03/09/2019 às 18h15min - Atualizada em 03/09/2019 às 18h15min

Izael Jorge, o Senhor da Casaca

- Laili Campostrini Tardin
Mestre Izael Jorge de Souza exibe sua arte popular em frente a praça municipal aos sábados
Nas mãos hábeis do jardineiro artesão da praça do sol poente Izael Jorge de Souza um simples galho ou pedaço de tronco de madeira de lei da mata atlântica,  entalhado vira uma Casaca, o legítimo reco-reco capixaba.

A  Casaca de pescoço com cara de gente só existe aqui no Espírito Santo. O instrumento musical dá o som marcante no rufar dos Tambores de Congo em honra aos santos do cristianismo. A veia de escultor aflorou quando Izael sofreu problemas de saúde e decidiu que arte era a saída para viver mais.

Assim nasceu as coloridas e estilizadas Casacas do mestre Izael da Banda de Congo de São Benedito de Colatina Velha. O artista popular mostra sua obra aos sábados na calçada em frente a praça municipal Belmiro Teixeira Pimenta.

As formas curiosas do artesanato desperta a atenção mesmo de quem anda apressado atrás de nada neste mundo presunçoso.

Diariamente, ele pode ser visto uniformizado de bolsa na mão indo e vindo do trabalho para casa no Bairro São Vicente, em Colatina noroeste do Estado.

“A minha Casaca é um pouco diferente. Serve de decoração e puro instrumento musical. As peças são produzidas desde a década de 90. Muitas delas na coleção de gente importante da cultura capixaba”, frisou.
Izael explica que o instrumento fabricado por ele é  de madeira maciça para que fique de pé na mesa ou estante. O escritor Adilson Vilaça quando era secretário do prefeito Dilo Binda comprou uma inacabada. Tentei demovê-lo, não teve jeito. Ele a queria assim rústica”, exemplificou.

Não é que o colega jornalista e escritor Adilson Vilaça conserva zelosamente o exemplar em sua casa em Vitória, a bela capital do Estado. Dona de uma pena virtuosa e dezenas de livros publicados, Adilson conta que está no ‘prelo’;  pausa por favor depois da internet ninguém usa falar ‘prelo’ - uma prensa tipográfica que tira provas de correção na impressão de jornais e livros-, a série Espírito Santo, Um Encanto Em Cada Canto as origens das bandas de congo.

“Sim. É verdade. Está comigo estes anos todos. Minha filha Gabriele quando era pequena, levava essa  casaca para tocar na banda mirim de congo da escola. A Casaca não é um reco-reco comum como se pensa.  É um instrumento nativo de percussão. As Bandas de Congo são patrimônio cultural capixaba. Um sincretismo de africanos, índios e portugueses. Muitos tem canções próprias, as mais conhecidas são “Iaiá Vai a Penha” e “Madalena”, detalhou.

- Adilson, por quê na velocidade que as coisas andam impulsionadas pela tecnologia a tradição do Congo não morre ? É por que as tradições tem um guardião colossal: o povo”, respondeu na bucha. Em Colatina, existem duas Bandas de Congo. A de Paul de Graça Aranha na zona rural e de Colatina Velha.

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