04/10/2021 às 03h54min - Atualizada em 04/10/2021 às 03h54min

Mistérios da Virgem Negra de Águia Branca

Ligados pela religiosidade aos poucos o polonês se adaptou a vida local

- Nilo Tardin
cCentro da cidade de Águia Branca cercada por belos picos rochosos. Foto: Divulgação. APAG;

No topo do morro dos poloneses em pleno centro da cidade de Águia Branca cercada por belos picos rochosos fica o único santuário dedicado a Virgem Negra no Espírito Santo que atrai peregrinos de diversos lugares e até poloneses que chegam ao Estado para visitar o local.

A devoção por essas imagens, medalhas e gravuras da santa de pele negra coroada de diamantes e rubis veio na bagagem e no coração dos imigrantes poloneses em busca de dias melhores longe da Europa arruinada pela 1ª Guerra Mundial. De maioria católica, os moradores de Águia Branca, os poloneses e seus descendentes acreditam que a Virgem Negra não só cura, mas também pratica milagres sobrenaturais.

Ninguém sabe ao certo como o quadro da Madona Negra padroeira da Polônia – c em polaco que adorna o altar da capela dos poloneses-, chegou em Águia Branca, diz o professor de filosofia e pesquisador Luiz Carlos Fedeszen. Mas Fedezen está convicto de que todo o processo de colonização do município se deu em torno da fé nessa imagem da Virgem Maria Negra, também conhecida como Nossa Senhora de Monte Claro.

Inscrições no quadro indicam que ele foi pintado no Rio de Janeiro no começo do século passado e presenteado aos poloneses nos primórdios da criação de Águia Branca, a ‘Polônia Capixaba’, detalha o pesquisador Luiz Carlos Fedeszen.

“Ao menos 1.800 famílias entre homens, mulheres e crianças vieram nas levas de imigrantes poloneses a partir de 1928 fugindo da fome em busca da terra prometida. As crianças eram carregadas em balaios pelas tropas de burros. Antes mesmo de tomar posse dos terrenos construíram um templo de madeira consagrado a Virgem Negra”, afirma Luiz Carlos, presidente da Associação Polonesa de Águia Branca.

Ligados pela religiosidade aos poucos o polonês se adaptou a vida local e um traço comum com os brasileiros; a adoração por uma santa negra, a Nossa Senhora Aparecida venerada como aqui como a Padroeira do Brasil.

Segundo o professor Luiz Fedeszen, as guerras mundiais, o isolamento no meio da mata fechada e a ditadura da Era Vargas por muito pouco não aniquilou a cultura polonesa no Noroeste do Espírito Santo.

“O quadro milagroso da Matka Boska Czestochowka ficou esquecido quase 50 anos. Passou a ser reconhecido de novo após o movimento de valorização da nossa cultura por volta de 2000. Os milagres alcançados sempre são pagos com orações por grupo de mulheres em torno do quadro da Virgem Negra.

Virgem negra é venerada por curas e milagres prodigiosos

Aos 96 aos de idade, Piotr Cichon anda com dificuldade, mas nada o impede de continuar a trabalhar diariamente na lavoura de café e nas tarefas diárias da propriedade em Águia Branca. Um dos últimos poloneses vivos da época da imigração ‘Seu Pedro ‘ guarda com veneração o quadro da Virgem Negra que os pais trouxeram da Polônia em 1930.

“Tinha 10 anos e lembro-me de tudo. Se cheguei onde estou foi graças da Virgem Maria Rainha da Polônia”, disse Piotr. Ele conta que uma forte tempestade se abateu sobre a região onde moravam destruindo lavouras, casas e estradas. “Perdemos tudo, a única coisa que conseguimos salvar além de nossas vidas foi a gravura da Matka Boska Czestochowka”, revelou emocionado. Prestes a passar por uma cirurgia nas pernas, Piotr confessa que já pediu a intercessão da Virgem Negra para cura do seu mal.

“Quando sair do hospital vou dar uma festa em honra a Nossa Senhora de Monte Claro no pátio da capelinha dos poloneses”, disse.

O relato de outro feito extraordinário do poder de proteção da Virgem Negra é feito pelo agricultor e estudioso da cultura pomerana Wojciech Antoni Krok, 64 anos, o Voito. O pai dele foi Tadeus Krok foi aviador combatente em 1939 na Polônia e 1940 na França. “Ele acreditava que só escapou com vida de vários combates aéreos contra das poderosas aeronaves da esquadra alemã por força da mão divina da Virgem Negra”, disse Voito.

O avião que o pai era o piloto instrutor está exposto no museu da aviação intacto na Polônia. “O rosário da Matka Boska de Czestochowka o acompanhou até sua morte, mesmo debilitado ainda fazia o sinal da cruz em devoção a santa negra”, lembrou.

Relíquias de João Paulo II continuam em Águia Branca

Um relicário com gotas de sangue e um pedaço da batina do Papa João Paulo II continuam em Águia Branca após terem sido entronizados na Igreja Matriz pelo Reitor da Missão Católica Polonesa padre Zdzislaw Malcezewski Scher.

Elas ficaram expostas e puderam ser tocadas e veneradas durante um final de semana em agosto passado. Segundo o padre Dislav como é conhecido as relíquias irão peregrinar por municípios como São Domingos do Norte, São Gabriel da Palha, Nova Venécia e Colatina.

A relíquia, um recipiente de prata foi enviada pelo Vaticano em celebração a 13ª Festa do Imigrante Polonês de Águia Branca. Também ficou exposta na capela dos poloneses e levada em procissão até a Igreja Matriz seguida por milhares de fiéis.

 


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