06/04/2021 às 16h49min - Atualizada em 06/04/2021 às 16h49min

Morre Cariê Lindenberg, fundador da Rede Gazeta

Carlos Fernando Monteiro Lindenberg Filho morreu aos 85 anos por complicações de uma pneumonia

Folha Vitória
Ele assumiu a direção do jornal A Gazeta nos anos 60 e fez da empresa sua vida. “Eu encontrei a vida na Gazeta e larguei todo o resto que eu fazia... porque foi a coisa mais importante da minha vida’’, disse ele durante entrevista em 2018.

“Não tenho legado nenhum, o que tenho é uma sensação muito clara e muito simples de que as coisas todas que eu fiz vão dando certo”, a declaração foi dada por Carlos Fernando Monteiro Lindenberg Filho, o Cariê, durante entrevista em 2016. Ele morreu na madrugada desta terça-feira, 6 aos 85 anos, por complicações de uma pneumonia.

A vida de Cariê se mistura com a história da Rede Gazeta e também com a história da Comunicação no Espírito Santo. Escritor, compositor e empresário, Cariê fundou a Rede Gazeta e atuava como presidente do Conselho de Administração da empresa desde 2001, quando aposentou. Ele foi o responsável pela modernização do jornal A Gazeta e pela criação da TV Gazeta no Espírito Santo.

Considerado um homem à frente do seu tempo, mas também simples, conseguiu transformar a empresa que antes tratava de interesses políticos de amigos da família e do seu pai, o ex-governador do Estado, Carlos Fernando Monteiro Lindenberg, em um veículo de respeito e destaque. 

Carioca de nascimento e capixaba de coração, Cariê formou em Direito na PUC-Rio em 1958, mas nunca advogou. Trabalhou no serviço público federal como assessor do ministro da Justiça, e no estadual com seu pai, iniciou a vida empresarial dedicando-se à atividade imobiliária.

Trabalhou com corretagem, evoluiu para a incorporação e logo criou com amigos uma empresa de construção civil. Além disso, fundou a primeira agência de publicidade do Espírito Santo com outros sócios. Anos mais tarde, a pedido do seu tio Eugênio Queiroz, então presidente de A Gazeta, assumiu a administração do jornal.

Como escritor publicou os livros "Vou Te Contar", “Eu e a Sorte”, “O Galinha e Elas”, “Bis + cinco”, “Pingos e Respingos”, “Memórias Cariocas & Outras Memórias” e “Muito Longe do Fim”.

Cariê deixa a esposa Maria Alice, os filhos Letícia, Beatriz e Carlos, o Café, este último o diretor-geral da Rede Gazeta, e cinco netos: Eduardo, Mariana, Carlos Fernando, Carolina e Antônio, além de uma trajetória de destaque no desenvolvimento do Espírito Santo.

 

Nota daRede Gazeta

"Cariê é um alicerce da história da Rede Gazeta. Foi quem transformou um jornal impresso em uma rede de comunicação plural e conectada com o Espírito Santo. Seja na TV, nas rádios ou na internet, o jornalismo e o entretenimento produzidos pelos veículos da Rede Gazeta têm o DNA de Cariê Lindenberg.

A empresa se despede não apenas de seu presidente, mas de alguém que enraizou aqui o compromisso com a verdade, com a seriedade e com as milhões de pessoas que hoje constroem conosco novos capítulos da história."

Conheça a trajetória de Cariê Lindenberg 

 

 

13 DE SETEMBRO DE 1935
Em 13 de setembro, nasce, no Rio de Janeiro, Carlos Fernando Monteiro Lindenberg Filho, o Cariê, filho de Carlos Lindenberg e Maria Queiroz Lindenberg.

• 1958

FORMAÇÃO EM DIREITO

Cariê se tornou bacharel em Direito pela PUC-Rio em 1958, mas sempre fez questão de dizer em várias entrevistas que jamais pensou em ser advogado. À época, seu pai, Carlos Fernando Monteiro Lindenberg, exercia um de seus dois mandatos como governador do Espírito Santo.

