28/01/2020 às 06h25min - Atualizada em 28/01/2020 às 06h25min

Onilson, o homem que caiu do céu

​1974. O Ano Que Fizemos Contato no ES

- Nilo Tardin
O livreiro Onilson Páttero, de Catanduva São Paulo
O sonho do simpático livreiro Onilson Páttero de Catanduva (SP) era de tornar a ver Colatina onde há 46 anos apareceu de modo misterioso após relatar ter sido capturado por um disco voador. 

Não deu tempo. Seu Onilson faleceu aos 75 anos em agosto de 2008, sem realizar o desejo de rever a cidade, a qual mantivera fortes laços de afeto.   

Afinal foi no município de 123 mil habitantes do noroeste capixaba onde terminou a versão da fantástica aventura  sideral, conhecida como Caso Onilson Páttero.  

Como o assunto não é brincadeira, merece ser abordado na série de reportagens alusivas aos 100 Anos de Colatina - 1921 a 2021. Até hoje as narrativas de abdução em dose dupla do vendedor de livros quebra a cabeça dos Caçadores de OVNIS (Objetos Voadores Não Identificados) ao redor do mundo.

 É isso mesmo. Seu Onilson sustentou durante a vida que por duas vezes foi seqüestrado por seres extraterrestres.  A primeira perseguição teria ocorrido em 21 de maio em 1973, um ano antes de aparecer no meio do nada no alto de uma  montanha da Fazenda Menelli no Catuá, em Baunilha distrito de Colatina. 

A imprensa nacional e internacional deu vasta cobertura ao caso, sobretudo nos EUA, Alemanha e França. O Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) investigou o caso em busca de ‘subversivos’.

A esquina da Rua Santa Maria estava movimentada. Naquela hora do ensolarado dia  3 de maio de 1974  era incomum aquela multidão apinhada no portão da casa nº 99 da família Menelli. Algo estranho aconteceu.

- O que foi moço? Por que o povo está alvoroçado?   O peão que descia a ladeira apressado deu uma parada brusca.  Esbugalhou os olhos franziu a testa. Esperou passar o rastro de pó da rabada do trem que cortava ao meio o centro da cidade e disparou.


- Menino você não vai acreditar. Um homem de outro planeta caiu do céu em Colatina. Veio no disco voador. Vim de lá pra ver assim que a notícia correu. Deixou o cara no Catuá, no alto da pedreira. Depois chispou- zum- alumiando o céu, contou.

Minutos antes, o cabeludo com pinta de caubói de araque era uma das dezenas de cabeças no meio da multidão,  doida para ver o viajante estelar que jurou  de pé junto ter sido raptado em 27 de abril de 1974 pela tripulação do disco voador em São Paulo. 

A riqueza de detalhes da abdução é cinematográfica. Em Colatina, onde reapareceu seis dias depois a mais de mil quilômetros da rodovia paulista onde fora capturado, Páttero confirmou ao juiz Arione Vasconcelos, conforme o jornal O Colatinense  -, quando guiava seu Fusca entre Marília e Guarantã (SP) deparou-se com as mesmas luzes da primeira vez vindas da  suposta nave extraterrestre.  

Narrou ter sido sugado por uma espécie de esteira luminosa e examinado por homens encapuzados.  Onilson Páttero tinha 41 anos quando sofreu o possível ataque dos Aliens.


 No interior da espaçonave ficou atônito ao ver Alex, o jovem que deu carona na sua primeira abdução e deixado estirado no acostamento do asfalto. Ele foi salvo por uma guarnição da Polícia Rodoviária Federal.  

Submetido a hipnose, recordou o que o viu dentro do aparelho parecido com duas bacias justapostas.

Garantiu desta feita, ter sido enclausurado numa cápsula de formato humano preso a grilhões e anéis de aço numa sala tecnológica.  Ao coronel Luiz Sérgio Aurich, delegado de polícia nos Anos 70 e ao juiz Arione detalhou que após ter sido examinado foi abandonado na pedreira onde gravou suas iniciais - OP.


O jornalista Paulo Maia foi o primeiro repórter a entrevistar Onilson  na delegacia de polícia. O repórter se fez passar por detento. Produziu grandes manchetes e fotos para o extinto Jornal O Diário, Vitória (ES).  
Ele foi  posto na mesma sala onde estava vigiado pela polícia devido ao risco de morte por conta da turba apavorada diante da notícia que marcianos invadiam o município. 

Paulo Maia acreditou até morte por infarto em 2015 aos 72 anos de que o livreiro falara a verdade. 

Maia viu  Onilson como um cara consciente e convicto de algo extraordinário de fato aconteceu com ele. “Descreveu-me claramente o que viu dentro da espaçonave.  Apesar de perder o sentido de tempo disse ter visto um laboratório ‘sensacional’ perfeito que não imaginava existir. Não se lembrava de quantas vezes tinha sido examinado dos pés a cabeça por seres de aparência humana. Confidenciou que nessa hora surgiu na sua frente um ser igual a ele, - um clone de Onilson nos mínimos detalhes inclusive a roupa que vestia no dia do primeiro contato imediato”, disse numa conversa informal no inicio dos anos 2000.

Paulo Maia que não acreditava em vida lá fora mudou de idéia aos pôr os pés fora da delegacia
 
O abduzido de Catanduva disse  assim que foi colocado naquela caixa comprida, adormeceu e acordou em terra firme.  O OVNI em poucos segundos voou para longe. Ficou acordado porque chovia na hora. 

“Caminhei desorientado. Pude distinguir as estrelas e a lua, e ouvia carros  a distância. Andei até encontrar o senhor César Menelli. A ele agradeço estar vivo e salvo daqueles ‘monstros’”, revelou ao Jornal A Gazeta de 3 de maio de 1974.   Menelli e Onilson foram amigos pelo resto da vida.




