07/04/2021 às 06h26min - Atualizada em 07/04/2021 às 06h26min

O Centenário de Colatina em 2021

Toda essa região fazia parte do município de Reis Magos, atual município da Serra

- Por Paulo César Dutra (Cesinha)
Presente & Passado
Toda a área do norte do Espírito Santo era dominada por várias tribos indígenas que foram apelidadas pelos colonizadores de Botocudos. Foto: Walter Gabler. Arquivo Público do ES.

O processo de colonização de Colatina só foi reativado a partir de 1800, com o desbravamento do Vale Rio Doce, entre o mar e a divisa das Capitanias do Espírito Santo e de Minas Gerais, hoje entre Baixo Guandu-ES) e Aimorés (MG).

Havia um muro natural das florestas e a presença dos índios ferozes. Entre 1857 e 1800 ocorreram várias tentativas dos desbravadores portugueses e bandeirantes que não tiveram sucesso.

Os índios Botocudos dominaram a área de floresta do Vale do Rio Doce entre Colatina e São Mateus, além de parte do Vale do Rio Mucuri, em Minas Gerais, por três séculos, desde a primeira entrada no rio Doce, ocorrida por volta de 1572, chefiada pelo desbravador português Sebastião Fernandes Tourinho, rumo a Minas Gerais.

Entre 1572 e 1800, os índios resistiram com lutas ferozes contra os colonizadores.
 
Em 1800, o nascente Governo Imperial decidiu organizar a parte do Vale do Rio Doce, entre Linhares e Baixo Guandu, implementando as políticas direcionadas às populações nativas desse território, genericamente chamadas de Botocudos.

Esse projeto foi colocado em prática ainda em 1800, quando o Governo Imperial determinou a instalação da Diretoria de Índios do Rio Doce para reunir os Botocudos em aldeamentos, até 1845, quando nova legislação modificou a política indígena em todo o Brasil. Em destaque opapel dos militares e dos quartéis (em Linhares e Colatina) para a conquista territorial, como suporte dacolonização da região, e a persistente resistência dos Botocudos a tais enclaves.
 
De acordo com a história, foi em 1821, que o município de Colatina foi criado. Ou seja, este ano estaria completando 200 anos. Entre 1800 e 1821 ocorreram as guerras ofensivas entre índios, colonos e militares, assim como as estratégias de negociação de interesses e a elaboração de meios de sobrevivência e adaptação à situação colonial pelas populações indígenas.

As dificuldades financeiras do governo contribuíram com o distanciamento dos Botocudos tornando cada vez pior os meios deadaptação e convivência dos índios aldeados e recrutados para o trabalho compulsório em sua condição subalterna na escassa sociedade formada no Doce.
 
 E na região onde seria erguida a cidade de Colatina não existia a paz com os índios de um lado e os civilizados de outro. E para piorar surgiram os grandes proprietários de terra, de um lado, e os imigrantes pobres, de outro. E mesmo com a Vila de Colatina já existindo desde 1821, o Regulamento das Missões só tornou lei 1845, passando ser conhecida como a única legislação indigenista completa e extensiva a todo o Brasil formulada ao longo do Império. Foi a partir daí que o município de Colatina passou a ser desenhado, sendo então criado em de 1921. Fumaram o cachimbo da paz.
 
O nome do município é uma homenagem a dona Colatina Soares de Azevedo, neta materna de Joaquim Celestino de Abreu Soares, barão de Paranapanema, e esposa de José de Melo Carvalho Muniz Freire, presidente do Espírito Santo de 1892 a 1896 e de 1900 a 1904.
 
 
História
 
Toda a área do norte do Espírito Santo era dominada por várias tribos indígenas que foram apelidadas pelos colonizadores de Botocudos, em razão do uso do botoque no lábio inferior ou nos lóbulos das orelhas.

Os Botocudos viviam em conflito com outras tribos como Pataxós, Cumanachos, Malalis, entre outros. Além dos conflitos armados, a região do vale do Rio Doce foi tardiamente colonizada, pois temia-se que invasores pudessem utilizar o rio para chegar até Minas Gerais e ameaçar as riquezas do período da Mineração.

Toda essa região fazia parte do município de Reis Magos, atual município da Serra, mas no início do século XIX várias iniciativas de colonização foram sendo incentivadas. Linhares foi um dos primeiros povoados nesse período.
 
Em 1833 Linhares alcançava a categoria de Vila, época quando o trecho entre o rio Guandu e Regência começou a ser loteado, pois a navegação do rio por Barcos a vapor passou a ser muito utilizada, e o comércio foi se instalando na região.
 
Em 1876, italianos, alemães, suíços, poloneses e também brasileiros, foram se instalando em lotes em Santa Teresa, rumo ao rio Doce, formando propriedades agrícolas. Em 1888, já era elevada à Vila a antiga sede do Núcleo Colonial "Senador Antonio Prado", passando esta para as margens do rio Santa Maria do Rio Doce, logo abaixo da barra do rio Mutum. Estava nascendo o povoado de Mutum, hoje Boapaba. O novo Núcleo "Antonio Prado" já estava com seus lotes demarcados pelo engenheiro Gabriel Emílio da Costa, então chefe da Comissão de Colonização.
 