"Não que eu não me forçasse a alguma coisa. Mas até os meus 28, 29 anos, eu praticamente vivia de mesada do meu pai. Mas eu não encontrava nada. Fiz cursinho, me tornei bacharel em Direito pela PUC-Rio em 1958, mas jamais pensei em ser advogado. Talvez um assessor jurídico, mas ir brigar em um Tribunal nunca foi do meu feitio ", contou em entrevista para A Gazeta em 2018.

• 1959

FUNCIONÁRIO PÚBLICO

Amigo e confidente político do pai por toda a vida, Cariê tem participação ativa na campanha do pai, Carlos Lindenberg, para o segundo mandato no governo. Após a eleição ele atuou como oficial de gabinete do governador.

• 1960 

AGÊNCIA DE PUBLICIDADE 

Depois do governo, Cariê foi para uma empresa chamada Eldorado Melhoramento, que se desdobrou em Plano Engenharia e na Eldorado Publicidade (primeira agência de publicidade do Estado). Segundo contou durante uma entrevista, ele estava empenhando em fazer a empresa dar certo quando recebeu o convite do tio, Eugênio Pacheco de Queiroz, então presidente de A Gazeta, para assumir a diretoria comercial do jornal A Gazeta.

NOVA GESTÃO
Cariê participa da gestão do jornal A Gazeta desde 1962 quando se torna diretor comercial. Desde então, a empresa jornalística toma um novo impulso, se organiza em bases empresariais e transforma-se em uma grande rede de Comunicação.

”Sou do tempo em que o jornal era quase que uma coisa artesanal. Tivemos que organizar a empresa, dar o nome do cargo a cada um dos funcionários, colocar a função de cada um, tirar da redação o vício – que eles não consideravam assim – de não informar nada de inconveniente sobre os nossos anunciantes importantes. A autocensura foi difícil tirar. E depois teve o aspecto de organização interna, como suspender os adiantamentos quinzenais, que eram trocados por vales, e começar a fazer os pagamentos a cada 15 dias. O jornal só evoluiu para o momento de construir a televisão porque ficou absolutamente claro que, se nós não fizéssemos isso, alguém faria e nós iríamos perder aquela situação hegemônica que nós tínhamos’’, detalhou Cariê em entrevista.

• 1966

SEM PARTIDOS

Quando Cariê chegou à empresa, o jornal A Gazeta era um veículo que expressava no Estado a opinião de um grupo político, o PSD. Em várias entrevistas, o empresário contou como foi participar da guinada dentro da linha editorial do veículo.

‘’A Gazeta foi comprada por um conjunto de pessoas, numa ‘vaquinha’, para o apoio político ao PSD. O jornal tinha um vínculo real com o partido. Para nos vermos livres dessa situação era difícil, por isso foi necessária a extinção dos partidos, em 1966, para a gente começar um trabalho de afastamento, de isolamento e independência ideológica e político-partidária. Fizemos um primeiro teste convidando o Esdras Leonor, do jornal O Diário, e que era contrário ao PSD, para ser o editorialista, o jornalista de política. Começamos a partir daí consertando. Mas meu pai [Carlos Lindenberg] era uma pessoa muito simples e centrada e aceitou bem [a nova linha editorial].”

• 1969
MODERNIZAÇÃO

Em dezembro de 1969, o jornal A Gazeta inaugura a sua nova sede, na Rua General Osório, 127, no Centro de Vitória, em um prédio de 13 andares (Edifício A Gazeta). Na nova sede, A Gazeta instala uma moderna rotativa Goss Comunity, a primeira impressora offset do Espírito Santo, que permite maior velocidade de impressão (16 mil exemplares por hora) e a adição de cores nas edições.