De Catandulva, o sobrinho neto de Onilson - Fábio Pátero lembra que seu pai contava pra ele quando era menino que foi uma aventura chegar ao interior do Espírito Santo para resgatá-lo. 

 “ Dizia que havia perdido a esperança de ver  seu irmão vivo de novo porque  o fusquinha azul tinha sido localizado. A porta do motorista estava aberta, pastas e documentos intactos no meio da estrada. Quando receberam o telefonema foram para  Colatina. Minha tia Lourdes, as filhas Silvana e Samaria respiraram aliviadas”, relembrou. 

Também ligou para os médicos Max Berezovski, em São Paulo e Watler Bulher do Rio de Janeiro vieram examiná-lo em Colatina. Nenhum traço de anormalidade física ou mental foi encontrado nele, ainda atestado pelo clínico colatinense Aldo Machado.

 Esta aceitação do caso por cientistas graduados - produziu grandes manchetes em Vitória, no jornal local O Diário,  e 4 de junho de 1974.

O título era: Médico de São Paulo declara que Onilson está perfeito.


 “Gostaria de ser abduzido”, garante o jornalista Manoel Moreira, 56 anos as voltas para elucidar em um livro o enígma do disco voador que trouxe o representante de um importante editora ao município pelo caminho das estrelas.  

- Manoel, na sua visão  Pátero era um louco, mentiroso ou 'o escolhido' ?

“Não mentia. Nem era louco. O que levaria um homem íntegro, marido exemplar e pai de duas meninas, emprego fixo na grande empresa  manchar sua reputação ao inventar uma história dessa magnitude? Tanto que continuou na firma. Organizava bibliotecas nas escolas públicas. Não tenho dúvidas que Onilson viveu a aventura que descrevia determinado. Tentou abrir os olhos do mundo para a presença de seres prontos a dar o bote na Terra”, disse.

- Por quê Colatina ? É um mistério. Somente o chefe da espaçonave pode dar essa resposta.
 
Na altura dos seu 97 anos, a maioria deles como exemplar discípulo da Igreja Adventista Do Sétimo Dia, o ferreiro Oto Alves Pereira não acredita em discos voadores nem em alma penada a vagar na busca do paraíso. 

“Mas sei que existem outros mundos habitados. Está escrito. Jesus disse: na casa do meu pai existem muitas moradas. Existe vida no Universo, porém não acredito que sejam capazes de chegar no disco voador de metal  como dizem”, respondeu. Acredita que diante de bilhões de estrelas no Universo existam planetas habitados por vida inteligente.


 O fantástico caso do vendedor de livros que viajou pela galáxia no disco voador,  agora não parece mais tão sem pé nem cabeça na Era Digital, no entender do coronel da reserva Luiz Sérgio Aurich, capitão na época foi o delegado que acolheu e protegeu Onilson assim que a multidão começou a ficar revoltada.

“Vi um homem limpo, sem arranhões barbeado bem vestido de paletó esportivo e roupa social ao chegar de um lugar inóspito e chuvoso. As estradas eram ruins, não  há registro que tenha vindo de avião, ônibus nem de carona. O caso é intrigante. Não era nenhum louco. Um cara normal. Consegui com o juiz Arione a liberação de refeições para ele. Um tipo agradável de pessoa.  A impressão que ficou é que falava a verdade”, afirmou Aurich.

Mini-entrevista

Os 40 anos do Caso Onilson Páttero foram homenageados com a Exposição Contato – no saguão do shopping de Ribeirão Preto (SP) em 2014.  A mostra com 20 painéis de fotografias, recortes de jornais, laudos, mapas, documentos e casos ufológicos famosos foi organizada pelo publicitário Cyrineu Massucato, marido de Samária Páttero filha de Onilson.

 
“Uma forma de honrar a memória do meu pai e relembrar essa fascinante história”,  resumiu Samária.
 
DDC- Discos Voadores existem? 

Samaria-  Sim acredito que existem.


DDC- Sua irmã Silvana diz que não gosta de falar sobre a experiência, será por que não acredita nela?

Samária-  Acho que porque passamos por tantas coisas juntas perguntas maldosas e talvez algum descrédito. Talvez seja por isso que não goste de falar.
 
DDC -A exposição 40 Anos do relato de abdução de Onilson Páttero é a prova que a senhora confia que algo de extraordinário aconteceu – de fato-, com seu pai?
Samaria- Sim claro sempre acreditei nele, independente de qualquer evento.
 

DDC- Quanto a sua idade na ocasião? O mistério continua a intrigar a todos nós. Anos após as duas narrativas do seqüestro por extraterrestres, os fenômenos voltaram a ocorrer - contato, avistamento, luzes ou, mesmo em micro escala (sinais de contatos telepatas ou paranormalidade)?

Samária -  Sim falava a verdade. Não ocorreram.
 
 
DDC- Onilson costumava recontar detalhes do caso com a senhora e sua irmã? No fundo da memória, Onilson disse algo por que o local escolhido foi em Colatina (ES). Ou seja com tantas estrelas por ai, porque logo aqui.  
 
 Samária - Sim costuma relembrar pra nós as filhas particularmente nunca disse o porquê do local ser Colatina (ES).


DDC- Como era em família, na rua e na escola conviver como ‘filha do homem que andou no disco voador’.

Samária - Éramos uma família normal como todas, na escola foi um período complicado pois éramos crianças e não tínhamos o que se tem hoje esse acesso as notícias e não sabíamos ao certo como lidar com todas as informações.

Perfil

Samária Páttero, 59 anos

Do lar

Nascida em Catanduva(SP)
2 filhos e 1 neto



 
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