01/02/2021 às 11h51min - Atualizada em 01/02/2021 às 11h51min

O Colatina é o único campeão capixaba de futebol nos 100 anos da cidade

Há pouco mais de 30 anos o Colatina conseguiu quebrar o tabu e foi Campeã Estadual de Futebol

- Por Paulo César Dutra (Cesinha)
Presente & Passado
A escalação titular da maioria dos jogos do Colatina era: Sandro, Jacimar, Cacau, Pádua e Wallace; Garrafa, Japonês, Hamilton; Carlos Mantenópolis, Wellington e Arildo Ratão. Foto: Reprodução Revista Placar - Cesinha
A Associação Atlética Colatina é uma agremiação esportiva do município de Colatina, cidade identificada como a “Princesa do Norte”, no Espírito Santo, no Brasil, fundada em 13 de janeiro de 1979 e que depois de ser o vice-campeão por duas vezes, sagrou-se Campeã Estadual do Espírito Santo, em 3 de junho de 1990.

É a única agremiação esportiva da cidade a conquistar o título capixaba de futebol, na história dos 100 anos de fundação de Colatina.
 
Antes da existência da Associação Atlética Colatina o futebol da Princesa do Norte teve vários times profissionais: o Colatinense, o Vila Nova, o UACEC, o América, o São Vicente, o São Silvano eo Marilândia, mas nenhum deles conseguiu ser campeão capixaba.

O time que esteve mais próximo do título foi o UACEC que jogava pelo empate na final contra o Santo Antônio (da Capital). No primeiro jogoo UACEC perdeu de 2 x 0, em Vitória.

Na segunda partida no Justiniano de Mello e Silva em Colatina, já no final do segundo tempo, o UACEC fez 1 x 0, mas torcedores afoitos invadiram o campo e paralisaram a partida, pensando que o resultado dava o título ao UACEC. Quando a partida foi reiniciada o jogo havia esfriado para os colatinenses que não conseguiram fazer o segundo gol.
 
Há pouco mais de 30 anos o Colatina conseguiu quebrar o tabu e foi Campeã Estadual de Futebol. E tudo se deu no dia 3 de junho de 1990, quando a cidade de Colatina virou uma festa só, pois seu time de futebol sagrou-se Campeão Estadual, após dois vices campeonatos, o primeiro em 1981 e o segundo em 1989.

O Colatina, em 1990, fez um campeonato espetacular. Das nove partidas que disputou no primeiro turno, venceu seis.
 
O time era o orgulho dos colatinenses, o Estádio Municipal Justiniano de Mello e Silva ficava pequeno para tantos torcedores que iam vibrar com o time
 
Em 1990 no 1º turno o Colatina venceu seis das suas nove partidas. Com quatro vitórias seguidas sobre Castelo 2×1, 1×0 Vitória, 1×0 Guarapari e 2×1 no Estrela do Norte, o time da Princesa do Norte praticamente encaminhou a classificação antecipada ao Triangular Final que foi sacramentado com a “surra” de 5×1 no Muniz Freire.
 
No returno o time se desencontrou, talvez por ter a classificação da final garantida, relaxou. Foram oito partidas, apenas uma vitória, três empates e cinco derrotas. Se no 1º turno havia marcado 5×1 no Muniz Freire, no returno levava de 4×1 do mesmo adversário em casa.

A torcida estava tensa para o triangular final, tanto que vaiou o time do Colatina no final do 2º turno.
 
Na finalo Colatina encarou Guarapari (campeão 87) e a Desportiva (campeão 86 e 89). A estreia foi contra a Desportiva no Estádio Justiniano de Mello e Silva, onde o time da Princesa do Norte venceu por 1×0.

Contando com o empate em 0x0 entre Desportiva e Guarapari na 2º rodada da final, o Colatina ficou em vantagem da decisão. Para ser campeão, bastaria empatar contra o Guarapari, na última rodada, masna casa do seu adversário, o Estádio Davino Matos, em Guarapari.

Mas se o Guarapari vencesse, conquistaria o título de 1990. A torcida do Guarapari lotou o estadio, queria o bicampeonato.
 
Porém a equipe comandada pelo técnicoZuza, campeão em 88 no Ibiraçu era mais experiente e saberia suportar a pressão. O Colatina começou bem a partida final e aos 31 do 1º tempo Arildo Ratão fez 1×0 para o time da Princesa do Norte. Com a habilidade do time colatinense, o tão sonhado título estava mais perto que nunca.

O Guarapari precisava virar para ser campeão, mas o máximo que conseguiu foi um empate que só veio aos 43 do 2º tempo com Cacau contra. Mas o time do Colatina não se descontrolou, passou a tocar mais a bola e finalmente, foi Campeão Capixaba de 1990. 
 
Um dos colatinenses que acompanhou todo o campeonato estadual foi o Repórter de Pista da extinta Equipe 1020, da Rádio Difusora de Colatina, Jorge Alan:

“Tenho muitas lembranças boas da conquista do primeiro e único título de futebol profissional da Primeira Divisão por uma equipe de Colatina. Uma das partidas mais marcantes não foi a do jogo contra o Guarapari na “cidade Saúde.

Foi o jogo contra a Desportiva, quando o Colatina venceu por 1 x 0 no estádio Justiniano de Mello e Silva, lotado com gol de Arildo Ratão”, disse Alan.
 
De acordo com Alan, o jogador Ratão artilheiro do Colatina, estava sendo contestado pela torcida que gritava o nome do reserva Elias, jogador rápido e habilidoso, entrava sempre em substituição ao Ratão e sempre marcava. Porém, já nos minutos finais daquele jogo, Zuza mais uma vez lança Elias no jogo e ao contrário do que os torcedores esperavam não tira Arildo Ratão.
 
Optando assim por dois centroavantes, Zuza começou a ouvir aos gritos de “burro, burro” da torcida, que só se calou quando, Ratão numa rebatida na grande área, manda a bola para o fundo das redes do time grená, garante a vitória que dava a vantagem do empate no último e decisivo confronto com o Guarapari.
 
 
A escalação titular da maioria dos jogos do Colatina era: Sandro, Jacimar, Cacau, Pádua e Wallace; Garrafa, Japonês, Hamilton; Carlos Mantenópolis, Wellington e Arildo Ratão.
 
A Associação Atlética Colatina também participou de campeonatos em nível nacional, jogou com grandes times, e participou do Campeonato Brasileiro da série B, na época chamada de Taça de Prata. Um dos feitos memoráveis do Colatina foi empate em 1 x 1 com o Corinthians em São Paulo, em 1986, gol de Luiz Carlos para o “Cola”.
 
Um grande ídolo do Colatina, o jogador KinKas, que teve uma passagem interessante no clube, sempre falava sobre sua devoção a São Jorge. Em uma entrevista para Revista Placar em outubro de 1982, contou que encarava os zagueiros como se eles fossem o dragão.

“E se não posso esmagá-los com a espada, pelo menos roubo o “bicho” deles”, disse o jogador. Assim, conseguiu ser um dos principais artilheiros do futebol capixaba pelo Colatina. Joaquim Rodrigues Caldeira, o Kinkas infelizmente faleceu vítima de câncer aos 66 anos de idade, no dia 16 de julho de 2017.
 
 
 

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