27/08/2018 às 13h31min - Atualizada em 27/08/2018 às 13h31min

Caçadores de água contra a seca no norte capixaba

Forquilha indica onde está o veio d'água no chão

- Nilo Tardin
Nilo Tardin
Eles usam apenas um graveto em forma de forquilha como arma. São os modernos caçadores de água que praticam uma técnica milenar para achar veios subterrâneos visando escavar poços profundos e cacimbas.

Apesar da ciência não comprovar se método funciona realmente, os caçadores de água ajudam de braços abertos os agricultores a enfrentar a severa batalha contra as estiagens prolongadas que há décadas assola o norte e noroeste do Espírito Santo.

O sol escaldante aumenta o desespero dos lavradores de ver a água sumir dos córregos e ribeirões de Colatina e São Roque do Canaã. Aqueles que botam fé na vareta mágica são os primeiros a convocar os caçadores para furar a terra esturricada em busca de água. 

A técnica é muito simples. Basta sensibilidade á flor da pele e um gancho de madeira verde.

O galho da goiabeira são os preferidos deles. É com ele que Josmar Rossi, 47 anos, o Mazin um dos caçadores de água mais procurados de Colatina que há mais de 20 anos caça nascentes escondidas no fundo do chão.

“Era criança quando ouvia meu pai Arcelino contar que um dia o homem ia ter procurar água na forquilha. Aquilo me impressionou. Tentei. Deu certo. Senti na hora a ponta da vareta se mexer. Foi só cavar. Deu água boa”, lembrou. 

Segundo ele, com o tempo a técnica foi aperfeiçoada. Agora Mazin garante que consegue ‘ver’ em sua mente os canais de água no solo e prever a profundidade do lençol e quanto de água a mina contem. “Vejo como se formasse um mapa na minha cabeça, mas é preciso concentração para que a coisa funcionar. Senão você passa por cima do canal e não acha”, disse. 

“Tem dias que Mazin chega em casa com calos nas mãos”, revela sua mulher Rejane Rossi, 36 anos com que divide a tarefa de fazer salgadinhos para fora e atender no bar no distrito de Baunilha, onde vivem.

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