• 1971
 

A GAZETA GANHA TELEX E TELEFOTO

No dia 13 de outubro de 1971, começa a funcionar, em A Gazeta, o primeiro telex instalado em jornal no Espírito Santo. O jornal passa a receber, em tempo real, notícias nacionais através das agências Jornal do Brasil e Estado, e internacionais através da UPI, United Press International e da France Press. As notícias de esportes são recebidas através da Sport Press. Também são instalados os sistemas de radiofoto e, em seguida, de telefoto permitindo o recebimento de fotos das agências Jornal do Brasil, Globo e Estado (nacionais) e Reuters (internacionais).

 

Um investimento de 17 milhões de cruzeiros coloca no ar, em 11 de setembro de 1976, a TV Gazeta, Canal 4, afiliada à Rede Globo de Televisão. Ao iniciar as suas atividades, a TV Gazeta é sintonizada em dois terços do território do Espírito Santo sem a necessidade de retransmissores graças à torre de transmissão instalada no Morro da Fonte Grande, em Vitória. Os estúdios e as áreas comercial, técnica e administração da TV Gazeta são instalados no 13º andar do Edifício A Gazeta, no Centro de Vitória. Para operar a emissora é criada a empresa A Gazeta do Espírito Santo Rádio e TV Ltda. Em pouco tempo, a TV Gazeta passa a ter o seu sinal captado em todos os municípios do Espírito Santo.

• 1978

PEDRA FUNDAMENTAL

É lançada, no dia 11 de setembro de 1978, data do 50º aniversário da empresa, a pedra fundamental que marca o início de construção da nova sede do jornal A Gazeta e da TV Gazeta no bairro de Bento Ferreira, em Vitória. O novo prédio, um “projeto inédito no país”, por abrigar todos os veículos de comunicação do grupo empresarial apoiados por uma única área corporativa, como definido pelo arquiteto Carlos Alberto Vivacqua - possui 11,4 mil m² já com a previsão de instalação da rádio FM que entra em operação em 1979.

 

• 1979

A RÁDIO E A REDE GAZETA

É inaugurada a Rádio Gazeta FM (92,5 Mhz) no dia 1º de fevereiro de 1979. A nova emissora compõe o portfólio do grupo de comunicação que, um ano depois, passa a se denominar Rede Gazeta de Comunicações e, mais tarde, Rede Gazeta.

 

 1983

"CASA NOVA" EM BENTO FERREIRA

 

A Rede Gazeta (jornal A Gazeta, TV Gazeta e Rádio Gazeta FM) deixa, em 16 de fevereiro de 1983, o Centro de Vitória para ocupar uma nova sede à Rua Chafic Murad, no bairro de Bento Ferreira, viabilizando a expansão dos negócios. O novo prédio possui os mais modernos equipamentos de produção do jornal e das emissoras de rádio e TV e abriga também as dependências administrativas e a área comercial. A Área Industrial do jornal ganha uma moderna impressora rotativa Harris que amplia a velocidade de impressão para 50 mil exemplares por hora, a capacidade de produção de cadernos com cores e a quantidade de páginas. Logo após a mudança, entra no ar a Rádio Gazeta AM.

A nova sede é ampliada em 1999 quando é construído o novo Parque Gráfico da Rua Carlos Moreira Lima.

• 1996

LANÇAMENTO DE SITE

A Rede Gazeta lança o portal Gazeta Online, no dia 23 maio. Também entrou no ar a Rádio CBN (1250 AM).

• 1999
 

ARQUE GRÁFICO

A Rede Gazeta inaugura o seu novo parque gráfico, com a impressora Newsliner, usada nos principais jornais de todo o mundo.

• 2001

AUTOR DE LIVROS
Desde que se aposentou, em 2001, Cariê passou a escrever todos dias. “Leio cinco jornais diariamente, e, a qualquer ideia nova, sento para escrever. Quando deixei A Gazeta, fiquei com o tempo ocioso e resolvi passar para o papel fatos curiosos e coisas que me incomodam”, contou Cariê, que lançou os livros "Vou Te Contar", “Eu e a Sorte”, “O Galinha e Elas”, “Bis + cinco”, “Pingos e Respingos”, “Memórias Cariocas & Outras Memórias” e “Muito Longe do Fim”.

 

 
 

 

 


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