23/02/2021 às 10h26min - Atualizada em 23/02/2021 às 10h26min

A ponte Florentino Avidos em Colatina foi inaugurada em 1928 para desenvolver o norte capixaba

A origem da ponte foi a ferrovia sobre o Rio Doce

- Por Paulo César Dutra (Cesinha)
Presente & Passado
Em 29 de junho de 1928, o presidente Florentino Avidos inaugurou a ponte sobre o rio Doce em Colatina. Foto: Reprodução.
 
 A ponte Florentino Avidos sobre o rio Doce, foi inaugurada em 29 de junho de 1928, na cidade de Colatina, no Estado do Espírito Santo, no Brasil, efetivando a colonização da região Norte do Estado. Ela foi iniciada para a construção da Estrada de Ferro Norte do Rio Doce, de Colatina a São Mateus, que não foi concluída.

Ela passou a ligar as regiões Norte e Sul da cidade e forma hoje, com a avenida Beira-Rio, o rio Doce e o pôr-do-sol o cartão postal de Colatina. O nome da ponte é uma homenagem ao 19º governador do Estado da época, o presidente da República do Estado do Espírito Santo, Florentino Avidos (que governou de1924 a 1928). A obra, mesmo reduzida no seu tamanho original, ainda chama a atenção pelo seu comprimento, devido à imensa largura do Rio Doce que corta toda a cidade.
 
A obra da ponte foi realizada pelo engenheiro Oscar Machado da Costaque faleceu no dia 1º de novembro de 1963, na cidade do Rio de janeiro, e sua morte foi anunciada pelo Jornal do Brasil: "Morreu aos 69 anos de idade na Casa de Saúde São Sebastião, onde se encontrava internado há alguns dias, o engenheiro Oscar Machado da Costa, considerado o maior especialista brasileiro na construção de pontes, e que ultimamente estava empenhado na projeção e execução de cinco viadutos entre os quais se destaca o que será o mais alto da América Latina, com 132 metros corresponde a um edifício de mais de 40 andares.
 
Florentino Avidos assumiu a República do Espirito Santo, em 23 de maio de 1924, retomando o impulso que caracterizou a administração Jerônimo Monteiroe acelerou o ritmo de progresso do Estado, iniciando uma série de obras, dentre as quais de saneamento, transporte e habitação.

Além da 1ª Ponte de Colatina, ele construiu o Teatro Carlos Gomes, a avenida Jerônimo Monteiro (principal avenida da Capital do Estado), a Imprensa Oficial, o Arquivo Público, os mercados da Capixaba e da Vila Rubim. Construiu também, a ponte que hoje tem o seu nome, conhecida como as Cinco Pontes (Ponte Florentino Avidos) ligando a Capital ao Continente. O ensino público estadual foi incrementado neste período de governo. Florentino Avidos concluiu seu governo em 30 de junho de 1928, como um dos melhores administradores do Estado.
 
Lucílio da Rocha Ribeiro, em seu livro "Contribuição à História da Imigração Italiana no Município de Colatina", de 1996, fala sobre a solenidade de início dos trabalhos da construção da Ferrovia que originou a construção da Ponte Florentino Avidos, na década de 20, do século passado.
 
Ele destaca no livro que "a solenidade comemorativa do início dos trabalhos dessa ferrovia foi realizada no dia 19 de abril de 1926 e contou com as presenças de autoridades federais, estaduais e municipais, bem como dos diretores da Companhia Territorial, e representantes de todas as classes sociais. Na oportunidade, Clóvis Cortes, engenheiro chefe dos serviços da construção da ponte, convidou Xenócrates João Calmon de Aguiar, o “Xandoca”para dar o primeiro golpe nas escavações do grandioso empreendimento.
 
Durante quase um ano, a Comissão de Serviços de Melhoramentos de Vitória, através de sua 5ª Divisão, vinha executando o projeto, construindo, sob sua administração, cerca de 100 metros de ponte e cravado todas as estacas para as fundações do encontro a ser construído na margem de Colatina.
 
Tendo, porém a referida Comissão recebido uma proposta vantajosa da empresa Christiani& Nielsen, especialista em cimento armado, para a construção de toda a infraestrutura da ponte, resolveu estudá-la e acabou celebrando com a mesma um contrato, em 26 de março de 1927, para a realização desse serviço.
 
Poucos meses depois, em 22 de setembro desse mesmo ano de 1927, o presidente do Estado, seguiu com destino a Colatina, em automóvel de linha, seguido pelo Dr. Ceciliano Abel de Almeida, superintendente da Estrada de Ferro Vitória a Minas, que também seguiu viagem, juntamente com o Dr. Aristeu Aguiar, secretário da presidência, Drs. Moacyr e Sílvio Ávidos, engenheiro Clóvis Cortes e outros membros da comitiva.
 
Em Colatina, o presidente Florentino Avidos almoçou na aprazível residência do “Xandoca”, presidente do Congresso Legislativo. Em seguida, visitou as obras da grande ponte sobre o Rio Doce, encontrando 5 pilares já construídos, 4 fora d´água e mais 5 em promissor e firme andamento. Visitou também os trabalhos da Estrada de Ferro Norte do Rio Doce, constatando a existência de 4 quilômetros de preparação da linha e 2 de leito já concluídos.
 
Na oportunidade, ainda inaugurou o vapor Juparanã destinado a intensificar a navegação fluvial, viajando nessa embarcação de Colatina a Barbados, sendo-lhe oferecido a bordo pelo “Xandoca” e Virgínio Calmon um substancioso 'lunch' (almoço). Encontravam-se também a bordo os membros da comitiva presidencial e algumas pessoas da sociedade colatinense.  Ali, visitou as obras da Estrada de Ferro Santa Cruz a Barbados, a cargo do engenheiro J. Leite, verificando que os cinco quilômetros de leito dessa ferrovia já se encontravam preparados.
 