Dos diversos povoados que formavam o Núcleo "Antonio Prado", um ficou mais conhecido, o "Barracão de Santa Maria" devido a facilidades de comunicação fluvial com outros povoados, de Baixo Guandu a Linhares e Regência. Em 1890, depois da chegada de várias levas de imigrantes italianos, foi instalado um "barracão" para o Governo, no bairro hoje conhecido como Colatina Velha, localizado atrás da igreja de São Sebastião. Em 1892 começaram a ser construídas as primeiras casas da cidade de Colatina.
 
O Barracão do Rio Santa Maria do Doce, em Colatina Velha, cresceu e se tornou um povoado, levantado pelos imigrantes liderados pelo engenheiro Gabriel Emílio da Costa.O distrito de Baunilha começou quase que na mesma época do Barracão de Santa Maria, principalmente após a implantação, em 1906, da Estrada de Ferro Vitória a Minas.
 
Em 9 de dezembro de 1899, o povoado de Colatina Velha recebe o nome de Vila de Colatina, subordinado ao município de Linhares, em homenagem à dona Colatina, esposa do então presidente do Estado, Muniz Freire.

etratando a diversidade étnica presente no Espírito Santo, a região de Colatina tem população multifacetada, predominantemente descendentes de africanos e indígenas de diversas etnias e de europeus italianos, alemães e portugueses.
 
A ocupação das áreas onde hoje situam-se o município de Colatina tem relação com a lógica da reprodução da expansão da lavoura cafeeira para as terras de rarefeita ocupação vizinhas ou ao norte do Rio Doce. Colaboraram também em tal processo a pouco disponibilidade de terras agricultáveis na região Centro-serrana do Espírito Santo, que privava muitas famílias da tradição da herança. Isso tornou imperioso a posse de novas terras.
 
Tal movimento foi potencializado pela primeira estação da Estrada de Ferro Diamantina, hoje conhecida como Estrada de Ferro Vitória a Minas em Colatina e com a comunicação direta com Vitória efetivada, em virtude da construção da primeira ponte sobre o Rio Doce em solo capixaba, inaugurada em 1928. O eixo logístico formado pela conjugação da ponte com a EFVM determinou uma centralidade no que tange ao norte do Espírito Santo e áreas dos estados vizinhos (leste de MG e sul da Bahia) que até nos dias atuais rendem a Colatina a liderança em oferta de serviços de educação, saúde e comércio varejista.
 
A crescente vida econômica de Colatina abalou Linhares, tanto administrativa, quanto politicamente. Todo o comércio de grande parte de Minas Gerais e do Espírito Santo, que era feito em Linhares, passou a ser feito em Colatina.
 
A ficha de Colatina
 
Municípios limítrofes Pancas, São Roque do Canaã, Itaguaçu, Marilândia, Baixo Guandu, Linhares, João Neiva, Governador Lindenberg e São Domingos do Norte. Distância até a capital           129 km. História-Fundação em 30 de dezembro de 1921. Aniversário, dia 22 de agosto. Prefeito: João GuerinoBalestrassi (PSC, 2021 – 2024)
Características geográficas: Área total de 1 416,804 km². População total (estatísticas IBGE/2018 - 121 580 habitantes – Posição no Espírito Santo: é o oitavo mais populoso. Densidade: 85,8 hab./km². Clima       tropical (Aw). Altitude: 71 metros acima do nível do mar. Fuso horário: Hora de Brasília (UTC−3). O Padroeiro da cidade é o Sagrado Coração de Jesus
 
Colatina é um município brasileiro no interior do estado do Espírito Santo, Região Sudeste do país. Sua população estimada em 2018 era de 121 580 habitantes, sendo assim o oitavo município mais populoso do Estado. É uma das principais cidades do interior capixaba e sua influência abrange também municípios do leste mineiro.
 
Como resultado de sua economia diversificada, com bom equilíbrio entre os três setores produtivos - primário, secundário e terciário, bem como a presença de um parque educacional considerável e satisfatórios serviços na atenção básica e avançada à saúde, o município posiciona-se em 5.º no ranking dos maiores IDH's do estado, apresentando índice correspondente a 0,746, sendo este considerado alto para o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Entre os 5.565 municípios brasileiros, Colatina ocupa a 628.ª no que tange ao mesmo item.
 
A evolução de sua mancha urbana deu-se, inicialmente, a partir da margem sul do Rio Doce. Nos dias atuais nota-se equilíbrio entre ambas as partes. Estas são ligadas por meio de duas pontes. Colatina é carinhosamente conhecida como Princesa do Norte, em virtude do papel de destaque que ocupou na economia capixaba nos idos dos anos 50 e 60. Atualmente, com um Produto Interno Bruto estimado em 2 521 093 reais, Colatina é o 297.º município de maior PIB do país.
 
 

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