14/07/2021 às 07h51min - Atualizada em 14/07/2021 às 07h51min

O casal pioneiro de Colatina: Silvio Linhales e Josefa Brocco

O casal teve seis filhos: Adválter, Ailton, Aldis, Aurely (“Aurélia”), Aleida e Lúcio.

- Por: Paulo César Dutra (Cesinha)
Presente & Passado
Josefa Brocco era uma mulher prendada que cuidava da casa e de plantios. Foto: Reprodução Revista Nossa.

 
As famílias de Silvio Linhales e de Josefa Brocco se uniram em 1920 para a história geral de Colatina, um ano antes do registro de nascimento da Princesa do Norte. Ambos nascidos em Colatina, eles fazem parte de grupo seleto que acompanhou e fez parte da criação da cidade, que virou a mais importante, economicamente, no Norte do Espírito Santo.

Quando a cidade foi registrada em dezembro de 1921, Silvio e Josefa já eram adultos com mais de 20 anos de idade e casados, já esperando o primeiro filho.
 
Silvio e Josefa, nasceram entre 1895 e 1897, no bairro Maria Ismênia, e depois em outros lugares, como o centro da cidade e na Fazenda Vitali. Silvio e Josefa casaram-se em 1920 e o ato religioso foi realizado pelo frei Isaías.

O casal teve seis filhos: Adválter, Ailton, Aldis, Aurely (“Aurélia”), Aleida e Lúcio. O casal teve uma participação importante no desenvolvimento de Colatina.
 
Sílvio Linhales era um “faz-de-tudo”, conforme informações dos seus filhos. Silvio, na verdade era um curioso, uma pessoa muito perspicaz, interessada em todos os tipos de profissão. Daí sua larga atividade em diversos setores da vida colatinense: era muito filantrópico, pois preocupava-se com os doentes e desabrigados das enchentes, os quais levava para sua casa, na rua Cassiano Castelo, para dar a devida assistência.

Ajudou a construir a ponte “Florentino Ávidos”, transportando dormentes, como motorista, trabalhou no aldeamento de índios, em Colatina, foi funcionário da Fundação Sesp e trabalhou no “Vaporzinho”. Entendia de eletricidade, carpintaria e engenharia. Tinha, na verdade, de acordo com uma das filhas, uma mente privilegiada e, por isso, era peça importante em qualquer empreitada.

Devido a essa brilhante capacidade, muitos o procuravam para pedir opinião e ele conseguia, assim, o respeito diante dos mais altos funcionários do Governo ou privados. Sílvio Linhales morreu em 1973, depois de muito trabalho em prol do progresso de Colatina, deixando somente boas lembranças na memória de seus filhos.
 
Josefa Brocco por sua vez era uma mulher prendada que cuidava da casa e de plantios,uma perfeita roça mesmo,com milho,feijão,hortigranjeiros,criação de porcos e galinhas e pouco gado. A família Brocco até hoje não sabe o seu sobrenome verdadeiro,já que o pai de Josefa,Romano Brocco,foi trazido da Itália, ainda menino,quando estourou a guerra da unificação naquele país (Foram três guerras pela independência italiana, ocorridas em 1848-49,1859e 1866, e o país passava por uma transformação).

A unificação italiana, porém trouxe um desequilíbrio social, como o desemprego,um dos fatores que fez com que milhares de italianos do Norte da Itália deixassem suasterras de origem e se dirigissem ao Brasil.
 
Romano, garoto ainda,encontrava-se abandonado e perdido à beira do cais no Porto de Gênova, em Gênova, na Itália. E de repente, uma mulher que ele não conhecia, que foi identificada apenas como a “Velha Brocco”, passou e o pegou o menino, colocando-o sob a sua saia para que entrasse escondido, no navio, escapando, assim do desequilíbrio social.   

Como não foi possível identificar o seu sobrenome, ao desembarcar no Brasil, acabou sendo registrado como Romano Brocco, em razão da “Velha Brocco".
 
Josefa recordava que antigamente, em Colatina, nos seus tempos de mocinha, os índios existentes na região vinham para a cidade em determinadas ocasiões e andavam nus. Ela chegou, inclusive, nos tempos do Vaporzinho, a fazer uma viagem, com Silvio, de Colatina a Linhares.
 
Na Revolução de 1930, quando Colatina foi invadida por uma coluna de revolucionários mineiros que apoiava Getúlio Vargas, que seguia em direção a Vitória, para depor o governador Aristeu Borges de Aguiarque era contra Vargas.

Na ocasião Silvio e Josefa moravam na rua Cassiano Castelo onde viram pelo menos dois mortos serem carregados em frente à sua casa: Dr. Mafra e Braguinha, que eram contra Vargas. Segundo eles, ainda houve um terceiro morto, do qual não lembravam o nome. (As informações são da Revista  Nossa, de outubro de 1989).
 

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