Até 1920, as terras capixabas entre Colatina eo Noroeste do Espírito Santo, era toda coberta de matas. Minas Gerais estava invadindo pelos vales do Rio Doce e do rio Mucuri o pouco de área que havia sobrado da antiga Capitania do Espírito Santo. Aquela região dos vales passou a ser conhecida posteriormente como Vale do Contestados entre os Estados de Minas Gerais e o Espírito Santo.

Tudo começou em 1904, quando os estados de Minas Gerais e do Espírito Santo adotaram uma linha imaginária divisória, ao norte do Rio Doce, tendo a Serra dos Aimorés como limite (divisa dos dois estados). Em 1911, um convênio entre os estados confirma os limites na Serra dos Aimorés ou Souza, gerando confusão na região devido à dupla denominação do maciço.

Em 1914, o Supremo Tribunal Federal (STF) ratifica os limites na Serra dos Aimorés. A decisão é “contestada” pelos dois estados, iniciando-se o clima de tensão entre as forças, mineira e capixaba. Ninguém era dono!
 
Enquanto isto, no Estado do Espírito Santo, especialmente no Sul, havia colonos, imigrantes e aqui nascidos, com falta de espaço para criar suas famílias com dignidade. O índio já havia, em grande escala, sofrido a continuidade do processo de espoliação iniciado em 1.500.   

Havia ainda alguns índios por aqui, do outro lado do rio Doce, oposto a Vila de Colatina. Eles não aceitaram se aldear no município de Pancas, que tinha uma reserva muito grande e que podia manter a sobrevivência deles. Preferiram vagar como nômades, coletando frutas e raízes,e caçando. E desapareceram do Noroeste do Estado e foram povoar as regiões dos vales, do rio Doce a partir de Krenaque-MG e do rio Mucuri a partir de Teófilo Otoni-MG.
 
Assim, em 1923, o Presidente da República do Estado Nestor Gomes criou em Colatina a Companhia Territorial para gerir a colonização da área do vale do rio Doce (entre Linhares e Baixo Guandu) e do Noroeste do Espírito Santo a partir de Colatina.Naquela ocasião Colatina tinha como distritos (os hoje municípios) São Gabriel da Palha, Águia Branca, Vila Valério, São Domingos do Norte, Marilândia, Baixo Guandu, Sooretama, Rio Bananal, Alto Rio Novo, Pancas, Governador Lindenberg e Mantenópolis.
 
Então, além de Colatina, a colonização de Nestor Gomes seria feita também nos municípios de Affonso Cláudio, que agregava Brejetuba e Laranja da Terra; de Bôa Família (Itaguaçu), de Conceição da Barra que agregava Pedro Canário, Pinheiros, Montanha, Mucurici e Ponto Belo;de Linhares, São Matheus, de Barra de São Francisco que agregava os distritos de Água Doce do Norte, Boa Esperança, Jaguaré, Ecoporanga, Nova Venécia e Vila Pavão.
 
Logo, em 1924, assume como Presidenteda República do Estado, a figura histórica de Florentino Avidos. No ano seguinte, elemanda uma turma da Secretaria do Interior abrir um caminho para o Noroeste capixaba. Em 1925, Florentino Avidosaproveitando um momento de boas safras de café no Sul do Estado, inicia a obra da ponte sobre o rio Doce em Colatina, de quase mil metros de comprimento. A ponte que deveria iniciar uma estrada de ferro ligando Colatina a São Mateus.Mas a estrada não teve mais que sete quilômetros de extensão partindo de Colatina em direção a São Mateus.
 
Em 29 de junho de 1928, o presidente Florentino Avidos inaugurou a ponte sobre o rio Doce em Colatina.Nesse dia, Avidos partiu do Palácio do Governo, em automóvel, acompanhado de sua comitiva, a fim de inaugurar a grande ponte sobre o Rio Doce, em Colatina. Acompanharam Florentino Avidos as seguintes autoridades: o ministro Heitor de Souza, representante do Presidente da República, o vice-presidente da República do Espírito Santo, Aristeu Aguiar, o prefeito de Vitória, Otávio Índio, os deputados federais, deputados estaduais e muitas outras autoridades convidadas. Em Colatina, Florentino foi recebido pelas principais personalidades locais e por uma imensa multidão.
 
Os madeireiros, a partir dos inícios da ferrovia projetada para ir a Nova Venécia passando pela ponte Florentino Avidos sobre o rio Doce em Colatina, inaugurada em 1928, fizeram uma rodoviazinha precária a partir de 1930, a troco da permissão de explorar a rica Mata Atlântica situada ao norte do estado, ‘um sertão desconhecido’; em 1934, chegaram a Montes Claros (Minass Gerais), perto de onde já havia um núcleo de colonização com imigrantes poloneses contratados pelo Espírito Santo; ainda sem dinheiro, e sem mais a penetração dos carreteiros, o estado se via amarrado para dar prosseguimento  à colonização.
 
Com a Revolução de 1930, o presidente Getúlio Vargas que assumiu o comando do Brasil, destituiu o governador capixaba Aristeu Borges de Aguiar em 16 de outubro de 1930e para seu lugar nomeou o Capitão João PunaroBleycomo interventor. Embora mineiro, o Interventor  Bley, encarou a ideia de garantir o Noroeste do Estado como um espaço capixaba.
 
 

 
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