18/03/2021 às 17h08min - Atualizada em 18/03/2021 às 17h08min

​A Giganta Adormecida do Vale do Rio Doce

Uma Colatina Que Ninguém Vê

- Nilo Tardin / Laili Campostrini Tardin
DDC News
Vista de cima da ponte Florentino Avidos , a bela figura da Mulher Deitada está ali há 650 milhões de anos na vastidão do Rio Doce. Foto: Nilo Tardin -Agosto 2020


Detrás do incrível pôr do sol, o desenho de um ser gigantesco renasce a cada dia entre as deslumbrantes cores do céu de Colatina, noroeste do Espírito Santo. 

 Até hoje, a nítida imagem tem passado despercebida  acima da vastidão do Rio Doce.

Mas eu vi. Renatinho Ferreira também viu quando vivo num dos nossos esbarrões na ponte Florentino Avidos. 

A bela figura da Mulher Deitada está ali há 650 milhões de anos, sem dar na pinta de sua grandeza na paisagem. O tempo geológico parece não ter sequer arranhado sua beleza petrificada.

A correria do dia é a cortina que encobre a figura da Giganta Adormecida do Rio Doce composta por uma misteriosa cadeia de montanhas nas bandas de Baixo Guandu e Aimorés.

Se acaso ainda não percebestes, daqui pra frente vai notar a silhueta perfeita. Tudo indica que virará cartão postal emoldurado ao Sol Poente, um dos mais belos do mundo. 

A cabeça ondulada de rochedos é verdejante e serena. Os seios são entrecortados pelas montanhas ocultas rodeada de  florestas sombrias. 

O ventre saliente se alonga dos pés postados a quilômetros da face. “A semelhança impressiona”, destaca o jornalista José Vicente Mendes do alto do Jardim Planalto.

A cadeia de montanhas açoitada pelo vento, chuva e a mercê da temperatura trouxe à baila a fabulosa imagem que na certa será um novo visual na paisagem da cidade centenária.

O experiente geólogo, o gaúcho Wanderley Bica revela que a criação da Giganta Adormecida é fruto da ação do tempo inclemente, vento, chuva e temperatura ou intemperismo à luz da ciência. 

Duas bicadinhas virtuais no rochedo com seu martelo de perfuração, Wanderley revela que as rochas são predominantes da Formação do Corpo Ortognaise Santa Teresa pertencentes a Era Neproterozóico período Ediacarano.  

Ou seja, ela está ali desde que a vida  começou a  explodir na Terra. “A evolução do relevo é marcada por duas fases. O granito foi submetido a dilatação, formando as encostas mais íngremes. A outra pelas fraturas que ajudaram a esculpir as grandes lajes exposta que lhe dão o formato extraordinário”, explicou o geólogo especialista.

Já os psicólogos explicam que essa faculdade de reconhecer imagens em nuvens, montanhas e sombras é reconhecida como pareidolia.

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