há para Ele.


Como Ele está acima de tudo, até mesmo do bem e do mal, peço perdão se, de certa forma, não tenha, nestas duas passagens, o entendido muito bem. São infames, as dúvidas. Desde já antecipo.


Então, pelos inúmeros títulos, gols inacreditáveis de falta e amor imensurável ao Mengão, digo, de peito aberto: “Te Amo!”.


Queria somente uma chance para, antes de morrer, beijar os teus pés. Desta forma, fecharíamos um ciclo, me purificaria e alcançaria o tão sonhado céu.
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